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Posts Tagged ‘páscoa’

A festa em comemoração a colheita dos primeiros grãos, quando uma comunidade patriarcal se reunia, uniu-se a da mudança empreendida pelos criadores de cabras e ovelhas, ao fim das condições de pastoreio em determinada região, para dar lugar à Páscoa. Na primeira, comia-se do fruto da terra, em especial o trigo e, na segunda, cordeiros eram oferecidos durante a despedida de determinado grupo, rumo a lugares mais promissores e férteis.

Ainda que não tenha a mesma identidade da cerimônia da Velha Aliança, a Ceia do Senhor observa valores semelhantes à Festa dos Pães Asmos: Comemoração de nova perspectiva, sob a ótica divina; saída, renascimento.

Páscoa quer dizer passagem (do Egito para a Terra Prometida), comemorada com cordeiro assado e ervas amargas, símbolos da Redenção e dos tempos amargos no Egito.

Realizada entre o pôr-do-sol e a meia noite, na ceia da Páscoa comia-se um cordeiro macho, solteiro, sem nenhum defeito, com mais de 8 dias e menos de 1 ano. Os participantes deveriam ser em número mínimo de 10 e o máximo de 20. A reunião deveria ser presidida pelo chefe do clã ou família ou ainda por seu representante legal.

Sem o fermento do pecado

Comido durante toda a Páscoa, no período de sete dias, o pão não podia conter fermento, pois este elemento químico simboliza o pecado, por causa da fermentação. Diferente da Páscoa, cerimônia específica dos judeus, os elementos da Ceia são o pão, que tipifica o Corpo de Cristo e o suco da vide, símbolo de seu sangue. Paulo ensina ainda que o pão não deve conter fermento, por este simbolizar a contenda. “Nenhuma oferta de manjares será feita com fermento”, Lv 2.11, pois “Um pouco de fermento leveda a massa”, 1Co 5.6-8 e Gl 5.9.

Portanto o pão tradicionalmente usado no tempo de Jesus era do tipo sírio. Por não conter fermento não cresce. É um pão em forma de bolacha, de massa fina, sem miolo e chato. A peça era “rasgada” pelo líder da reunião e seus pedaços divididos entre os membros do Corpo – a igreja, como símbolo da comunhão (koinonia), conforme João 17.21-23; Efésios 4.3-4 e Colossenses 1.18-23.

A Ceia supera o Natal, o Ano Novo, a Páscoa judaica…

Instituída por Jesus Cristo, conforme Mateus 26.26-30, a Ceia do Senhor é a festa cristã de significado mais abrangente e mais importante para os cristãos. Indica a vitória de Cristo sobre a morte, a passagem do velho homem para a Vida Eterna, pela ressurreição e ainda indica a união ao Corpo (1Pd 1.3-4,23; 2.9-10 ). Embora semelhante não é igual à Páscoa da (Velha) Aliança de Deus com Moisés. Aquela aboliu esta: “Porque Cristo, a nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 7.5), pois Jesus é o próprio “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele é a nossa passagem (da existência temporal para a Vida Eterna), que inaugurou o Novo Testamento ou a Dispensação da Graça.

Com a morte do Testador, o Testamento (novo) passou a ter valor, a outorgar-nos o direito de redenção e, portanto, de filiação, a partir da adoção como filhos do Pai (Rm 8.14-17 e Ef 1.5), em Cristo: “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?”, Hb 9.15-17 (Ver ainda Hebreus 8.6; 9.11-15; 10.5-12; 12.24).

Memorial e não cerimonial

Ceia é memorial (“Em memória do Senhor Jesus”), com visão geral 1) do passado (“Anunciais a morte de Cristo”); 2) do presente (“em memória de mim”); e 3) do futuro (“…até que venhas”, 1Co11.26). Nela nos lembramos de toda a obra expiatória de Cristo, desde sua revelação, como filho da semente da mulher – o primeiro milagre (Gl 4.4) –; seu ministério, julgamento, condenação, morte (Gl 3.13) e ressurreição (Gl 1.1), ascensão aos Céus e glorificação (Ef 1.20-23), com vistas à sua Volta – motivos de muita alegria!

Não há de se lembrar somente do seu sacrifício, mas de sua obra como um todo, inclusive de sua manifestação no porvir. Pode-se lembrar Dele conforme retrata Isaías 53 – “parecer e sem formosura”, “homem de dores”… o que nos leva às lágrimas,  porém, não se esqueça Dele em sua manifestação em glória, relatada por João no Apocalipse, como seu rosto resplandecente como o Sol quando na sua força resplandece” (Ap 1.9-20).

“O que deveria ser uma ocasião para edificação mútua tornou-se uma ocasião destrutiva para a unidade da Igreja. Paulo foi informado sobre as divisões (schisma) que havia entre as pessoas quando se reuniam como uma igreja” (Comentário Bíblico Pentecostal-CPAD).

Os ricos, embora minoria, guarneciam a ceia e, portanto, tomavam “antecipadamente a sua própria ceia”, v21, e deixavam pouco para os pobres e escravos, a maioria. Por isso Paulo exorta os coríntios por causa da desqualificação evidente, e diz: “vos ajunteis, não para melhor, senão para pior” (v17).

Fraqueza e doença

Quando recebemos Jesus todos os nossos pecados são perdoados (1Co 5.17 e Hb 10.14-18). Os pecados cometidos a partir daí, são tratados de acordo com a gravidade de cada um. Se necessário, com disciplina, conforme vemos em Hebreus 12.1-11. E não devem ser protelados a ponto de criar “raiz de amargura” (Hb 12.14-15). O apóstolo João aconselha o crente a confessar os seus pecados ao Senhor, pois Ele é o nosso advogado junto ao Pai (1Jo 1.8-10; 2.1-2).

O pecado cria obstáculos à comunhão. Daí o costume dos essênios de banharem-se antes de cada refeição. Antes de sentarem-se à mesa, todos os que estavam em santidade, deveriam passar pelo ritual do ‘batismo’. Eles desciam por uma pequena escada até o centro de uma piscina, onde se banhavam. Somente a partir de então estariam aptos a sentar à mesa. Os que não estavam em santificação, não se banhavam e não se banhando, também não comiam. Isto é, não participavam da companhia dos outros e companhia é sinônimo de comunhão (cf Jo 17.20-23), pois quer dizer com (junto) panis (pão).

Olhar para dentro de si e não para os lados

Para a Ceia, cada um deve examinar “a si mesmo” (1Co 11.28), passagem que quer dizer “testar como a metais” e “assim coma deste pão, e beba deste cálice”. O examinar equivale a limpar-se, analisar pendengas, dirimir situações adversas, antes de sentar-se à mesa, pois quanto à indignidade (“o que come e bebe indignamente”, v29), leva-nos a refletir sobre a participação indiferente e irreverente, sem qualquer intenção de abandonar os pecados conhecidos (Bíblia de Estudo Pentecostal-CPAD).

O versículo 30 de 1Coríntios ao tratar dos “fracos, doentes e muitos que dormem”, relata o membro que não mantém contato com o corpo e, portanto, não recebe Dele os anticorpos necessários para dar-lhe saúde e vida (espiritual). Quando isso acontece registra-se anomalia, como temos visto hoje em igrejas de nome cristã, tão-somente.

O auto-exame deve apresentar o resultado que traduza renúncia, com a morte do homem velho para o renascimento do novo ser em Cristo, conforme João 12.24. A morte do grão de trigo indica a desintegralização para que a integralização à “natureza divina”, o Corpo de Cristo, possa ocorrer (2Pd 1.4). Se o grão não morrer não haverá novo corpo. Para crescer em representação e importância, o grão precisa passar por transformação, a partir da renúncia total de si mesmo. Ele deve ser triturada até virar farinha. Em seguida, misturada com água e sal torna-se uma massa homogenia. A união dos elementos retrata uma única peça, sem nem mesmo resquício dos elementos. Agora assada, ela torna-se pão.

Ao pé da letra

As passagens referentes a Ceia do Senhor, estão em Mateus 26.26-29; Marcos 14.22-25; Lucas 22.14-20, e a mais conhecida e usada está em 1Coríntios 11.23-32. Os versículos posteriores (33 e 34) fazem parte de exortação sobre uma questão existente na época, na igreja em Corinto, e podem, perfeitamente, ficar fora da oficialização da Ceia.

“O comei ou bebei dele todos” não quer dizer que tem que ser a mesma peça de pão ou o mesmo cálice, mas que todos (os membros do Corpo) devem Dele participar. Cheguei a servir o cálice em uma única taça, pois cria-se que todos deveriam “tomar de um mesmo cálice”.

Também o esperai uns pelos outros não diz respeito a comerem de uma só vez, todos em um único momento, mas à participação de todos no referido memorial, contra a prática em Corinto de ricos, que chegavam antes e comiam antes de os pobres e camponeses. Portanto o esperai uns pelos outros, era uma exortação aos crentes de Corinto, pois a Ceia do Senhor indica unidade em um único Corpo.

Transubstanciação

Quando a Bíblia relata as palavras do Senhor, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.54), não indica literalidade. O próprio Senhor também tomou e comeu os mesmos elementos dados aos discípulos – o pão e o fruto da vide. Portanto, o texto não pode ser tomado de forma literal. Isto é o que faziam os romanos, a ponto de acusarem os cristãos de serem antropófagos, uma vez que os cultos eram secretos em função da própria perseguição de Roma.

Portanto, tanto Paulo em 1Coríntios 11, quanto ao Senhor em Mateus 26, não diz este é o meu corpo, mas isto é o meu corpo: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento…” (Mt 26.28). O segredo da comunhão está no crente, pela unidade do Corpo, e não nos elementos, para muitos tidos como místicos.

Quem deve participar?

Para participar da Ceia do Senhor é necessário estar em comunhão com o Corpo de Cristo (a Igreja), ser participante e parte dele. Da Páscoa ficavam de fora os escravos, assalariados e estrangeiros. Somente os circuncidados dela participavam. Da mesma forma, a Ceia, que se assemelha à Páscoa da Nova Aliança, conta somente com a participação de membros da Igreja (o Corpo de Cristo).

A contaminação dos gentios romanos

A presença do Senhor diante de Pilatos indica alguns itens interessantes. Os judeus estavam preocupados. Eles não queriam perder a data e horário da Páscoa. Por isso, durante a condenação do Senhor, eles o apresentaram a Pilatos pela manhã. Queriam tanto dar andamento ao julgamento, como terem o tempo livre para a comemoração entre o final do dia e início do seguinte – o sábado (entre o pôr-do-sol e a meia noite).

Como também deveriam manter-se puros, eles se recusaram a entrar no Pretório para a audiência com Pilatos, justamente para não terem contato com um gentio e perderem a pureza: “Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa”. Por isso a Bíblia diz: “Então Pilatos saiu para fora” (v29). Essa proibição, de não se contaminar (com os gentios) durava os 7 dias da Páscoa.

Moedas tomadas por Judas

As 30 moedas usadas para ‘negociar’ Jesus por Judas equivaliam ao valor que a Lei fixava para a indenização de escravo alheio. Eram de prata com os nomes de siclo, no hebraico e estáter, no grego.

As moedas da época eram o siclo, moeda oficial em Israel até hoje (Shequel); o denário, a moeda romana, daí dinheiro, também de prata, pesava 3,90g e levava a efígie e inscrição do imperador. A dracma – cogitada como a possível nova moeda grega – pesava pouco mais de 4g, enquanto o talento valia 6 mil dracmas. Havia ainda o asse, moeda também romana, mas de cobre, com cerca de 12g, enquanto o ceitil, valor derivado do asse, equivalia a um quarto do mesmo.

Dez Conselhos Práticos

1)      A reunião da Ceia deve ser especial, com liturgia própria sem dividir o tempo com outra atividade, senão a própria Santa Ceia.

2)      Não tenha pressa para servir ou participar.

3)      Os cálices depois de usados podem ser recolhidos por outra pessoa. Um serve e outro recolhe os cálices na tampa da bandeja, para que todos participem com tranquilidade e sem pressa.

4)      Daí a importância de o culto ser específico – somente para a Ceia –, pois é a maior festa cristã.

5)      Na questão higiene todos os ministrantes que cortarão o pão, devem lavar as mãos, com sabão neutro, para não pegar cheiro no pão. Não toque em mais nada, nem mesmo na Bíblia; não passe a mão no rosto, nos cabelos…, não toque em lenço etc.

6)      O pão deve ser picado em tamanho médio e não tão pequeno. Deve-se notar a quantidade de membros e calcular o tamanho dos pedaços. Mesmo assim, não se deve exagerar em cortar minúsculos pedaços.

7)      Depois de os diáconos servirem devem postar-se em frente ao púlpito, em linha, para ser servidos por um ministro.

8)      Evite servir a Ceia posteriormente a pessoas que não estiveram no culto. Se possível, em caso de dificuldades, procure conduzir tais pessoas à reunião, a não ser em caso extremo. A Ceia indica comunhão, unidade e, portanto, todos devem estar juntos e num mesmo momento. Não tem outro significado, senão a comunhão e a unidade do Corpo.

9)      Lembre-se que o pão e o cálice não se transformam em corpo e sangue literais de Cristo. Portanto, não ore a pedir que isso se realize. Os elementos da Ceia representam o Corpo de Cristo. Fosse o próprio corpo, o Senhor não teria dele participado, conforme Mateus 26.

10)  Apresente-os ao Senhor em oração, pois a consagração e a santidade devem se achar em cada membro. A partir daí, os elementos são santificados – no ato da própria participação.

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No Novo Testamento, na Dispensação da Graça Jesus é o próprio Cordeiro de Deus – “o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), morto na cruz, onde derramou o seu sangue para a remissão dos pecados dos homens, dos que o recebem como Senhor e Salvador.

Diferente da Páscoa, a Ceia do Senhor comemora a revelação (concepção virginal), a vida e ministério, a morte, ressurreição, ascensão e glorificação de Jesus, como 1) passado; a celebração em comunidade – daí a substituição da Páscoa (judaica), 2) presente; o a sua Volta para Arrebatar a sua Igreja e a Eternidade, como 3) futuro.

É outro evento, que substitui a Páscoa – o fermento velho, da Velha Aliança –, conforme Paulo estabelece em 1Coríntios 5.7: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”.

Conforme estabelece a Palavra, ao considerar a (perda de) validade do Velho Testamento e suas figuras, como sombras, lançando para a Nova Aliença: “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” e “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam”, Hb 9.15; 10.1.

A “Páscoa” dos cristãos chama-se Santa Ceia – ou Ceia do Senhor –, que se constitui em comer pão – símbolo do corpo de Cristo – e beber do suco da videira – seu sangue: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha”, 1Co11.23-26.

A Páscoa (Ceia) entre os discípulos foi totalmente diferente das páscoas anteriores. O Mestre foi o próprio elemento a ser celebrado: “isto é o meu corpo, que é dado por vós” (1Co 11.24). Jesus morreu em nosso lugar, assim como o cordeiro, na Vela Aliança (Páscoa) era oferecido em lugar do primogênito. O cordeiro da Velha Aliança era uma figura de Cristo (Is 53).

A festa que se realiza ainda hoje, como representação da Páscoa judaica, por não ter objetivo cristão, transforma-se no mesmo fato registrado entre os membros desavisados da Igreja em Corinto.

Apóstolo Paulo demonstra sua preocupação, “com enfoque na Ceia do Senhor” em função dos “abusos dos coríntios em relação à comunhão, da mesma ideia da palavra companhia, literalmente, “comer o pão juntos” (com panis).

Paulo demonstra autoridade ao usar o verbo no grego parangello (cf 1Co 7.10), com a evidente desqualificação, quando diz: “vos ajunteis, não para melhor, senão para pior”, v17. “O que deveria ser uma ocasião para edificação mútua tornou-se uma ocasião destrutiva para a unidade da Igreja. Paulo foi informado sobre as divisões (schisma) que havia entre as pessoas quando se reuniam como uma igreja” (Comentário Bíblico Pentecostal-CPAD).

O apóstolo percebe em Coríntios que os desvios e inventos ou adaptações segundo a mente humana, são reuniões prejudiciais, além de não impactar, senão de forma negativa, o apóstolo do Senhor. Divisão era o que ocasionava a comemoração entre os coríntios e não conseguem o objetivo: memorial (“em memória do Senhor Jesus, até que Ele venha”).

Excesso de comida, fugindo da comemoração simples e singela do memorial, desviava do objetivo precípuo da Ceia do Senhor. O consumo exacerbado proporcionado pela riqueza retirava a grandeza da comunhão da comunidade cristã, pois tornava-se verdadeira comilança e demonstração de honras. Isto contrariava a determinação do apóstolo ao indicar que ninguém deve ser tão honrado a ponto de diminuir outro (cf. Rm 12.10).

A fonte acima (Comentário Bíblico Pentecostal-CPAD) informa ainda que havia um sério problema em função da mistura de classes sociais na igrejaem Corinto. Os ricos, embora fossem minoria, guarneciam a ceia e, portanto, tomavam “antecipadamente a sua própria ceia”, v21, e deixavam pouco para os pobres, que eram maioria.

Além disso, os pobres e os escravos só chegavam após concluir o dia de trabalho, enquanto os ricos chegavam mais cedo, se fartavam e até se embriagavam. Eles não compreendiam que a Ceia era do Senhor (kyriakos, no grego), e não uma ceia particular, própria.

Então Paulo passa à igreja o que ele “recebeu, (paralambano, no grego) do Senhor”, e o que também “ensinou” (paradidomi). O ensinador demonstra total e completa intimidade com Deus, pelos dons recebidos.

Ao escrever aos coríntios e a nós, dando-nos o ensino da realização da Ceia do Senhor, enfatiza o sujeito: “… eu recebi do Senhor”, que no original quer dizer “eu mesmo”. A revelação divina, intrínseca nos dons, é realçada no texto, conforme nota-se em outros registros.

Transubstanciação

Transubstanciação faz parte da doutrina da eucaristia católica romana, ao estabelecer que a hóstia é o corpo literal de Jesus. Transportando a ideia para o cristianismo (evangélico) teríamos no pão a literalidade do corpo do Senhor, porém, Ele mesmo (presente e enquanto vivia) comeu do pão e deu aos seus discípulos. E, ainda, por outro lado, Ele não definiu o elemento como seu corpo literal, quando diz: “isto” é o meu corpo e não “este” (elemento) é o meu corpo: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós…”.

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Refeição com apóstolos provavelmente aconteceu em móvel em U, o chamado triclínio.
Inconsistências nos Evangelhos não deixam claro se grupo celebrou a Páscoa.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo  

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Reprodução Concepção artística retrata os móveis provavelmente usados durante a Santa Ceia (Foto: Reprodução) 

 

Esqueça a boa e velha mesa: ao contrário do que achava Leonardo da Vinci, a Santa Ceia provavelmente aconteceu em torno de um triclínio, um móvel baixinho e em forma de U que era o mais empregado em celebrações da Antigüidade. E, tal como os convivas dos banquetes gregos e romanos, Jesus Cristo e os apóstolos provavelmente comeram pão e vinho reclinados sobre a mesa.  

 

A reconstrução da ceia, feita por historiadores e arqueólogos, baseia-se nos costumes prevalentes durante o século IdC em todo o Império Romano, inclusive na Palestina de Jesus. Achados arqueológicos em Pompéia e outros locais do Império mostram que os convidados de uma refeição entravam numa sala especial e logo se deparavam com o triclínio, que ficava com sua parte aberta voltada para eles, como um U invertido.  

 

Essa abertura permitia que os alimentos e bebidas fossem trazidos para a “mesa” e distribuídos nela. Em volta dos braços do triclínio, os convidados se dispunham numa ordem hierárquica: o lugar de honra era o meio do “braço” esquerdo. Almofadas ou “tatames” especiais eram usados para acolchoar o chão em volta do triclínio. Para comer, os convivas se reclinavam sobre seu braço esquerdo e manuseavam alimentos e bebidas com a mão direita.  

 

Ao longo do tempo, conforme os costumes se transformavam, a arte cristã passou a representar a Santa Ceia com mesas e cadeiras. Em várias comunidades cristãs, surgiu o costume de realizar banquetes que celebravam a morte e ressurreição de Jesus, os chamados ágapes, em que todos se sentavam à mesa para comer e beber.

 

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Pintura de catacumba romana mostra o ágape, antiga festa cristã que se inspirava na Santa Ceia (Foto: Reprodução)      

Páscoa judaica? 

 

Algumas contradições entre os quatro Evangelhos deixam no ar uma dúvida sobre as circunstâncias exatas da Santa Ceia: teria ela acontecido como o banquete que celebra a Páscoa judaica, o chamado Seder? Os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) dão a entender que sim, enquanto o de João parece dizer que não. A refeição festiva da Páscoa judaica é o começo das celebrações da libertação dos israelitas do domínio do Egito, e foi para celebrar a Páscoa que Jesus e seus discípulos viajaram até Jerusalém.  

 

Se a Última Ceia foi realmente um Seder, dá para ter uma idéia mais claro do cardápio consumido por Jesus e seus discípulos: o pão necessariamente teria sido feito sem fermento, conforme a tradição judaica; além do vinho, haveria carne de cordeiro e ervas amargas. No entanto, não há menção ao cordeiro (animal de forte simbolismo religioso para os antigos judeus) nos textos bíblicos sobre a Santa Ceia.  

 

Além disso, o evangelho de João diz que Jesus foi crucificado no dia da preparação para a Páscoa, ou seja, na véspera da grande festa judaica — tanto que os líderes judeus teriam pedido para que o corpo dele fosse retirado da cruz antes do início das celebrações. (O cadáver exposto transmitiria impureza ritual, “contaminando” o ambiente sagrado da Páscoa e do sábado judaico.) Se essa interpretação estiver correta, a Última Ceia foi apenas uma refeição festiva, sem ligação direta com as refeições pascais judaicas.  

 

 

Meus comentários

Não há nenhuma contradição nos Evangelhos sinóticos (semelhantes), tampouco com a narração de João. Como judeu Jesus realmente celebrou a Páscoa, mesmo porque Ele precisava fazer isso tanto como judeu quanto para efetivar a transição da Velha para a Nova Aliança, com a inauguração da Ceia. 

 

“…celebrarei a Páscoa com os meus discípulos…, Mt 26.18 e no verso 26: “Enquanto comiam….”, em Mateus 26.26 indicam que o Senhor celebrou a Páscoa, mas, a mesma referência  indica que Jesus tomou o pão e o cálice e deu aos discípulos, dizendo: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento…”, 28.

 

A Páscoa é judaica (da religião judaica), quando se comia o cordeiro (símbolo do próprio Cristo, pois Ele é o resgate, a redenção humana, em cumprimento a Gênesis 3.15, conforme João afirmara: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”).

 

As ervas amargas simbolizam o sofrimento no Egito, daí o significado de Páscoa (passagem – do Egito para a Terra Prometida).

 

Jesus instituiu a Ceia – “Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós”, 1Co 5.7 – que tem Nele o Cordeiro pascal e o sofrimento na Cruz. Portanto Ele deu um novo sentido e significado à Páscoa, com a instituição da Ceia – o pacto do Novo Testamento (“Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue…”, 1Co 11.25), enquanto a Páscoa é do Velho Testamento. Esta é dos judeus e aquela dos cristãos.

 

O apóstolo Paulo faz cair por terra toda e qualquer tentativa de mudar a indicação natural do texto, quando cita em 1Coríntios 11, a partir do verso 23, a cerimônia da Ceia. O versículo 26 diz: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha” (Antônio Mesquita)

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