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Archive for maio \16\UTC 2008

As últimas eleições na CGADB passaram a ser a mola propulsora que alavanca e redesenha o perfil de obreiros entre as Assembléias de Deus. Alguns líderes já estão com a vara e cajado nas mãos, para enfrentar ataques maquiados de direitos e liberdades. Pastores perceberam que alguns cordeiros estão vestindo casaco de pele de lobo, e já andam de salto-alto.

A disputa na CGADB é legítima e o direito de acesso para liderar a obra eclesial é incontestável. Todos que demonstram capacidades, em especial àquelas preestabelecidas pelo Senhor, têm essa garantia. A partir daí, resta somente transpor alguns “simples” obstáculos como à vontade do Senhor.

A manifestação mais intensa e oficial sobre a sublevação ocorreu na última reunião da União de Ministros das Assembléias de Deus do Nordeste (Umadene). A entidade congrega pastores das ADs de todos os Estados nordestinos.

Pastores expuseram suas homilias e manifestaram, com veemência, a preocupação com o assunto. Eles perceberam foco de revoltas entre obreiros que já falam em insubmissão.

“Você é livre e pode fazer o que quiser”. Está é a principal frase que proporciona estrago na lavoura do Mestre. São raposinhas incendiadas, denominadas, com muita propriedade, por um dos líderes da Umadene de “baixo-clero”.

A mensagem da frase não contempla a liberdade preconizada pela anunciação do Evangelho de Cristo. Lança para a desfaçatez de o obreiro não submeter-se a domínios, ser livre e tomar todos os desígnios nas próprias mãos, sem dar satisfação de seus atos a quem quer que seja.

Todos sabem que a AD sempre adotou, como cópia da Igreja Primitiva e de toda a história de homens tementes a Deus, não proporcionar dispersão entre o povo. Buscar a unidade, indicada na Bíblia como “vínculo da perfeição”, é uma das principais metas da Igreja do Senhor, enquanto Corpo.

Relatos bíblicos que falam de facções entre o povo de Deus, mostram que as mesmas tiveram ponto de partida e artimanha semelhantes.

A primeira frase ocorreu em Gênesis. A Bíblia relata que o animal mais astuto de todos, a serpente, lançou uma nova mensagem, contrapondo o domínio divino, quando diz: “Certamente não morrereis” (Gn 3.1,4). Ora, era o signo perfeito para a posterior queda do regime de Vida Eterna estabelecido por Deus. Por meio da fragilidade humana, suscetível a construções paralelas, que soam como meio de se alcançar posição de elevada estima, o Criador seria atingido. O empolgante desejo de ser igual a Deus – proposto ao homem pela Serpente – é um eco que ainda tilinta nos ouvidos de homens obstinados.

Note que a própria serpente não deu garantias de ausência de morte, pois não afirmara: “Pode comer que você não vai morrer”.

 A rebelião de Coré

No caso da rebelião de Coré os argumentos são semelhantes: “Agora chega! Todo o povo pertence a Deus, o Senhor. Cada um deles é de Deus, e o Senhor está no meio deles. Então por que vocês querem mandar no povo de Deus?”, Dt 16.3 (Linguagem de Hoje/SBB).

Segundo comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, a história relata a conspiração de levitas ambiciosos “para obter mais poder e uma posição mais elevada para si mesmos como sacerdotes”. Para isso, “Desafiaram a autoridade de Moisés e a ordem divina a respeito de Arão, de ele ser o único sumo sacerdote. Assim agindo, rejeitavam a Deus e à sua Palavra revelada a respeito do dirigente designado do povo de Deus”. E mais: “Corá e aqueles demais homens pensavam que poderiam escolher por conta própria os dirigentes do povo. Deus, porém, deixou claro que Ele estava no governo… Ele estabeleceu as sagradas qualificações para aqueles que devem servir no ministério (…) Quando os membros de uma igreja deixam de lado os padrões divinos para o ministério pastoral e procuram eles mesmos dirigir esse assunto, desprezando a Palavra de Deus, estão manifestando a atitude rebelde de Corá e dos demais que se ajuntaram a ele. A direção da obra de Deus deve basear-se na sua vontade revelada à igreja” (BEP). 

 Quem me dera ser o juiz de vocês!

O filho de Davi, Absalão tinha presença e todos os dotes visíveis para tornar-se rei. “Não havia… em todo o Israel homem tão belo e tão aprazível como Absalão; desde a planta do pé até à cabeça, não havia nele defeito algum”, 2Sm 14.25. Mas devido sua precipitação, Absalão foi parar em uma terra distante e, depois, mudou-se para Jerusalém, mas ficou privado da presença do rei. Para criar um fato e chamar atenção ele mandou pôr fogo no campo de Joabe. E mais, postava-se na porta do palácio, ouvindo as queixas do povo e aguçando-o para a rebeldia: “Vocês não têm que os ouça. Ah! Quem me dera ser juiz da terra, para que viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!”, 2Sm 15. 

 Porfiar é como idolatria

A orientação bíblica “obedecer é melhor do que sacrificar” era sempre parafraseada pelo saudoso pastor Moisés Soares da Fonseca (Niterói-RJ), e complementada pelo líder com a frase: “Como é bom começar bem e acabar bem”.

Segundo o profeta Samuel, “a rebelião é como pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria” (1Sm 15.22-23). Porfiar é “Discutir acaloradamente; contender, debater. Fazer empenho; teimar, insistir, obstinar-se. Competir, rivalizar, concorrer. Competir, rivalizar. Fazer por obter; disputar. Empenhar-se em; travar” (Aurélio).   

 Homens de sinais

A Bíblia alerta para as obras do “homem de Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de boca. Acena com os olhos, fala com os pés, faz sinais com os dedos. Perversidade há no seu coração; todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas. Pelo que a sua destruição virá repentinamente; subitamente será quebrantado, sem que haja cura”, Pv 6.12-15.

A Igreja do Senhor não pode assumir linguagem, táticas e formas profanas (tudo aquilo que faz oposição ao sagrado). Não podemos nos secularizar a ponto de esquecer que Senhor significa dono, proprietário, dominador, e que somos simplesmente servos.

Precisamos estar alertas para fatos concretos que estão ocorrendo e, com isso, ter o cuidado para não dar atenção excepcional ao temporal e se esquecer do eterno, daquilo que, realmente fica.

Os crentes de Roma, de origem judaica, grega e romana, disputavam entre comer e não comer carne, ou comer somente legumes, entre outros preceitos dietéticos. Outros se sentiam totalmente livres disso tudo e, portanto, progressistas. Paulo exorta os dois lados à renúncia e afirma que deveriam viver como consangüíneos, gerados pelo mesmo ventre (Rm 12.10).

Fora disso não há unidade, e fora da unidade não há igreja. O mundo precisa notar a diferença em nós, como prova da permanência de Cristo no seio da organização denominada igreja.

As aflições do mundo de hoje já não se caracterizam como perseguição de fora, mas dissoluções, facções e partidos no seio da igreja. São mostras da proximidade da Vinda de Cristo.

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A falta de preparo de alguns policiais, pois há de se ressaltar a presença do trigo, faz com que as honrosas ações de corporações policiais sejam maculadas por atos levianos, como o ocorrido na querida Paraíba.

O arbitrário e desastroso fato, envolvendo a Igreja Evangélica Assembléia de Deus e o delegado da Polícia Civil Wagner Paiva de Gusmão Dorta, na comarca de Queimadas (PB) é em exemplo de desrespeito à Lei.

 

No dia 26 de abril, quando a polícia estaria em busca de um traficante do Rio de Janeiro, o delegado, pensando ser o todo-poderoso, agiu como juiz, policial e justiceiro. Em nota posterior, ele achou simplesmente estranho a repulsa ocasionada por seus atos de excesso, ao afrontar perigosamente um ministro da igreja, empunhando uma arma apontada em sua direção e sob ameaças.

 

Além disso, sem apresentar-se como autoridade policial, tendo em vista estar à paisana e sem qualquer identidade visual, e tampouco com mandato às mãos, foi logo arrebentando portas, furando os pneus de um veículo, dando ordens aos gritos e, vociferando para todos os lados, como se o local fosse despido de qualquer proteção legal. Ele estava diante de cristãos, pessoas conhecidas como crentes, que dão testemunho de gente ordeira e disciplinada.

 

Ignorou o delegado local, que não teve conhecimento do fato, o mesmo ocorrido a respeito do Judiciário, pois Queimadas é comarca, mas também fora ignorada. Estavam na igreja jovens em reunião para uma atividade evangelística. O pastor, há 4 anos na cidade, estava ausente. E mais, não quis ouvir explicações, embora todos tentassem exaustivamente convence-lo do erro. A falha do policial fora agravada ao acusar o pastor de ser o próprio marginal em fuga. Sua história do provável marginal carioca, distribuída em nota, soa como tentativa de cobrir um ledo engano, pois o sujeito teria “escapado”. Quer dizer: uma parafernália toda para nada!

 

E o que a Lei estabelece? É obrigação do agente policial, realmente prender em flagrante delito (compulsória ou coercitivamente), conforme o artigo 302, do Código de Processo Penal. Mas no caso de um templo de culto religioso, seja ele cristão ou não, o seu acesso ao local do culto, reflete afronta ao sentimento religioso e violação da intimidade, conforme fundamenta o artigo 5º (VI) da Constituição, que afirma ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias” (grifei).

 

Ainda que soe antagônico a polícia ter a obrigação de prender, mas também respeitar o local de culto, o Código Penal, afirma em seu artigo 208, ser crime escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso (grifei).

 

Diante da situação, o agente policial, com bom senso – pois não se pode imaginar um homem com uma arma letal em mãos, demonstrar despreparo profissional e imperícia, e sinais notáveis de desequilíbrio – deve atuar de forma a ajustar-se aos padrões da lei.

 

Seu acesso às dependências do templo, no primeiro momento, só poderia ser autorizado pelo líder religioso local, que estava ausente, após notificação (o que não ocorrera). Assegurada a segurança dos presentes ao local de culto, estando o marginal ainda nas dependências da igreja, o acesso do policial seria autorizado. Neste caso, não se observa tão somente a preservação do local sacro, assegurado pela Lei, mas ainda a exposição dos presentes ao risco. Esta deveria ser a preocupação no momento do policial, que de arma de fogo em punho, poderia estabelecer uma cena de guerra dentro das dependências da igreja, oferecendo riscos aos presentes, como ocorrera.

 

Sem dúvida que estamos diante de uma ação ilegal, improvidente, maldosa, espúria, não comum à ação de uma autoridade pública, que deve sobremaneira ser urbana e agir seguindo a expressa determinação legal.

 

Como escreve o respeitado advogado e consultor, doutor Antônio Ferreira Filho, “é farta a jurisprudência dos nossos tribunais em asseverar que também é uma ação ilegal, expor injusta e voluntariamente em sobressalto, a tranqüilidade dos fiéis ou do oficiante, e não se pode dar respaldo à prática de atos, de alguma maneira, incompatíveis com a legalidade”.

 

Em agosto de 2007, o tenente PM, Santos (P-2 em Duque de Caxias-RJ), prendeu um traficante, que se refugiou em um culto na Assembléia de Deus em Imbariê. Contudo, o policial, conhecedor de deveres e também de direitos, só prendeu o traficante após solicitar ao pastor autorização para fazê-lo dentro do templo.

 

Demonstrando arrogância, quando deveria pedir desculpas por sua falha, o agente policial continuou suas afrontas verbais por meio da imprensa local, e divulgou nota na imprensa, sob o título Nota de Repúdio.

É lamentável.

 

Antônio Mesquita, presidente do Conselho de Comunicação da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB). Jornalista Mtb 350.02.78

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Não temos nenhum registro bíblico que mostra Jesus falando em línguas estranhas. É simples entender isso.  Primeiro é preciso atentar para os propósitos do batismo no Espírito Santo. Segundo, porque Cristo, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, Jo 1.1-3. Assim como Gênesis, João também é um livro que fala de Princípio, Início (“No Princípio criou Deus…/No Princípio era o Verbo”). Verbo é a ordem, a determinação para que as coisas ocorram, a Palavra dita (rhema) e sua eficácia, portanto, o próprio Senhor.

Quando João anunciou o Salvador disse o seguinte: “Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo. E aconteceu, naqueles dias, que Jesus, tendo ido de Nazaré. Da Galiléia, foi batizado por João, no rio Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus abertos e o Espírito, que, como pomba, descia sobre ele. E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo. E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam”, Jo 18-13.

Conforme vemos neste Evangelho, o próprio Senhor Jesus é quem batiza com/no Espírito Santo.

Ainda no mesmo livro temos a presença do Espírito Santo, enviado pelo Senhor Jesus à Igreja, com a idéia (no original), de “outro da mesma espécie”.

O propósito do envio do Espírito Santo, conforme João foi justamente para consolar (estar ao lado) dos discípulos, que passariam a não mais contar com a presença corpórea de Jesus, e ao saberem da futura ausência do Senhor, tiveram o coração cheio de tristeza (Jo 16.6). Então Jesus disse: “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei”, v7.

Este versículo, conforme comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal deixa “claro que o derramamento pentecostal do Espírito Santo ocorrerá somente depois de Cristo voltar para o Céu”.

Jesus ensina ainda sobre a atuação e propósito do Espírito Santo entre a Igreja: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”, 16.14.

Por fim, no Dia de Pentecostes, cumprindo-se as 7 semanas após a Páscoa (“Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós”, 1Co 5.7), portanto no 50º. dia (Penteconta), os discípulos receberam o batismo no Espírito Santo, conforme Atos 2.1-4.

Entende-se então que a promessa recebida pelos discípulos (e ainda os discípulos de hoje recebem) é algo dado pelo próprio Senhor Jesus, por meio do Espírito.

No caso dos dons, segue-se a mesma indicação: “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. (…) E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”, Ef 4.7-8,11-12.

Não havia nenhum propósito em Jesus falar línguas estranhas, mas no caso de nós – seus discípulos – sim, pois “…a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil“, 1Co 12.6. Ele reparte essa unção a cada um (v11). Também no batismo no Espírito Santo forma-se um só corpo – o de Cristo, ou a Igreja, enquanto Cristo é a Cabeça de todos. Somos ainda em Cristo “edificados casa espiritual” (1Pd 2.5) e o dom de línguas estranhas nos serve como edificação pessoal (1Co 14.4). Ele está entre os dons espirituais outorgados à Igreja pelo próprio Jesus e, portanto, após a Expiação do Senhor Jesus.

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Senti-me compelido a escrever este artigo depois de ler a carta de um leitor desta revista, que teceu comentários a respeito do artigo O arrebatamento da Igreja, por mim escrito meses antes. Achei que o artigo estava fraco e sem profundidade. Após a publicação fiquei me cobrando. Na carta o irmão diz, que ao ler o artigo, sentiu a presença do Espírito Santo, foi renovado e passou a falar em línguas. Nem por isso mudei a minha idéia, mas pude perceber o que o Senhor realiza, quando temos propósitos naquilo que fazemos. Mesmo quando a nossa pequenez é notória, o Senhor manifesta a sua grandeza, para glória de seu nome.

Não pretendia falar tão cedo sobre o mesmo assunto. Entretanto, o Senhor revelou-me algo para minha edificação, e, ao passar para o arquivo, comecei a engrossar as informações, pela graça do Senhor.

Um dia minha mente se abriu, e passei a compreender a relação do casamento  e o mistério do arrebatamento da Igreja, conforme ensino do apóstolo Paulo, em Efésios 5.31-32.

O mistério do casamento dito pelo apóstolo, cremos estar ligado à atração natural da mulher pelo homem e vice-versa. Do homem ela saiu e para ele quer voltar; enquanto o homem busca esta realização; do mesmo modo como saímos de Deus e para Ele queremos voltar. Nisto temos o mistério do arrebatamento comparado ao do casamento. Pela união conjugal o homem é arrebatado do abrasamento para uma vida sem paixões carnais.

A Bíblia fala ainda do casamento mostrando o varão (macho), unindo-se à varoa (fêmea), formando os dois uma só carne (homem-Adão). “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”, Gn 1.27.

Ao ser criado, o varão precisava completar-se na mulher, que dele saiu, e para ele volta. “Portanto, deixará o varão a seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”, Gn 2.24.

No sexto dia, o Senhor conclui o círculo da Criação. E como dizia meu professor de Escatologia, pastor João de Oliveira, o 6 é o número do homem. É divisível e multiplicativo.

Este círculo nos remete para a idéia de conclusão, de completo, de obra final.

O mesmo acontece em relação à Igreja. Quando o círculo se fechar, e a obra de restauração do Senhor se completar, no resgate da Igreja, o mistério será revelado.

Tudo isso não pode ser compreendido pelo homem carnal ou natural. Os que não alcançam a revelação da promessa divina, vivem na superfície, fazendo da obra do Senhor um comércio. Sobre estes Paulo alerta dizendo que são “privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho e ainda… Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”, 1Tm 6.5 e 2Tm 3.5. A fé não é para todos. Muitos são chamados, mas os escolhidos, são poucos.

Retrato 

A essência divina que está em nós é o espírito, soprado no homem, que permanece e é eterno, enquanto a carne volta ao pó. Ele efetua a materialização do caráter, e por ela o homem constrói o tabernáculo ou corpo para a eternidade por meio de suas obras. Para que isso ocorra, o vaso de barro deve portar a excelência do poder de Deus, e não da carne (2Co 4.7).

No caminho desse processo de restauração, “gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação que é o céu”, para que a carne, que se acaba, seja absorvida pela vida (5.4), derrotando a morte, pois seria uma contrariedade ter a Vida e morrer. O Senhor deixa bem claro que quem receber a Vida (crer Nele), ainda que esteja morto, viverá.  Por isso, “desejamos deixar este corpo, para habitar com o Senhor”, 5.8.

O Senhor diz: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”. Daí a necessidade do novo nascimento, com o segredo do vento que assopra (pnei pneuma), ouve-se a sua voz, “mas não se sabe de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”, Jo 3.6-8.

Assim como o homem deixa a seu pai e a sua mãe para se unir a sua mulher, para serem uma só carne (Ef 5.31), taxado por Paulo como um grande mistério, e refletindo a sombra da união da Igreja a Cristo; o homem precisa despir-se de seu corpo natural,  para revestir-se do corpo espiritual, refletido pela sombra do material, pelas obras nele, para edificação do tabernáculo ou corpo eterno.

Como para a eternidade não se leva obras carnais, assim como o homem deixa por completo sua família, formando outra com a esposa, tudo o que conquistamos na terra passará pelo fogo. As obras humanas, de palha ou madeira, serão queimadas. Mas ficarão as de metal, prata e ouro. A madeira, que simboliza as obras humanas, pode ser usada para a sustentação das obras espirituais, mas não subsistirão ao fogo.

Temos o exemplo na construção da Arca da Aliança. A madeira acácia – por ser dura e resistente, rechaça a presença de traças –, foi revestida de ouro. Quando a madeira sai, o ouro, embora oco, fica e mantém o formato. A madeira dá lugar ao ar – o vento. Lembra-se do “vento assopra onde quer…”?

Cumpri-se então o segredo dito por Paulo, que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus. “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos arrebatados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”, 1Co 15.52-54. 

*Artigo Publicado na Revista Pentecostes (CPAD) – maio/2000

 

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