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CEIA DO SENHOR

Para comemorar a passagem (por cima) da escravidão do Egito, rumo à Terra Prometida (Canaã), os judeus comemoraram, pela primeira vez, a Páscoa (Ex 12 e 13).

Foi o pacto da (Velha) Aliança com Deus e Moisés, no Monte Sinai. Então, em todo o mês de Nisã, também conhecido por Abibe, entre março e abril de nosso calendário, a festa exclusivamente judaica, é comemorada. O Redentor é o próprio Deus.

Este mês marca o início do ano aos israelitas (‘será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dia meses do ano’, Ex 12.2), como símbolo de nova vida ou ano novo religioso, diferente do civil, que começa em setembro.

BASES DA PÁSCOA

É composta de um cordeiro – diferente do carneiro, pois aquele é solteiro, puro, este não -, de até um ano. O animal é sacrificado ao SENHOR e sua carne comida entre a família. Caso seja uma família pequena, menos de com oito, o número poderá ser completado com vizinho.

Este mesmo cordeiro teria de ser limpo, sem manchas no pêlo, sem nenhum vestígio de imperfeição ou doença. Era minuciosamente examinado pelo sacerdote judaico. O dia escolhido é o 14o. A festa é de 7 dias (Ex 13.6).

Toda degustação, sem que nada pudesse estar cru, deveria ser feita com ervas amargas. Estas para lembrar os dias amargos da escravidão no Egito. O tempo, desde a ida do escravo José, que durou 400 anos.

NOSSA ‘PÁSCOA’

Diante da Páscoa judaica, o SENHOR Jesus instituiu a Ceia do SENHOR, mas não a Páscoa. Ele instalou a Ceia como símbolo da Nova Aliança no seu sangue: O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’ (Jo 1.29 e Hb 12.24).

Neste pacto do Novo Testamento, o SENHOR come com os discípulos pão, símbolo do Seu corpo, a substituir a carne do cordeiro, e toma o suco da vide, como símbolo de Seu sangue. ‘Este é o NOVO Testamento no meu sangue’, 1Co 11.25. Neste, o Cordeiro é Jesus, o Monte é o Calvário, o Redentor é Cristo!

Como se nota, os elementos são representativos e não literais, obviamente, pois o próprio SENHOR o come e o toma, dizendo: ‘Isto” é o meu corpo'” (Mt 26.28) e não ‘Este’.

Após participarem da Ceia, o SENHOR e os discípulos cantam hinos (26.30), compostos dos salmos 113 a 118. Hino deriva-se do hebraico hallel, também raiz de Haleluia (Aleluia), Louvor ao SENHOR.

Apóstolo Paulo ao estabelecer a Ceia (Eucaristia) como parte da doutrina cristã (1Co 11.23-28), combate ajuntamento à moda pascal, com muita comilança (v17-22; 33-34).

CRISTO, A NOSSA PÁSCOA

ELE  ‘é mediador dum melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas’ (Hb 8.6),  e então, é tirado ‘o primeiro, para estabelecer o segundo’ (10.9), ‘E por isto é Mediador dum novo Testamento, para que, intervindo a morte para a remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento , os chamados tecebam a promessa da herança eterna’, Hb 9.15.

Conclui-se que a nossa Páscoa, literalmente Passagem da escravidão do mundo, para s Eternidade, é Cristo:  A Ceia é a nossa Páscoa e a maior festa cristã (1Co 5.7), e não mais fazemos mais festas com fermento velho (1Co 5.6).

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Ao contrário dos impérios até então em alta, a Nova Aliança entre Deus e os homens revela o Reino divino entre os homens, a partir do advento de Cristo: “Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” e “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”, Lc 17.21 e Rm 14.17.

Os crentes, muitos alijados pelos sistemas de domínios, do crescimento humano e da visibilidade social, sentiram-se prestigiados pelo Senhor – o Adonai (hb) na Velha Aliança, portanto restrito aos judeus; e Kurios (gr), o Senhor de tudo e todos. Embora profetizado na Velha Aliança, conforme os profetas, como Isaías 53, agora mostrado pelo Cristo, como o Pai (Mt 6.9).

Com a Igreja, embora seja revelada por indicar o próprio Reino de Deus na Terra, surgem os meios de correção de discrepâncias impostas por domínios e impérios, formas de escravização humana. Nota-se essa filosofia no alinhamento imposto pelo Senhor da Igreja: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um”, Jo 17.20-22.

Alinha-se também a esse propósito apóstolo Paulo, quando exorta a que se apare os excessos excludentes, para que todos sejam nivelados em representação social: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”, Rm 12.10. Note que Paulo não diz respeito ao templo espiritual de Efésios 2.21-22: “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”, mas às questões temporais.

Quando o apóstolo fala aos romanos, tenta eliminar o problema existente por causa da disputa entre judeus e gentios. Os judeus, de volta a Roma, após terem sido expulsos pelo imperador, queriam dominar a igreja. Então Paulo, em Romanos 12.10, enfatiza que o amor fraterno (de philia) entre os cristãos deveria eliminar fronteiras, etnias, classes sociais e cidadanias temporais. O original afirma que os cristãos deveriam amar como se fossem gerados pelo mesmo ventre, isto é, consanguíneos.

Além disso, as honras também devem acompanhar o mesmo respeito e amor recíprocos. Vê-se esse ensino, quando o apóstolo dos gentios enfatiza a questão do alinhamento da honra. Ninguém deve ser tão honrado a ponto de humilhar o seu próprio irmão (Rm 12.10).

Com tudo isso, a Nova Aliança não deixa a desejar à Velha, quanto à questão tratada pelos profetas, com respeito aos pobres e oprimidos. Para manter a pompa palaciana, os reis impunham duras penas ao povo, sob forma de impostos e muita opressão sobre os produtores, atingindo também e especialmente trabalhadores.

Os reinos em Israel ocorreram justamente a partir da opressão de Roboão, mais injusto quanto ao peso dos impostos, para manter o luxo palaciano, que seu pai Salomão. Isto provocou revolta e por fim a consolidação da dissidência – Reino Sul (Judá), com capital em Jerusalém e Norte (Israel), com a capital em Samaria.   

Simplicidade da revelação de Cristo

Conforme modelo da Igreja do Senhor – o verdadeiro Corpo de Cristo – expresso tanto pelo Senhor, quanto pelo apóstolo Paulo, não há brechas para cismas, pois não estão inseridos nele estruturas e poderes temporais. Hoje temos tudo isso em função da interferência humana e daí o gosto e busca desenfreada pelo poder temporal.

Nem mesmo templos – construções humanas – existiam na Igreja Primitiva. Tais construções ocorreram por volta do início do terceiro século. Sua importância está na Velha Aliança: “Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios”, Sl 84.10. Na Nova, os verdadeiros adoradores não dependem dos tais, mas da comunhão e da constituição de si próprio como templo divino, conforme Efésios 2.21-22, expresso acima, 1Pedro 2.5 e ensino do Senhor, que já preconizava tal forma de adoração na Igreja, ao dialogar com a mulher samaritana: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”, Jo 4.23.

Embora as casas de oração e demais estruturas não devessem atrair tanto, elas não precisam ser excluída e deveriam constituir-se barreiras ultrapassáveis. Porém, muitos não conseguem passar dessa prova, se enroscam, perdem o alvo da soberana vocação e se embrenham por caminhos que levam a impérios tomados a força e não ao Reino do amor.

As estruturas humanas acumulam poderes terrenais e atraem o homem desejoso de domínios, como se retrata hoje. Não fosse isso, muitos estariam no anonimato e não poucos buscariam outros meios para se verem em evidência, na contramão da proposta de João Batista: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”, Jo 3.30, com o resultado refletido na sociedade: “Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia”, Mc 6.20.

Em João 17 vemos que não existe Igreja sem Corpo – a comunhão. Mas nessa unidade (um), só possível com a renúncia do ego humano, a divindade acaba expressada pelo próprio Cristo. Ele é somente visto quando todos são reduzidos a zero no sentido temporal – mas não no espiritual (de novo gerados, cf 1Pd 1.23), que ressurge do nada para ser um em Cristo.

Objetividade da revelação de Cristo

Um quinto de toda a Bíblia ou o equivalente a um quarto do total usado para a revelação da Velha Aliança é o suficiente para a revelação do Criador em Cristo. E mais, o espaço de tempo também é infinitivamente menor e chega a um século: desde o nascimento de Jesus Cristo, entre 4 e 6aC até à morte do último dos apóstolos, João, por volta do ano 96dC.

Isto porque os apóstolos foram constituídos únicos como estrutura e guardiões da doutrina da Igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”; “E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém”; “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”; “E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”, At 2.42; 16.4; Ef 2.20; Ap 21.14.

No mundo, mas fora de seu sistema dominante

Ergue-se então, pela Eclésia (chamados para fora – do mundo –, eklêsia no grego, de ek, fora de; kaleo, convocar, chamar), com a ideia intrínseca de “tirados para fora”, com vistas ao Arrebatamento (tirados com força, com grande ímpeto, arrancados), um grupo unificado de variados povos, línguas, culturas e nações, sob o domínio da língua determinante da cultura e do mercado da época – o grego.

“É um grego fácil, claro e temperado pelo uso da linguagem falada, adequado à inteligência até das camadas mais humildes da sociedade, às quais era dirigida, com certa predileção, a nova mensagem da salvação evangélica” (Novo Testamento, tradução dos textos originais, com notas, dirigido pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, ©1967 by Edições Paulinas – São Paulo).

Eklesia conta com mais de cem referências no Novo Testamento, conforme traduz a Septuaginta, para indicar a assembleia ou congregação dos santos (em Cristo), como faz questão de especificar apóstolo Paulo, diferenciando-os dos demais santos (separados) de diversas religiões da época (Ef 1.1).

A contemporaneidade da Unidade

Assembleia ou congregação só pode existir por meio da unidade, expressa por Cristo, como prova da essência espiritual sobre a existência temporal, a indicar a presença do próprio Cristo no meio da mesma. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim”, Jo 17.23.

Essa unidade deve ter a mesma identidade e semelhança à do Pai, Filho e Espírito Santo – a Triunidade. Três Pessoas em uma única essência e atributos. Com isso, a Igreja não só se revela como um só Corpo – o Corpo de Cristo – como também a própria divindade nela, pelo milagre da unidade e não somente união.

A Glória divina, dada por Cristo à Igreja, pode perfeitamente provocar a ascensão da essência carnal para o espiritual. Essa mesma revelação de cunho espiritual leva o homem à renúncia, ao despojamento dos limites humanos.

Equivale à necessidade de desintegralização da carne para a integralização ao Espírito. Assim forma-se um só Corpo em Cristo, pois a unidade não é coisa de discurso, mas essência tomada por revelação aos que não param na chamada, mas seguem como também escolhidos e, portanto, confirmados como eleitos.

Igreja do Senhor Jesus Cristo e igrejas

Igreja é o termo usado pelo Senhor, quando trata de sua edificação – sobre a Rocha – o próprio Cristo da confissão de Pedro e não no Pedro da confissão, conforme Mateus 16.16-18: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Rocha, Pedra Principal ou Pedra de Esquina sempre se refere a Cristo, conforme se vê desde Deuteronômio a 1Pedro: “E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação”; “Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado”; “E se lembravam de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor”; “Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça”; “E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados”, Dt 32.15; Sl 62.6; 78.35; Is 44.8 e 1Pd 2.8.

Bases da identidade da Igreja Católica Apostólica Romana se confrontam com as doutrinas básicas da Igreja de Cristo. Essa igreja divide sua composição em duas: do clérigo, como grupo especial e formador da unidade e leigos, classe separada. Por outro lado, toda e qualquer ação divina, em favor dos homens, só pode ser efetivado por meio da própria igreja, através de seus sacramentos.

A Reforma Protestante serviu para eliminar tais empecilhos e ‘limpar’ o caminho do homem ao Criador. Sem a necessidade da interferência de um sacerdote católico romano, Lutero mostrou que todo homem pode ser constituído por Deus como membro do Corpo de Cristo e seu próprio sacerdote, sem intermediário – o sacerdócio universal: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”, 1Pd 2.5.

Isto ocorre a partir do que o próprio apóstolo Pedro denomina de novamente gerado de semente incorruptível: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre”, 1Pd 1.23.

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