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Archive for outubro \25\UTC 2011

Texto bíblico

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (1Co 3.10-13).
 

Ministramos tema publicado ao lado do pastor Geremias do Couto, convidado pelo pastor-presidente da AD em Ribeirão Preto, Antônio Santana. Na foto diretores, professores e alunos-formandos no final do Simpósio Teológico da Etadecarp, dia 22, no templo-central (Foto: Lucene Mesquita)

Introdução

O título acima diz respeito ao emprego à Doutrina cristã e, consequentemente, aos conceitos teológicos básicos, que lhe dão forma. A partir desse ponto de vista, a Desregulamentação ocorre de dentro para fora (do templo); enquanto a Desconstrução acontece de fora para dentro.

A Bíblia alerta para tais ocorrências no Fim dos Tempos, quando o Inimigo usaria suas influências para alterar rumos religiosos, ao afirmar:

“E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo” (Dn 7.25).

I – DESREGULAMENTAÇÃO

No secular temos várias definições de desregulamentação: flexibilização, eliminação das regras, das normas para qualquer instituição ou corpo coletivo; eliminação de disposições de governo que normatizam a execução de uma lei.

Tudo o que surge em épocas próprias de mudanças sociais, como a que ocorreu nos anos sessentas, atinge todos os segmentos humanos e ronda as muralhas protetoras da doutrina bíblica.

Portanto na Teologia essa ameaça parte da absorção do que está em voga, no meio e, de forma imperceptível é assimilado, a exemplo de tantos modismos. Então, o grande risco é a exclusão da observação de regras básicas, com respeito à doutrina cristã, que acabam maquiadas, não observadas ou excluídas.

Exemplo clássico está na alteração do texto constitucional – algo ‘sagrado’ para a preservação dos direitos e deveres dos cidadãos. Recentemente o STF transgrediu todas as regras e alterou o texto constitucional, que somente o Congresso, em reunião específica e para tal, poderia fazê-lo. No Estado de Direito é uma ação condenável, além de antidemocrática. Todos e alinhados de forma notória desconstruíram o texto constitucional para uma interpretação totalmente descabida.

Essa forma vem sendo construída desde o Iluminismo, a partir da ênfase à crítica, pelo uso da razão, para conter abusos do Absolutismo evocado pelos reis

“E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores” (Lc 22.25).

Porém, essa desconstrução tem endereço certo, pois o Absolutismo evocado pelos reis, com abuso pela deificação humana, tinha como base a interpretação de acomodação às circunstâncias da Palavra, quando trata da submissão à autoridade humana:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm 13.1-7).
 

Não obstante “Deus ser a única e verdadeira fonte da autoridade, donde segue para todos o dever de consciência de obedecer às autoridades legítimas, ainda que pagãs (…). A autoridade é ministro de Deus, ou seja, representante de Deus, instrumento usado por Deus para o bem público – a espada era para os romanos o símbolo do poder supremo de vida e morte, donde a expressão técnica ‘jus gladii’” (Novo Testamento, Tradução dos textos originais, com notas, dirigida pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma 1967 by Edições Paulinas – São Paulo).

Por outro lado, apóstolo Paulo parece demonstrar preocupação em função de o entusiasmo de crentes com a cidadania celestial já assumida. Assim, a liberdade em Cristo, lhes facultava a não necessidade de submeter-se à autoridade humana. “Ele parece ter em mente uma situação específica. Seu vocabulário grego (por exemplo, diákonos, no v4 e leitóurgous no v6) é o vocabulário da administração civil helenística. A palavra traduzida ‘a serviço’ no v4 e ‘encarregados’ no v6 descreve os ocupantes de cargos civis com quem as pessoas comuns têm contato diário (…). Seu argumento é que Deus ordenou toda a criação e espera ordem também na comunidade política. Assim, seu imperativo ‘Faze o bem…’ significa assegurai-vos de que vossa conduta política seja correta, apropriada, adequada” (Comentário Bíblico, vol. 3, Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse, 3ª edição, set-2001, Edições Loyola, São Paulo, 1999).
“Deus instituiu o governo, porque, neste mundo caído, precisamos de leis para nos proteger do caos e da desordem…”. Porém, “Quando o governo deixar de exercer a sua devida função, ele já não é ordenado por Deus, nem está cumprindo com o seu propósito. Quando, por exemplo, o estado exige algo contrário à Palavra de Deus, o cristão deve obedecer a Deus, mais do que aos homens (At 5.29, cf Dn 3.16-18; 6.6-10)”, Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Antonio Gilberto, Versão Almeida Revista e Corrigida, Rio de Janeiro, CPAD, 1995.

Por outro lado, quando se retira a autoridade de domínio e alcance social, implanta-se a anarquia ou sua proximidade, como ocorrera com Israel:

“Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25).

O extremo pendeu para o outro lado, e também passou a destruir referências e domínios da cultura judaico-cristã: do Ser Supremo, Criador de todas as coisas; que julgará o homem por suas atitudes, boas ou maus, com galardão aos bons e condenação aos ruins.

Por fim, o homem passou a ser contato como ser tríplice quanto ao gênero – uma possível terceira via humana. Pior é que caímos no engodo da discussão de posições, quanto ao assunto. Criou-se a definição hetero em oposição ao homossexual. De forma despercebida o vocábulo rendeu e passou de forma sorrateira entre todos. Agora não se discute sexualidade humana sem tais vocábulos à mesa.

Ocorre que o homem – o ser criado pelo Senhor, conforme se estabelece na própria natureza, tanto humana quanto animal – macho e fêmea:

Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados” (Gn 5.2).

Portanto, não existe homem hetero, mas homem, composto dos gêneros macho e fêmea!

Tudo isso é atestado pelo profeta Daniel – o Apocalipse do Velho Testamento – quando retrata acontecimentos do Fim e mostra essa investida para a Desconstrução, tanto na adoração quanto na alteração da natureza humana:

“E não terá respeito ao Deus de seus pais, nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a deus algum, porque sobre tudo se engrandecerá” (Dn 11.37).

É isso que eu tomo como Desconstrução. Corrobora com essa mesma indicação profética, o texto de Paulo, o apóstolo: 

Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. (…) E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2Ts 2.3-12).

II – DESCONSTRUÇÃO

desconstrução é um conceito do judeu Jaques Derridá e consiste na crítica de pressupostos dos conceitos filosóficos, a partir do pressuposto que filosofia é o estudo das questões fundamentais relacionadas à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

A noção de desconstrução surge pela primeira vez em 1962. Embora não tenha a ideia de destruição, ela busca a desmontagem, decomposição dos elementos da escrita. A desconstrução serve nomeadamente para descobrir partes do texto que estão dissimuladas e que interditam certas condutas. Esta metodologia de análise centra-se apenas nos textos.

Derrida cria que as formações culturais e intelectuais humanas deveriam sofrer uma reinterpretação como elemento fundante de um novo conhecimento: “Não existem fatos, apenas interpretações”, mas fere a estrutura canônica.

A aplicação da Desconstrução acaba como ameaça ao verdadeiro, pois ‘constrói’ o que convencionou ‘leituras possíveis, mas não a leitura correta’. A famosa frase ‘A linguagem se cria e cria mundos’, aponta perigosamente para a contingência dogmática do ‘Ser’ e do ‘Significado’. Isso quer dizer que os textos corrompem seus significados tradicionais, criam novos contextos e permitem novas leituras, em um processo contínuo e vertiginoso (WKP, 2008).

Dentro da ideia de desconstrução e da releitura, temos no Direito a Teoria Tridimensional do jurista Miguel Reale, em que o crime deve ser ‘amenizado’ pela relatividade, a partir do Fato, do Valor, e da Norma.

Ao escrever sobre Steve Jobs, o célebre inventor digital, Arnaldo Jabor, em Steve Jobs criou uma ‘ciência alegre’) diz o seguinte: “Steve Jobs, filho da contracultura, da arte crítica, de Dylan e Picasso, do LSD que o ‘descaretizou’, criou uma espécie de filosofia prática, ‘de mercado’, indutiva, para além de explicações genéricas, de grandes narrativas universais”, e ainda: “Ele nos ensinou a transgressão contra uma sociedade conformista e obediente… Pense diferente! Meus computadores são para os rebeldes, loucos e desajustados”. A Cidade, C-3, 11 out. 2011.

No contexto teológico-cristão acontece quando o homem abandona os padrões divinos e fazem o que julgam certo, como temos registrado em Neemias:

Porém se obstinaram, e se rebelaram contra ti, e lançaram a tua lei para trás das suas costas, e mataram os teus profetas, que protestavam contra eles, para que voltassem para ti; assim fizeram grandes abominações” (Ne 9.26).

Usam como argumentação caminhos parecidos, semelhantes, mas não iguais, às vezes de forma consciente ou engodados pelo Inimigo:

Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12).

Neste perfil está a identidade humanista, em que o homem figura como o centro de todas as coisas e estabelece o que deve ser verdadeiro e falso e a convivência ‘harmoniosa’ entre o bem e o mau: energias negativas e energias positivas, que se harmonizam para o equilíbrio humano. Essa filosofia oriental fora adotada por sociólogos, como no caso do ex-presidente FHC. Ele chegou a elogiar a prática do espiritismo, por meio da umbanda, por causa dessa busca entre seus seguidores. Hoje, esse mesmo homem, quer que se discuta a legalização do uso da maconha ou sua discriminalização.

Judas teve postura semelhante ao propor que o perfume usado pela mulher, para preparar o Senhor para a sua morte, fosse vendido e o dinheiro distribuído aos pobres:

“Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento. Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?” (Jo 12.3,5).

Os 300 denários (dinheiros) equivalia a 300 dias de trabalho de um diarista (jornaleiro), quase um ano de trabalho. A argumentação de Judas é convincente do ponto de vista humanista, sem considerar a crítica a essa posição, conforme se vê:

Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (Jo 12.6).

Reintepretação do texto

O que o filósofo judeu expõe o Opositor usou desde a criação do homem. Obvio não com a mesma busca. Suas meias-verdades (mentiras) iniciaram com a tentativa de desconstrução do texto sagrado:

1) Vossa morte não está marcada;

2) Vossos olhos se abrirão;

3) Sereis como deuses (domínio do bem e do mau).

– Certamente não morrereis!, indica o infinitivo absoluto (“Não, não morrereis; não morrereis!”). A serpente nega a Palavra e sua validade.

Na Tentação no Deserto (Lc 4). A primeira tentativa diz respeito à sustentação humana – o pão. Transformar pedra em pão, para o alimento do corpo humano, pois Jesus teve fome. O Diabo usou petros (Pedro), que indica pedra solta, uma pedra qualquer, pois a Igreja do Senhor é constituída de ‘pedras vivas’ (1Pd 2.5), do original grego lithoi zontes, a indicar uma pedra lavrada, ajustada para toda a ‘boa obra’.

“Nem só de pão vive o homem” (Dt 8.3);
“Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram” (Jo 8.49).

Temos aqui uma desconstrução, ou seja, um emprego que desvirtua o propósito do espiritual para um elemento a serviço do temporal e meramente humano.

Porém, Jesus dá início ao seu ministério de forma ofensiva, corajosa, definitiva e decisiva (Mt 16.18).

Deixa a Casa do Pai (Jo 1.1) e segue para o deserto (morada de demônios), região inculta, selvagem e perigosa (Is 13.21). Embora pudesse tomar iniciativas próprias, o Senhor esperou ser conduzido, transportado, levado, guiado, pelo Espírito Santo. Não cheio de si, mas do Espírito, fora “conduzido pelo Espírito ao deserto”.

E quando isso ocorre não há riscos de oferecer culto à Serpente, pois no primeiro século AC, em Canaã, era associada ao culto de fertilidade (multiplicação):

E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lc 4.5-7).

Estava no Pináculo do Templo, vértice da torre, no ângulo sudeste do Templo, parte mais alta do edifício. Considera-se ainda Jerusalém situar-se em um monte, portanto em destaque. De lá descem para Jericó…

Momento em que os olhos crescem para dar lugar à ambição, poder e riqueza, quando a soberba se une à falsidade e dá lugar à idolatria ou em sua forma ‘narcisa’, como se vê no meio evangélico.

Portanto, não se envolva com serpentes, pois a serpente está despida de escrúpulos!

Em Gênesis, a serpente estava nua (Gn 3.1). Os termos hebraicos a indicar nua e astuta estão em proximidade (arum e arumim). Até hoje, mostrar-se nu indica pessoa desprovida de confiabilidade.

Mas a Palavra é estabelecida para a ‘reconstrução’ humana (gerar novamente, a partir da semente divina, cf 1Pd 1.3).

“E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros” (Lc 8.27).

Antes nu e a morar em cemitérios, o homem aparece vestido e o Senhor diz-lhe: “Volte para a tua casa”. Casa é o lar (de lareira) onde há calor, união, unidade.

Talvez aquele homem fosse budista em que a salvação se realiza pelo sofrimento.

Pátio dos Gentios

Lá no Templo, no Pátio dos Gentios, alguns judeus vendiam o que era necessário ao sacrifício, para comodidade dos adoradores.

Enquanto os sacerdotes vistoriavam as ovelhas, à moda dos ‘nossos detrans’, deixando passar muitas falhas, insuportáveis pelo Senhor, o sistema de câmbio, também lucrava. Os judeus não podiam efetuar seus resgates, com moeda gentílica, como o denário ou estáter (dinheiro judeu e grego), mas precisavam trocar por siclos, o dinheiro judeu, o único aceito pelo Templo.

Operando na ilegalidade fizeram da Casa do Pai um covil de ladrões, em outra tradução “fizeram dela espelunca de ladrões”.

Tudo estava regulamentado na Lei!

Quanto os judeus criam 614 preceitos, como forma de se cumprir a Lei, também criam barreiras, com a desconstrução do divino para a forma humana.

É assim que muitos conseguem, pois o amor ágape é amor abnegado e sacrificial, o 11º Mandamento, conforme João 13.35.35. Ele destrói todas essas barreiras e leva o homem desnudar a sua alma diante do Senhor, fazendo-se criança e não deuses, como tentara o Diabo, construindo a Síndrome de Adão.

Simpósio Teológico da Etadecarp (Escola de Teologia da AD em Ribeirão Preto), em 22 de outubro de 2011. 

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A festa em comemoração a colheita dos primeiros grãos, quando uma comunidade patriarcal se reunia, uniu-se a da mudança empreendida pelos criadores de cabras e ovelhas, ao fim das condições de pastoreio em determinada região, para dar lugar à Páscoa. Na primeira, comia-se do fruto da terra, em especial o trigo e, na segunda, cordeiros eram oferecidos durante a despedida de determinado grupo, rumo a lugares mais promissores e férteis.

Ainda que não tenha a mesma identidade da cerimônia da Velha Aliança, a Ceia do Senhor observa valores semelhantes à Festa dos Pães Asmos: Comemoração de nova perspectiva, sob a ótica divina; saída, renascimento.

Páscoa quer dizer passagem (do Egito para a Terra Prometida), comemorada com cordeiro assado e ervas amargas, símbolos da Redenção e dos tempos amargos no Egito.

Realizada entre o pôr-do-sol e a meia noite, na ceia da Páscoa comia-se um cordeiro macho, solteiro, sem nenhum defeito, com mais de 8 dias e menos de 1 ano. Os participantes deveriam ser em número mínimo de 10 e o máximo de 20. A reunião deveria ser presidida pelo chefe do clã ou família ou ainda por seu representante legal.

Sem o fermento do pecado

Comido durante toda a Páscoa, no período de sete dias, o pão não podia conter fermento, pois este elemento químico simboliza o pecado, por causa da fermentação. Diferente da Páscoa, cerimônia específica dos judeus, os elementos da Ceia são o pão, que tipifica o Corpo de Cristo e o suco da vide, símbolo de seu sangue. Paulo ensina ainda que o pão não deve conter fermento, por este simbolizar a contenda. “Nenhuma oferta de manjares será feita com fermento”, Lv 2.11, pois “Um pouco de fermento leveda a massa”, 1Co 5.6-8 e Gl 5.9.

Portanto o pão tradicionalmente usado no tempo de Jesus era do tipo sírio. Por não conter fermento não cresce. É um pão em forma de bolacha, de massa fina, sem miolo e chato. A peça era “rasgada” pelo líder da reunião e seus pedaços divididos entre os membros do Corpo – a igreja, como símbolo da comunhão (koinonia), conforme João 17.21-23; Efésios 4.3-4 e Colossenses 1.18-23.

A Ceia supera o Natal, o Ano Novo, a Páscoa judaica…

Instituída por Jesus Cristo, conforme Mateus 26.26-30, a Ceia do Senhor é a festa cristã de significado mais abrangente e mais importante para os cristãos. Indica a vitória de Cristo sobre a morte, a passagem do velho homem para a Vida Eterna, pela ressurreição e ainda indica a união ao Corpo (1Pd 1.3-4,23; 2.9-10 ). Embora semelhante não é igual à Páscoa da (Velha) Aliança de Deus com Moisés. Aquela aboliu esta: “Porque Cristo, a nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 7.5), pois Jesus é o próprio “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ele é a nossa passagem (da existência temporal para a Vida Eterna), que inaugurou o Novo Testamento ou a Dispensação da Graça.

Com a morte do Testador, o Testamento (novo) passou a ter valor, a outorgar-nos o direito de redenção e, portanto, de filiação, a partir da adoção como filhos do Pai (Rm 8.14-17 e Ef 1.5), em Cristo: “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?”, Hb 9.15-17 (Ver ainda Hebreus 8.6; 9.11-15; 10.5-12; 12.24).

Memorial e não cerimonial

Ceia é memorial (“Em memória do Senhor Jesus”), com visão geral 1) do passado (“Anunciais a morte de Cristo”); 2) do presente (“em memória de mim”); e 3) do futuro (“…até que venhas”, 1Co11.26). Nela nos lembramos de toda a obra expiatória de Cristo, desde sua revelação, como filho da semente da mulher – o primeiro milagre (Gl 4.4) –; seu ministério, julgamento, condenação, morte (Gl 3.13) e ressurreição (Gl 1.1), ascensão aos Céus e glorificação (Ef 1.20-23), com vistas à sua Volta – motivos de muita alegria!

Não há de se lembrar somente do seu sacrifício, mas de sua obra como um todo, inclusive de sua manifestação no porvir. Pode-se lembrar Dele conforme retrata Isaías 53 – “parecer e sem formosura”, “homem de dores”… o que nos leva às lágrimas,  porém, não se esqueça Dele em sua manifestação em glória, relatada por João no Apocalipse, como seu rosto resplandecente como o Sol quando na sua força resplandece” (Ap 1.9-20).

“O que deveria ser uma ocasião para edificação mútua tornou-se uma ocasião destrutiva para a unidade da Igreja. Paulo foi informado sobre as divisões (schisma) que havia entre as pessoas quando se reuniam como uma igreja” (Comentário Bíblico Pentecostal-CPAD).

Os ricos, embora minoria, guarneciam a ceia e, portanto, tomavam “antecipadamente a sua própria ceia”, v21, e deixavam pouco para os pobres e escravos, a maioria. Por isso Paulo exorta os coríntios por causa da desqualificação evidente, e diz: “vos ajunteis, não para melhor, senão para pior” (v17).

Fraqueza e doença

Quando recebemos Jesus todos os nossos pecados são perdoados (1Co 5.17 e Hb 10.14-18). Os pecados cometidos a partir daí, são tratados de acordo com a gravidade de cada um. Se necessário, com disciplina, conforme vemos em Hebreus 12.1-11. E não devem ser protelados a ponto de criar “raiz de amargura” (Hb 12.14-15). O apóstolo João aconselha o crente a confessar os seus pecados ao Senhor, pois Ele é o nosso advogado junto ao Pai (1Jo 1.8-10; 2.1-2).

O pecado cria obstáculos à comunhão. Daí o costume dos essênios de banharem-se antes de cada refeição. Antes de sentarem-se à mesa, todos os que estavam em santidade, deveriam passar pelo ritual do ‘batismo’. Eles desciam por uma pequena escada até o centro de uma piscina, onde se banhavam. Somente a partir de então estariam aptos a sentar à mesa. Os que não estavam em santificação, não se banhavam e não se banhando, também não comiam. Isto é, não participavam da companhia dos outros e companhia é sinônimo de comunhão (cf Jo 17.20-23), pois quer dizer com (junto) panis (pão).

Olhar para dentro de si e não para os lados

Para a Ceia, cada um deve examinar “a si mesmo” (1Co 11.28), passagem que quer dizer “testar como a metais” e “assim coma deste pão, e beba deste cálice”. O examinar equivale a limpar-se, analisar pendengas, dirimir situações adversas, antes de sentar-se à mesa, pois quanto à indignidade (“o que come e bebe indignamente”, v29), leva-nos a refletir sobre a participação indiferente e irreverente, sem qualquer intenção de abandonar os pecados conhecidos (Bíblia de Estudo Pentecostal-CPAD).

O versículo 30 de 1Coríntios ao tratar dos “fracos, doentes e muitos que dormem”, relata o membro que não mantém contato com o corpo e, portanto, não recebe Dele os anticorpos necessários para dar-lhe saúde e vida (espiritual). Quando isso acontece registra-se anomalia, como temos visto hoje em igrejas de nome cristã, tão-somente.

O auto-exame deve apresentar o resultado que traduza renúncia, com a morte do homem velho para o renascimento do novo ser em Cristo, conforme João 12.24. A morte do grão de trigo indica a desintegralização para que a integralização à “natureza divina”, o Corpo de Cristo, possa ocorrer (2Pd 1.4). Se o grão não morrer não haverá novo corpo. Para crescer em representação e importância, o grão precisa passar por transformação, a partir da renúncia total de si mesmo. Ele deve ser triturada até virar farinha. Em seguida, misturada com água e sal torna-se uma massa homogenia. A união dos elementos retrata uma única peça, sem nem mesmo resquício dos elementos. Agora assada, ela torna-se pão.

Ao pé da letra

As passagens referentes a Ceia do Senhor, estão em Mateus 26.26-29; Marcos 14.22-25; Lucas 22.14-20, e a mais conhecida e usada está em 1Coríntios 11.23-32. Os versículos posteriores (33 e 34) fazem parte de exortação sobre uma questão existente na época, na igreja em Corinto, e podem, perfeitamente, ficar fora da oficialização da Ceia.

“O comei ou bebei dele todos” não quer dizer que tem que ser a mesma peça de pão ou o mesmo cálice, mas que todos (os membros do Corpo) devem Dele participar. Cheguei a servir o cálice em uma única taça, pois cria-se que todos deveriam “tomar de um mesmo cálice”.

Também o esperai uns pelos outros não diz respeito a comerem de uma só vez, todos em um único momento, mas à participação de todos no referido memorial, contra a prática em Corinto de ricos, que chegavam antes e comiam antes de os pobres e camponeses. Portanto o esperai uns pelos outros, era uma exortação aos crentes de Corinto, pois a Ceia do Senhor indica unidade em um único Corpo.

Transubstanciação

Quando a Bíblia relata as palavras do Senhor, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.54), não indica literalidade. O próprio Senhor também tomou e comeu os mesmos elementos dados aos discípulos – o pão e o fruto da vide. Portanto, o texto não pode ser tomado de forma literal. Isto é o que faziam os romanos, a ponto de acusarem os cristãos de serem antropófagos, uma vez que os cultos eram secretos em função da própria perseguição de Roma.

Portanto, tanto Paulo em 1Coríntios 11, quanto ao Senhor em Mateus 26, não diz este é o meu corpo, mas isto é o meu corpo: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento…” (Mt 26.28). O segredo da comunhão está no crente, pela unidade do Corpo, e não nos elementos, para muitos tidos como místicos.

Quem deve participar?

Para participar da Ceia do Senhor é necessário estar em comunhão com o Corpo de Cristo (a Igreja), ser participante e parte dele. Da Páscoa ficavam de fora os escravos, assalariados e estrangeiros. Somente os circuncidados dela participavam. Da mesma forma, a Ceia, que se assemelha à Páscoa da Nova Aliança, conta somente com a participação de membros da Igreja (o Corpo de Cristo).

A contaminação dos gentios romanos

A presença do Senhor diante de Pilatos indica alguns itens interessantes. Os judeus estavam preocupados. Eles não queriam perder a data e horário da Páscoa. Por isso, durante a condenação do Senhor, eles o apresentaram a Pilatos pela manhã. Queriam tanto dar andamento ao julgamento, como terem o tempo livre para a comemoração entre o final do dia e início do seguinte – o sábado (entre o pôr-do-sol e a meia noite).

Como também deveriam manter-se puros, eles se recusaram a entrar no Pretório para a audiência com Pilatos, justamente para não terem contato com um gentio e perderem a pureza: “Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa”. Por isso a Bíblia diz: “Então Pilatos saiu para fora” (v29). Essa proibição, de não se contaminar (com os gentios) durava os 7 dias da Páscoa.

Moedas tomadas por Judas

As 30 moedas usadas para ‘negociar’ Jesus por Judas equivaliam ao valor que a Lei fixava para a indenização de escravo alheio. Eram de prata com os nomes de siclo, no hebraico e estáter, no grego.

As moedas da época eram o siclo, moeda oficial em Israel até hoje (Shequel); o denário, a moeda romana, daí dinheiro, também de prata, pesava 3,90g e levava a efígie e inscrição do imperador. A dracma – cogitada como a possível nova moeda grega – pesava pouco mais de 4g, enquanto o talento valia 6 mil dracmas. Havia ainda o asse, moeda também romana, mas de cobre, com cerca de 12g, enquanto o ceitil, valor derivado do asse, equivalia a um quarto do mesmo.

Dez Conselhos Práticos

1)      A reunião da Ceia deve ser especial, com liturgia própria sem dividir o tempo com outra atividade, senão a própria Santa Ceia.

2)      Não tenha pressa para servir ou participar.

3)      Os cálices depois de usados podem ser recolhidos por outra pessoa. Um serve e outro recolhe os cálices na tampa da bandeja, para que todos participem com tranquilidade e sem pressa.

4)      Daí a importância de o culto ser específico – somente para a Ceia –, pois é a maior festa cristã.

5)      Na questão higiene todos os ministrantes que cortarão o pão, devem lavar as mãos, com sabão neutro, para não pegar cheiro no pão. Não toque em mais nada, nem mesmo na Bíblia; não passe a mão no rosto, nos cabelos…, não toque em lenço etc.

6)      O pão deve ser picado em tamanho médio e não tão pequeno. Deve-se notar a quantidade de membros e calcular o tamanho dos pedaços. Mesmo assim, não se deve exagerar em cortar minúsculos pedaços.

7)      Depois de os diáconos servirem devem postar-se em frente ao púlpito, em linha, para ser servidos por um ministro.

8)      Evite servir a Ceia posteriormente a pessoas que não estiveram no culto. Se possível, em caso de dificuldades, procure conduzir tais pessoas à reunião, a não ser em caso extremo. A Ceia indica comunhão, unidade e, portanto, todos devem estar juntos e num mesmo momento. Não tem outro significado, senão a comunhão e a unidade do Corpo.

9)      Lembre-se que o pão e o cálice não se transformam em corpo e sangue literais de Cristo. Portanto, não ore a pedir que isso se realize. Os elementos da Ceia representam o Corpo de Cristo. Fosse o próprio corpo, o Senhor não teria dele participado, conforme Mateus 26.

10)  Apresente-os ao Senhor em oração, pois a consagração e a santidade devem se achar em cada membro. A partir daí, os elementos são santificados – no ato da própria participação.

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