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Posts Tagged ‘Doutrina’

TEXTO BÍBLICO

‘Não tenha medo do que você está prestes a sofrer.

Saibam que o diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los,

e vocês sofrerão perseguição durante dez dias.

Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida’, Ap 2.10 (NVI).

INTRODUÇÃO

Temos atualmente grande desvirtuamento dos desígnios da Igreja do SENHOR, por meio de ações inovadoras (não renovadoras) de igrejas-instituições. São quebra de paradigmas a mudar conceitos e a exigir postura não alinhada às doutrinas de essência bíblica, preestabelecidas pelos apóstolos (cf Atos 2.42). É o verdadeiro não ao ‘perseverar na doutrina’, isto é, persistir, ser constante, permanecer ou conservar-se.

Alterações das bases, a afetar a doutrina – a base da Igreja -, ocasionam modismos. Estes evoluíram a partir do século 20, em especial com a consciência praticamente universal da busca pela prosperidade. Desde a Era Industrial, quando se passou a fabricar produtos em séries, o apelo pelo TER, ofuscou a busca pelo SER.

Não se importa mais em ser verdadeiro, honesto, ético e de caráter, mas ter algo como forma de troca (de prestígio, fama…). A celebridade deixou de ser importante, para dar lugar a simples famosos, não necessariamente célebres.

Muitos entram em grande impasse ao não conseguir seguir, alcançar o resultado satisfatório desse apelo e tornam-se cristãos doentes, mesmo dentro das igrejas. São pessoas que não conseguem participar de forma racional, e muito menos espiritual, do culto. São muitas vezes espiritualistas, mas não espirituais!

São crentes que, diante da pergunta:

– O que aconteceu ou o que está havendo?, simplesmente dizem:

– Acho que… ou

– Como você está?, alguém indagará, no que ele dirá:

– Vou ‘ino’ (hino da Harpa, do Cantor Cristão, Nacional…) ou

– Vou levando, isto é, deixa a vida me levar!

Levando decepções, surpresas desagradáveis,… como se estivesse sob o ímpeto de uma enxurrada.

Para as mais diferentes perguntas:

– Como está em casa, no trabalho, no casamento ou no namoro, nas finanças, na firmeza da Fé?…, a resposta é sempre a mesma! Sem nenhuma convicção, sinal de conversão real, de experiência com Cristo ou de reações próprias de cultos oferecidos por meio da razão (cf Rm 12.1-2).

PASTOR DE OVELHAS

CONTRASTE COM O NOVO HOMEM

São claras as definições bíblicas para a re-gene-ração humana, ou seja, gerado novamente, com nova genética (origem).

Essa trans-forma-ção, ainda conforme Romanos 12.2, a indicar: transportado para outra fôrma, por meio de nova origem, é implacável. No versículo 10, do mesmo capítulo (‘Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros’), apóstolo Paulo tenta eliminar o problema existente da Igreja romana, por causa da disputa entre judeus e gentios.

Os judeus, de volta a Roma, após terem sido expulsos pelo imperador, queriam dominar a igreja. Então Paulo enfatiza que o amor fraterno (de philia) entre os cristãos deveria eliminar fronteiras, etnias, classes sociais e cidadanias temporais. O original afirma que os cristãos deveriam amar como se fossem gerados pelo mesmo ventre, a mesma mãe, isto é, consanguíneos.

Quando entendemos isto, obviamente sob o uso da razão, torna-se fácil seguir em frente: ‘Quando alguém está unido com Cristo, é uma nova pessoa; acabou-se o que é velho, e o que é novo já veio’, 2Co 5.17 (TLH).

Temos ainda o versículo em João, que trata da origem dos que são gerados novamente, não por meio da conjunção carnal, da semente (sêmen) humana, mas pela Palavra (Lc 8.11), a semente divina: ‘Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus’, 1.13 (RC).

Portanto, quando o SENHOR se manifesta e arma a sua tenda, faz a sua morada entre nós (‘habitou entre nós’, Jo 1.14), tem-se a ideia do costume oriental de receber uma visita em casa e torná-la honrada e protegida, sem que alguém possa tocá-la, importuná-la.

Vemos este costume em Salmo 133, onde a honra ao hóspede nota-se pelo azeite sobre a cabeça. Também quando Ló recebe os anjos (Gn 19.1-8) e oferece suas filhas, em troca de não ser desonrado, por meio de incapacidade de ser bom anfitrião e dar total segurança a seus hóspedes.

Decisões para a Vida!

Mas para tal, é preciso tomar decisões definitivas a ponto de deixar o passado para trás, conforme Filipenses 3.10-16,20-21: ‘Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dos mortos. Não que já tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Pelo que todos quantos já somos perfeitos sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará. Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo… Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas’. Esta foi à postura de Rute, a moabita, com relação a sua sogra Noemi: ‘o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus’ (Rt 1.16-19).

Aos Gálatas, o apóstolo dos Gentios mostra claramente a necessidade de transformação de criatura a filho, ao usar, em parábola, a história de Abraão, a envolver os filhos da esposa Sara e da escrava Agar: ‘… e modo algum, o filho da escrava herdará com o filho da livre’ (Gl 4.30).

PROVA: GRANDE MOMENTO!

Quando o SENHOR antecipa à igreja o teste da prova, em algumas traduções sob o vocábulo ‘tentados’ (Ap 2.10), indica prova da lealdade do crente e, por fim, saber de sua opinião (doxologia, de doxa, glória; mais logia, palavra), isto é, a sua opinião dita, falada, declarada, descrita… sobre Deus.

O SENHOR nos leva ao deserto, tendo em vista que o velho homem não aguenta deserto. Somente o novo é levado à prova, pois não se põe remendo novo em tecido velho, lembra-se?! (Ef 4.24).

Também porque o velho homem está tipificado na mistura que subiu do Egito, para o deserto com Israel, denominada de ‘populacho’, justamente os que instigaram à rebeldia e ao pecado e, por consequência, à morte! Aqueles insuflaram o povo. A Palavra manda a não se insuflar com a bebida por causa da contenda, mas se insuflar (encher de vento) do Espírito!, o Sopro divino (Ef 5.18).

O objetivo do Deserto

‘E se lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto…, para te humilhar, para te tentar (provar), para saber o que estava no teu coração, se guardarias os meus mandamentos ou não’ e ‘… para te humilhar, e para te provar, e para, no fim, TE FAZER BEM’, Dt 8.2,16 (grifo meu)

Note a grandeza da prova divina, ao conduzir o crente ao deserto (a condução é feita pela ‘Viação Espírito Santo’ (‘e foi Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto’, Lc 4.1). O SENHOR o prova para saber o que está em sua alma (coração): Pensamento, Entendimento, Sentimento, Vontade: as Emoções, e a sua opinião sobre Ele. Você sairá do deserto exaltando-O?!).

Mesa farta no deserto!

Quando o salmos diz que ‘nada’ nos faltará, sob o domínio do Pastor, indica a presença também das dificuldades, embates, provas, lutas… Por isso, há referência de passagem pelo Vale da Morte, porém ‘Tu estás comigo’.

Nessa luta ferrenha do deserto, registra-se a bênção. Nele ocorre a mesa farta, nobre e gloriosa, na presença do(s) Inimigo(s), conforme Salmo 23. É lá também que a cabeça é ungida, e é lá ainda que aprendemos a ser ovelhas do Pastor, o SENHOR: dono, proprietário, dominador, pois a ovelha não tem garras e tampouco dentes caninos para caçar, pois todos os dias Ele leva-nos a ‘pastos verdejantes e a águas tranquilas’.

Após o teste, Ele coloca ‘uma porta aberta, e ninguém a pode fechar’; pois, mesmo ‘tendo pouca força, guardaste a minha Palavra e não negaste o meu Nome’, carta à Igreja Triunfante e vencedora, a Filadelphia, a Igreja do amor fraternal (philia) e, como creio, a Igreja do Arrebatamento!

CONCLUSÃO

Creia no milagre do deserto, pois a bênção não virá por completo antes dele! Antes de provar quem somos realmente ou a nossa convicção, por meio da opinião sobre Ele, para que ao crente liberal (generoso, pródigo), ‘ser-vos dado, boa medida, recalcada, sacudida e transbordante’ (Lc 6.38).

Boa medida é uma quantidade generosa;

recalcar é calçar novamente o conteúdo de uma saca de grãos, ou fazer pressão ao para abrir mais espaço e poder inserir o máximo de grãos;

sacudir é agitar com força em diversos sentidos, com a mesma intenção: abrir mais espaço para caber mais; e

transbordante é ter em excesso, repleto, a ponto de entornar (como diz o carioca), derramar (como diz o paulista); mais que o necessário.

Nesta experiência você vai descobrir que o SENHOR é poderoso (shaday) para fazer muito mais além do que podemos imaginar (Ef 3.20-21).

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Na última vez que produzimos comentários sobre a Dake (Bíblia de Estudo Dake) não focalizamos as discussões teológicas a partir de seus comentários. A discussão ocuparia grande espaço e, portanto, deve ocorrer separadamente e de forma gradativa. Dissemos da ousadia, coragem do pastor Finis Jennings Dake de expor seus estudos, comentários ao público, embora controversos, isso já aos seus 65 anos de idade.

Penso que Dake escreveu seus comentários, que acabaram rendendo-lhe essa obra, a partir de uma visão pessoal, portanto com fatos próprios da mente humana.

Não obstante a Bíblia Dake tenha se desdobrada em uma edição acompanhada de inúmeros outros produtos, não tem a assinatura de uma associação cristã, denominação, escola ou linha teológica etc. Ela representa o resultado do trabalho individual, de um homem aplicado, em busca de profundidade daquilo que não havia unanimidade do conhecimento humano. Por trás dessa obra está a Dake Bible Sales, Inc., P. O., da Geórgia (EUA), que a editou em 1963 – a editora da Dake. Neste ano, ela deve ser editada em espanhol, ao que tudo indica, sem cortes.

No Brasil a Bíblia de Estudo Dake fora incorporada pelas editoras CPAD e Atos, tradutora da obra. O contrato teria chegado ao Brasil por meio da Atos, editora independente e que nada tem que ver com tais e possíveis contrariedades,  enquanto a CPAD é regida pelo concílio da AD e, portanto, fiscalizada por meio de conselhos.

Por ocasião da pesquisa e probabilidade de seu lançamento e alertado pela presença do que foi chamado de heresias, nos comentários dessa Bíblia, por inúmeras vezes, o diretor da Casa, pediu para que as questões mais “agressivas” e heresias fossem retiradas, mas insistiu em sua edição. Por uma, duas ou três vezes, ouvi tais orientações (sem ser consultado, pois não fazia parte do Departamento em questão, não obstante ter expressado minha contrariedade, em cima dos comentários a colegas de trabalho, sobre as divergências, quando tive oportunidade).

Sei ainda que o Conselho de Doutrina não fora consultado, assim como ocorre com as Lições Bíblicas e a maioria das chamadas obras especiais – seria mais ou menos, decisões do ‘status’ assumido pelo diretor da Casa. A prepotência é tamanha que a obra leva a seguinte informação: “As notas e os comentários são de inteira responsabilidade da Casa Publicadora das Assembleias de Deus…”. Note que não existe nomes, conselhos, teólogos ou qualquer referência teológica da denominação. No que se lê Casa Publicadora das Assembleias de Deus, leia-se Ronaldo Rodrigues de Souza.

Preocupação do presidente da CGADB

Pastor José Wellington, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), manifestou sua preocupação com a dimensão do fato, em uma das últimas reuniões no Belenzinho, Grande São Paulo. O presidente fez comentários públicos sobre a situação gerada pela edição da Dake e que a mesma deveria ser repensada.

Tentar envolver o nome do pastor Antonio Gilberto, além de maldade é ainda uma forma de esquivar-se de responsabilidade e imposição da parte dominante. O mesmo ocorre quanto a funcionários, pois a Casa não funciona pelo sistema de unidade de negócios, mas em uma única unidade. Antes, ela detinha diretores e estes sim possuíam domínios de seus respectivos departamentos. A partir da atual gestão, a casa acabou com as diretorias, transformou-as em gerências e passou a ter somente um diretor.

‘Tá’ amarrado!

A questão é que todo nepotismo acaba traindo os que dele faz uso. Ao tomar essa iniciativa, sem as devidas e estatutárias normas, a Casa assinou contrato de edição da citada Bíblia com outra editora. E agora, o que fazer? Ocorre que seria bem mais simples fosse a Casa a única responsável pela edição da Bíblia. Mas não é tão simples assim…

Qual o investimento e prejuízo da Atos em caso de quebra de contrato? Quais são as imposições contratuais com a Atos? E o prejuízo moral, político e teológico? E a humilhação imposta ao assumir a trapalhada? Além disso, a Casa Publicadora tem milhares de clientes fora do círculo assembleiano, que nada tem que ver com o desencorpar, como resultante dessa barafunda!

E mais: a Casa vendeu mais de 100 mil exemplares dessa Bíblia em apenas 3 meses. Acho que nem mesmo a BEP chegou a esse índice. Foram 4 tiragens iniciais, a partir do final do ano, que ‘sumiram’ em passos rápidos! É só fazer as contas: some 100 mil exemplares a R$ 129,90, considerando o custo (no máximo) de R$ 29,90…

Discordâncias da Dakes (I)

Já nos primeiros versículos (Gn 1.1 e 2) o comentário de Dake remete para a Teoria de GAP, chamada de brecha (espaço, abertura), a partir da tradução de que a Terra tornou-se (e não era) sem forma e vazia (“E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2).

Realmente GAP deve ser visto ao pé da letra, pois caso seja esta a interpretação, fica entre os dois versículos a abertura, o buraco, uma janela cósmica, para se introduzir muitas teorias. Cabe nela até mesmo a Teoria da Evolução, a sociedade pré-adâmica, também, defendida por Dake, os bilhões de anos, defendidos e necessários à evolução natural dos seres, e assim por diante.

Lógico que Dake, em sua época, não possuía as informações que temos atualmente, dentre elas as que dizem respeito aos avanços científicos e que derrubam informações forjadas pelos defensores da evolução.

Dake toma o vocábulo era e o interpreta, a partir do hebraico hayah, como tornou-se, passou a ser, veio e aconteceu, e aí abre espaços então para um buraco sem fundo. Nele se encaixa uma outra criação (que a Bíblia teria esquecido de citar!?).

No comentário original da Bíblia, retirado pela CPAD, Dake fale em re-criar (replisc, no inglês), com a ideia de encher de novo, conforme a indicação contida no sistema refil. A interpretação indica um outro dilúvio – o Dilúvio de Lúcifer – que fez com que o cosmo ficasse envolto em água – o caos aquoso da Terra, por interferência do Espírito Opositor.

Na página 75, o comentário (3), logo na cabeça da página, diz “Encher a terra com homens, como ANTES, quando Lúcifer reinava”, relacionado a Gênesis 1.28 (o grifo é nosso). No comentário anterior (2), a Dake fala em “espécie humana”, mas na página 70, trata da “raça humana”, ideia que vai de encontro à evolução de espécies de animais (de raças). O homem não tem raça como os animais (raça de cavalo, de cachorro, de víboras…), mas foi feito único, a partir de Adão.

Minha apologia

O versículo 2 indica ainda a presença de uma poeira cósmica (“sem forma e vazia”). A Terra não possuía o formato visto depois, o globo terrestre, conforme nota Isaías: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra…”, Is 40.22. Portanto, os versículos 1 e 2 indicam a preparação do cenário da Criação. Já nos versos seguintes, até o quinto, após a criação da luz, temos o globo e a órbita terrestres.

“A terra, porém, estava (ou era) sem forma e vazia”, equivale afirmar que o que se via era uma poeira cósmica e o Criador prepara todo o cenário para estabelecer a própria Criação, que se vê na sequência do texto. Outros comentários dão conta de que a imagem descrita no versículo 2 indica a existência de uma massa informe, em meio ao caos aquoso.

Embora o versículo 2 afirme que “a terra era sem forma e vazia…”, o que leva muitos a estruturar a existência de grande separação entre os versículos 1 e 2, Isaías afirma: “Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia,  mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o Senhor e não há outro”, 45.18 (o grifo é nosso).

A interpretação mais discutida para explicar o espaço entre os dois versículos diz respeito à destruição da Terra, após a queda do Diabo. Isaías retrata a expulsão de Lúcifer (ou Lucifer, sem acento), que traduzido é “anjo de luz”, no capítulo 14.12-20 e Ezequiel 28.11-19. Ezequiel profetiza: “por terra te lancei”, 28.17 e Isaías diz: “porque destruíste a terra”, 14.20. Daí a explicação do versículo 2: “A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.

Neste ponto muitos estudiosos não concordam mais com a interpretação desta parte de Isaías e Ezequiel como sendo uma alusão à queda de Satanás, pois o contexto histórico destas duas passagens diz respeito a reis e nações. Alguns acreditam que Ezequiel 28.11-19 fala do rei de Tiro e Isaías 14.12-15 ao rei da Babilônia. Os dois contextos mostram que as profecias se direcionavam as nações (Sidom, Egito, Moabe, Edom e outras). Da mesma forma Gêneses 1 e 2 é interpretada, segundo Élson Santana, como retratando um momento histórico de Israel quando estavam na Babilônia.

Na verdade, a interpretação mais provável é de que está implícita entre os versos 1 e 2 a narrativa natural da Criação. Desde o primeiro versículo até o último está contida a Criação de todas as coisas, numa sequência natural e sem interrupção.

Teoria de GAP é, primeiramente, uma hipótese (teoria) e GAP pode ser buraco, abertura, intervalo, também chamado de brecha. Indica a possibilidade de ter havido um espaço entre os versículos 1 e 2 de Gênesis 1.

Pastor Antonio Gilberto fala a O balido

Pastor Gilberto

Em entrevista ao blog O Balido, o respeitado mestre, pastor Antonio Gilberto fala de sua participação por ocasião da publicação da Bíblia Dake, pela CPAD. “Já de início, fiquei sabendo que ele está impedido de se pronunciar sobre o assunto, no que concerne a determinados aspectos da publicação da polêmica obra”, escreveu pastor Judson, pois “O Conselho da Casa se reuniu e bloqueou o assunto”.

Pastor Antonio Gilberto disse o seguinte: “Há seis anos, quando a Casa estudou a possibilidade de publicá-la em português, o projeto foi enviado para mim, como consultor, para eu dar um parecer. Eu me senti tranquilo, porque conhecia tudo sobre a Dake. Então dei o meu parecer. Eu disse: ‘Olha, a Bíblia é um manancial. É uma riqueza para estudantes, para pregadores, para pastores, para escritores. Mas faço algumas ressalvas, porque nela há alguns pensamentos intelectualistas, quer dizer, produto do cérebro humano. Há também alguns pensamentos racionalistas, da razão humana. Há também uma porção de pensamentos que são filosóficos. Mas o irmão Dake é falecido, a gente não pode conversar com ele e perguntar por que ele fez aquilo. Então sugiro que a CPAD obtenha licença para isentar a edição brasileira nesses pontos’. E, de fato, alguma coisa foi feita, mas, por razões que desconheço, passaram outras.”

Fotos: Divulgação
Artigo atualizado em 24/02/2010 às 23h15

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Batismo da AD em Juazeiro (PI), em 2008

Quando se trata de questões que envolvem a Igreja do Senhor e ainda tentativas de alterar rumos já delineados, todo cuidado é pouco. Mais ainda que cuidado, devemos buscar o mesmo zelo que incomodava Jesus, conforme vemos no caso dos cambistas do Templo. Nós assembleianos recebemos críticas dos tradicionais por nossa atuação justamente na forma litúrgica do batismo e da Ceia: “Batismo e a Ceia do Senhor são praticados como ordenanças bíblicas, mas quase sempre jogados a uma pequena parte do culto”. Dizem que priorizamos em excesso a manifestação do Espírito Santo tanto que o batismo passa a ser desprezível, ou secundário.

Todos são pastores?

Uma pessoa para batizar precisa, ao menos, saber o que dizer no momento do batismo; por que estaria batizando, quem, em que circunstância etc. Embora o Senhor abra espaço para todos, não significa dizer que todos são aptos.

Quando em Efésios a Bíblia diz que deu uns para… esta preposição enfatiza um propósito específico, um fim, objetivo, para cada um dos chamados – dentre todos – para uma missão específica dentro do Corpo de Cristo.

A Grande Comissão foi nomeada para pregar a Palavra, mas lembre-se que o Corpo de Cristo tem seus membros bem ajustados, assim como o corpo humano. O corpo é formado pelo conjunto de todos os membros, mas não são todos que falam, que andam, que cheiram, porém, em cada ação separada em si, temos o resultado milagroso da indicação de um ser único, o indivíduo.

Conforme a Bíblia Dake, editada pela CPAD, também com notas divorciadas da doutrina bíblica e esboçada pela Assembléia de Deus, o comentário de Mateus 28.9-20, corrobora com a nossa tese: “Nós temos os mesmos direitos, privilégios, promessas e provisão de equipamentos para o serviço, pelo que todos deveriam ajudar de todas as formas possíveis na evangelização do mundo, de acordo com as nossas capacidades e o direcionamento de Deus” (Grifo nosso).

A igreja não é só organismo (espiritual), mas também organização – a igreja visível (enquanto formada por humanos, “neste tabernáculo”). Ela tem estrutura legal, funcional e hierárquica, conforme se viu no Concílio de Atos 15. Todos (somente os líderes) falaram, argumentaram, mas Tiago, irmão do Senhor, teve a proeminência. A Igreja toda esteve no evento? Não!

Por conta disso, há necessidade de normas, regras que dão corpo às doutrinas da Igreja. Imagine você se cada crente saísse por aí a batizando pessoas, de qualquer jeito, forma, em qualquer lugar, por imersão, aspersão, por simbologia, pela internet etc?!

Ora, é obvio que regras podem ser contidas de exceções; que a oportunidade é criada pela circunstância; que nestes casos devem existir orientações para satisfazer tais urgências, sem que preceitos bíblicos sejam agredidos, sem que a obra sofra descontinuidade. Aliás, a Assembleia de Deus tem sido alvo de teses científicas, quando se diz da valorização a leigos. Esse é um dos fatos que aguçou a mudança de rumo da Igreja Católica Romana, provocou a implantação de determinadas aberturas conhecidas e até o plágio.

No caso bíblico, que menciona Filipe, não há falha, pois o mesmo era um diácono (e com atuação de evangelista). Nas Assembléias de Deus, por exemplo, não temos registro de leigos batizando, mas sim de ministros (evangelistas) autorizados e não consagrados como tais.

Exemplo dentro de casa

Pastor José Wellington, presidente da CGADB, ao enfatizar o valor dos costumes assumidos pelas Assembléias de Deus no Brasil, diz de uma máxima conhecida na área de Jurisprudência, quando afirma que costumes dão origem à normas e estas são transformadas em leis.

Veja que a Casa Publicadoras das Assembléias de Deus teve uma mudança de filosofia no que tange à sua administração, com respaldo bíblico. Isso ocorreu quando pastor José Wellington resolveu ‘pôr cada um em seu lugar’. Em sua administração decidiu nomear uma pessoa da área administrativa para gerir a editora e não pastores, que devem se ocupar exclusivamente da obra eclesiástica. Isto é, cada um no seu dom, “… para que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade…” (Ef 4.1-2).

Batismo na AD/Belenzinho

“Hoje pela manhã, ultimo domingo do mês de setembro, foi realizado no templo sede da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo, Ministério do Belém, presidida pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, mais um grande batismo em águas.

Batismo realizado por pastores setoriais no Belenzinho

Na ocasião, a cerimônia de batismo foi presidida pelo próprio pastor da igreja, três equipes de pastores setoriais foram designadas para efetuarem o batismo (grifo nosso)…” (Blog do pastor José Wellington).

Imagine o quanto se poderia empreender em termos de espetáculo fosse alterado o rumo e muitos membros convocados para a realização do batismo? Seria uma oportunidade ímpar e com justificativas, em função do número e de sua abrangência!

Se você tem credenciais…

No caso em discussão, tenho-o à semelhança de um policial que dá o veículo oficial para um cidadão, com as características de uma pessoa honrada, de status e como parte de contrapartida, mesmo sem que o momento exigisse tal postura, por não constituir situação de extrema necessidade. Na circunstância, o mesmo daria conta do recado, e/ou por meio de outros presentes, com a mesma graduação.

O batismo não pode ser visto como algo corriqueiro, sem importância, comum, ordinário… Ao contrário, ao lado da Ceia do Senhor ele figura como Ordenança, algo de importância a todos os membros do Corpo. Não é alguma coisa como alguém diria:

– Quer experimentar para ver como é?! Venha, experimente!

É como se o piloto de um boieng convidasse um tripulante para experimentar pilotar o avião, a 10 mil metros de altura. Caso o piloto morra, desapareça, sofra algum tipo de impedimento e o co-piloto esteja, igualmente, impedido, seria racional alguém, de preferência com um mínimo de conhecimento, tentar evitar a queda do avião.

Na ausência da audição, as mãos, os gestos por meio de caretas e sons guturais, entram em ação, mas somente em caso de necessidade, e assim por diante.

Corrupção da doutrina

Pearlman trata da organização da Igreja

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia (Myer Pearlman, Emprevan Editora, Rio, 3ª edição, 1968), livro que impulsionou a doutrina assembleiana, diz-nos o seguinte, sobre organização da Igreja: “É evidente que o propósito do Senhor era que houvesse uma sociedade de seus seguidores que comunicasse seu Evangelho aos homens e o representasse no mundo. Mas Ele não fundou nenhuma organização ou plano e governo; não estabeleceu nenhuma regra detalhada de fé e prática. Entretanto, Ele ordenou os dois singelos ritos de batismo e comunhão. Ao mesmo tempo, Ele não desprezou a organização, pois sua promessa concernente ao Consolador vindouro deu a entender que os apóstolos seriam guiados em toda a verdade concernente a esses assuntos”.

“(…). Assim como o corpo vivo se adapta ao meio ambiente, semelhantemente ao corpo vivo de Cristo lhe foi dado liberdade para selecionar suas próprias formas de organização, segundo suas necessidades e circunstâncias. Naturalmente, a Igreja não era livre para seguir nenhuma manifestação contrária aos ensinos de Cristo ou à doutrina apostólica. Qualquer manifestação contrária aos princípios das Escrituras é corrupção” (o grifo é da própria obra).

Considerações

Cremos que um cristão verdadeiro, em casos extremos, como na ausência de um obreiro poderá realizar o batismo, mas esta pessoa deve ter conhecimentos para tal e conhecer o/a candidato/a ao batismo, para ter convicção de que o mesmo estaria compromissado realmente com Cristo, e o oficiante também deve primeiro ter passado pela experiência de conversão em Cristo (cf 2Co 5.17). O simples fato de uma pessoa declarar ser cristã não dá-lhe o direito de batizar, assim como o cidadão, no gozo de sua atribuições, como direitos e deveres perante a sociedade e que, portanto, tem poder de polícia, não pode sair por aí prendendo, multando, impondo a lei. Para isso existem pessoas credenciadas e legalmente reconhecidas pela sociedade. Se os homens são organizados assim, quanto mais o Reino de Deus!

O que se leva em consideração na crítica são fatores como:

1) Oportunidade circunstancial;

2) Usurpação;

3) Exposição de poder humano;

4) Oportunidade de demonstração pessoal e de status;

5) Consciência do que é certo e do errado.

Visão do batismo e normas da Igreja Romana

Pedobatismo: herança do catolicismo romano

No caso da Igreja Católica Romana, qualquer um pode batizar (“O ministro apropriado para batizar é o bispo, mas em sua ausência, qualquer sacerdote. Em caso da falta do sacerdote, com permissão do bispo, um diácono pode batizar. E, em caso de emergência, qualquer pessoa pode batizar, derramando água sobre a cabeça e pronunciando a fórmula trinitária”.) porque o batismo para os católicos romanos tem efeitos especiais, que fogem aos propósitos cristãos: adoção; incorporação ao corpo ‘místico’ (o grifo é nosso) de Cristo; e transforma o batizando em herdeiro do Reino e ainda santifica. Para eles sem o batismo não há salvação, daí a justificativa de batizar crianças, pois é efetivado como meio “para alcançar a vida eterna”.

Da organização às normas

Existem tanto na Bíblia quanto na própria sociedade, coisas óbvias, implícitas e que não figuram em manuais. Em países de primeiro mundo, em especial naqueles colonizados por cristãos protestantes, existem costumes que são respeitados como leis. Ninguém precisa de lei, por exemplo, para saber que não se deve urinar na rua.

Dado a isso, esse assunto é pouco explorado, pois jamais existiu a necessidade de confrontá-lo ou qualquer imposição, pressão de fora, como temos nesse registro, para a alteração. A partir dessa discussão surgirão os liberais, alguns comprometidos, outros compromissados com a Palavra, verdadeiros pensadores e teólogos, além de homens zelosos e apologistas.

Qual é o apelo à mudança?

O teólogo Jaziel Guerreiro Martins, formado pela Faculdade Teológica Batista do Paraná, em sua obra Manual do Pastor e da Igreja (MARTINS, Jaziel Guerreiro, Manual do Pastor e da Igreja/Jaziel Guerreiro Martins – Curitiba: A. D. Santos Editora, 2002. 374p.), mostra não ser conservador quanto ao tema, mas afirma o seguinte: “Por tradição, os ministros realizam os batismos e os chamados ‘leigos’ acham isso plenamente natural, pois os pastores são líderes da pregação e do ensino e tomam por obrigação do ministério a celebração da ceia do Senhor e a realização dos batismos, podendo-se adicionar cerimônias fúnebres e casamentos. Entretanto, isso não quer dizer que a realização dessas tarefas seja monopólio daqueles que fazem parte do ‘clero’. Em Atos 8 tem-se o caso de Filipe que batizava, e ele não pertencia ao grupo dos apóstolos; era um dos sete escolhidos em Atos 6, ou seja, um diácono”.

Note-se que Filipe, embora não fosse membro do apostolado, era diácono, oficial da Igreja, e sua atuação foi de um evangelista, como é citado comumente.

“A igreja local é que deve ter a palavra final sobre a questão. Ela pode autorizar, se assim o quiser, uma pessoa leiga para batizar, em caso de necessidade”. O escritor cita casos de lugares distantes, outros locais onde não existem pastores… “Nestes casos, é plenamente possível que tais líderes efetuem os batismos, caso a igreja os autorize, em caráter excepcional. Entretanto, se não há necessidade, a melhor decisão é que o pastor continue realizando batismos, pois já é algo tradicional em nosso meio, e sempre que possível a tradição deve ser mantida, embora ela não seja lei nem regulamento final sobre a questão”, diz Jaziel.

Todos?

Waine Grudem, em Teologia Sistemática (Grudem, Wayne A. Teologia Sistemática / Wayne Grudem – São Paulo: Vida Nova, 1999), afirma: “…parece não haver necessidade em princípio (grifo do original) de restringir o direito de ministrar o batismo apenas ao clero ordenado.” E segue: “No entanto, surge outra consideração: já que o batismo é o sinal de ingresso no corpo de Cristo, a igreja (cf 1Co 12.13 sobre o batismo espiritual interior), parece apropriado que ele seja feito dentro da comunidade da igreja (grifo do original) sempre que possível, de modo que a igreja como um todo possa alegrar-se com a pessoa batizada e a fé de todos os cristãos daquela igreja seja edificada. Além disso, visto que o batismo é um sinal de início da vida cristã e, portanto, de uma vida incipiente na verdadeira igreja, é apropriado que a igreja local reúna-se para dar testemunho desse fato e receba amorosa e publicamente a pessoa batizada. (…). Finalmente, se o batismo é o sinal de ingresso na comunhão da igreja visível, parece apropriado que alguns representantes da igreja oficialmente designados sejam escolhidos para ministra-lo. Por estas razões, normalmente é o clero ordenado quem batiza, mas parece não haver nenhuma razão por que a igreja, de tempos em tempos, e quando parecer apropriado, não possa convocar outros oficiais da igreja… (grifo é nosso). Por exemplo, um cristão eficaz na evangelização em uma igreja local pode ser uma pessoa adequadamente designada para ministrar o batismo aos que tiverem aceitado Cristo por meio do seu ministério evangelístico.”

Batismo no Espírito Santo (agora) desnecessário

Com humildade, para responder ao colega Altair Germano, que a pedido escreveu não haver base teológica para se exigir o batismo no Espírito Santo, no caso de aprovação de um obreiro, mesmo entendendo sua situação, devo informar que além daquilo presente em nossas práticas e resultados, manuais, livros de Teologia Sistemática e ensinado em nossas escolas bíblicas, por todo o Brasil, afirmo o seguinte:

1)      A ‘força’ assembleiana sempre fora efetivada pela ação do Espírito Santo, legado do Pentecostes, da Azusa, dos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren, que custou a eles a expulsão da igreja Batista, mas empreendeu o crescimento até hoje visto;

2)      Como pastores assembleianos pregarão (a experiência espiritual) sobre batismo no Espírito Santo se não forem batizados?;

3)      Agora que ‘descobrimos que estamos errados’ (incluindo os pioneiros de primeiro, segundo e terceiro escalões), vamos abandonar essa prática e ainda pedir perdão aqueles que não foram levados ao ministério por ausência do batismo?;

4)      Qual seria então o critério daqui para frente… Vamos imitar os nossos irmãos tradicionais e nos igualar a eles no que tange a essa questão?;

5)      A separação ao ministério, conforme entendemos, não diz respeito tão somente ao caráter e dignidade humanos, mas também ao empenho espiritual, à condição de servo, à humildade, à piedade…, como parte do aprendizado, pois como diz a Palavra: “Ninguém toma essa honra para si, senão aquele que for chamado” (Hb 4.5);

6)      Ao menos, o nosso maior exemplo, o apóstolo Paulo diz-nos o seguinte: “… fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (Ef 3.7).

Posição das Assembleias de Deus no Brasil

Gunnar Vingren e Danie Berg: fiéis e honrados por Deus

A posição adotada pelas Assembléias de Deus no Brasil é o que interessa, pois sua posição é contrária à pratica de ordenanças fora do ministério. Temos isso por meio de registros, tradição e por manifestação do Conselho de Doutrina, a pedido da própria CGADB.

Pastor Antonio Torres Galvão, em seu artigo A doutrina dos batismos (1a quinzena de janeiro de 1937, pág. 5), conforme já citado, reflete a tradição bíblica, histórica e assembleiana ao afirmar ser o batismo cristão descrito em Mateus 28.19, ser “o rito de iniciação na Igreja de Cristo. Foi instituído pelo próprio Salvador. É de caráter universal, como o é toda a doutrina de Jesus, e é administrado pelos “bispos”, “anciãos” ou “presbíteros”, aos convertidos ao Senhor…”.

Manifesto do Conselho de Doutrina sobre o Movimento Grupo G-12

Dentre as críticas enumeradas pelo Conselho de Doutrina, por ocasião do aparecimento da Igreja em Células e G-12 no Brasil, publicado pelo Mensageiro da Paz (1 a 15 de maio/2000, pág. 10-11), em seu 8º item (Culto de Aproximação – ou Célula), o Conselho afirma: “O G-12, na sua formação celular, descaracteriza o modelo bíblico de Igreja, em alguns pontos, a saber: (…) c) as células têm autonomia de batizar os novos cidadãos do grupo, dentro de algumas situações, como: distância e tempo”.

Para reforçar a ideia implícita de estrutura organizada com suas hierarquias e funções específicas, aprovadas pelo Senhor, citam os seguintes versículos: “JESUS TAMBÉM FOI BATIZADO – para em tudo ser o nosso exemplo. Mateus 3.13-15 – ‘Então veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu’” e “OS DISCÍPULOS TAMBÉM PRATICAVAM este mandamento de Jesus – Atos 2.37-39 – ‘E, ouvindo eles isto, compungiam-se em seu coração, e perguntavam a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor”’ (Grifos do texto original). Onde se lê ‘células’ leia-se membros (‘leigos’).

Fotos/Crédito: www.meionorte.com; Blog do pastor José Wellington e batismopnspsocorro.blogspot.com

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Prometi e mim mesmo que somente voltaria ao assunto Dake caso obtivesse fatos novos. Dias desses, conversei com um pastor nos Estados Unidos, que me passou informações interessantes sobre a vida e obra de Dake, durante a conversa. Não direi o seu nome por questão de ética, pois não pedi a ele permissão para tal.

Quanto à obra insisto na tese de que a CPAD não deveria publicá-la. Isso é fato. Não é necessário pensar muito: a editora é confessional, isto é, deve dela emanar somente obras que estejam de acordo com os preceitos assembleianos. Isto é ululante.

Conforme já se falou, seria semelhante tomar um livro contido de heresias, tentar oculta-las e publicar somente o que se aproxima do que se convencionou em concílio. O contrário disso é a tentativa de meter a denominação em moldes alheios a ela, impondo-lhe outros concílios, doutrinas, preceitos e não o inverso.

Caso houvesse a probabilidade de a denominação estar submissa a preceitos bíblicos controversos, não caberia à CPAD impor-lhe tal alteração, como soa nesse caso. Ela não tem essa prerrogativa, mas deve submeter-se (ou deveria) ao que o concílio assembleiano estabelece, isto é, submeter-se à CGADB, por meio de seus conselhos, jamais impor.

Por outro lado, não dá para tomar um fruto com sinais de apodrecimento e tentar transformá-lo em outro saudável. Jesus já ensinara sobre isso (cf Mt 9.16-17).

Abrangência da Dake

Quanto à obra em si, não obstante ter sido mutilada, na tentativa de adaptação, não resta dúvida ser o resultado de um hercúleo trabalho do pastor Dake. Ela é bem completa, uma das mais vendidas no mundo e todo teólogo deveria conhecê-la, por inúmeros fatores, como para o debate em questão. Por sua complexidade, há muitas informações que só se encontram nela.

Pastor Dake ensinando (1927)

Sem levar em conta se os comentários são heréticos ou canônicos, a Dake tem assuntos que poucos teriam ousadia de levá-los à mesa de discussão (e não de fundamentação doutrinária). Aí reside o maior risco de sua publicação, sem as devidas observações, omitidas pela editora. Porém, caso fizesse isso, a editora assinaria como ré por antecipação: publicar o que não deveria.

Somente o mapa original (a editora o substituiu por outro – o do missionário ‘Lourenço’ Olson e que, portanto, não faz parte da obra), editado em 1925, custa em torno de R$ 1 mil, segundo informações que obtive desse mesmo colega, citado acima.

Mas daí, a ser publicada pela editora assembleiana há um abismo. Qualquer outra editora independente poderia fazê-lo, não sem expor suas características, a considerar a questão ética, um dos maiores ícones cristão (deveria ser).

Pureza e deslize

A história do pastor Dake é cercada de sucesso espiritual e de uma ‘escorregadela’, que lhe custou a prisão pelo período de 5 meses, e a expulsão da Assembleia de Deus no Texas. O piedoso homem começou seus comentários cedo. Com apenas 20 anos de idade, escreveu sobre os livros mais difíceis da Bíblia – os dois apocalipses bíblicos: Daniel e Apocalipse. Depois, escreveu centenas de obras. Todo o dinheiro arrecadado com tais livros, teria sido investido na obra, tanto que Dake teria morrido pobre.

Com 23 anos de idade, Dake caiu no poder e permaneceu no chão por 11h. Isso ocorrera depois de 40 dias de jejum.

O seu casamento foi outro fato notável: em 6 dias ele ficou noivo e em 20 casou-se. O mesmo casamento teria durado 6 décadas e sua mulher possuía dotes ‘invejáveis’: era musicista, cantora, compositora…

Pessoalidades

Família Dake (1934)

Além das questões não aceitas pela doutrina cristã, como o comentário de Gênesis 1.28c, que a mim não passa de especulação, dando conta da existência de uma sociedade pré-adâmica, pesa contra Dake a acusação de transportar uma menina de 16 anos, entre fronteiras norte-americanas.

Não obstante em alguns Estados essa prática não constituir crime, Dake fez justamente o que todo homem deve resguardar-se: deu carona a uma jovem de 16 anos. Pior: transportou-a por um trajeto a ponto de atravessar fronteira estadual. Neste caso, ele infringiu a lei, mesmo sob a alegação de que não tocara na jovem. Ela mesma teria afirmado isso em juízo, onde fora para defender o pastor.  Isso ocorreu em 1937.

Dake, líder de uma igreja de cerca de 300 membros, fora condenado a 6 meses de prisão. Por bom comportamento saiu com 5 meses (de fevereiro a julho de 1937). Sua condenação teria sido somente por transportar a moça (entre fronteiras). A menina havia fugido de casa e no caminho da fuga pediu carona a Dake. Quando fora encontrada pela família, esnobou a façanha ao afirmar que, embora não tivera apoio familiar um pastor (e passou suas características) deu-lhe carona. A família acionou a polícia.

Obvio que, se houvesse provas de que o pastor tivesse provocado, ao menos, atos libidinosos, não teria saído tão cedo da cadeia.

Na Eternidade

Por fim, aos 85 anos de idade, sua esposa partiu para a Eternidade e uma semana após, Dake dissera a filhos e netos que havia uma carruagem à frente de sua casa há dias. Não demorou muito para Dake partir também.

Quebra de braço

Pelo andar da carruagem, essa Bíblia só sairá do mercado após esgotados toda a sua edição, ou quando a editora alcançar o alvo-lucro. Como se sabe, o mercado não tem sentimento e essa é a mesma ótica assimilada. Portanto, enquanto a edição não se esgotar, não haverá iniciativa no sentido de retirá-la de mercado. Isso para que a editora não sofra ‘prejuízos’ e ainda mantenha a meta de lucro.

Depois existe a questão do investimento financeiro, conforme já fora exposto na web, o que faz com que a editora cubra os custos e ainda obtenha o lucro, proveniente e esperado.

Ainda que não seja esse o objetivo, cada um destes artigos críticos, escritos sobre a Dake, leva centenas às lojas em busca de uma edição. Esse marketing se encaixa perfeitamente na política: “Fale mal, mas fale de mim”.

“A vergonha de confessar o primeiro erro nos leva a cometer muitos outros” (Jean de La Fontane).

*Fotos: Divulgação/www.dakebible.com

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