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Quem e por que diz que a Bíblia pode ter sido mudada?

Não podemos dar uma versão nova para fatos eternos” (Escritor judeu).

Fiquei perplexo com tamanha desfaçatez do famoso teólogo Bart D. Ehrman, nomeado “Maior autoridade em Bíblia do mundo”, após a leitura do seu livro O que Jesus Disse? O que Jesus não disse?: quem mudou a Bíblia e por quê?¹. Dono de uma ficha invejável: “Ph D em Teologia, pela Princeton University e dirige o Departamento de Estudos Religiosos da University Of Nort Carolina, Chapel Hill, especialista em Novo Testamento, igreja primitiva, ortodoxia e heresia, manuscritos antigos e na vida de Jesus”, Barth abusa das possibilidades e sob tom condicional, parte da inversão de visão do que é direito para forçar a interpretação inversa.

Ao abandonar a fé cristã e tornar-se declaradamente agnóstico, nesse livro ele pratica um verdadeiro malabarismo para fundamentar suas teses e tentar, a qualquer custo, desmerecer a autenticidade bíblica. Foi então que reuni provas dentro de seu próprio escrito para refutar suas ideias notadamente esdrúxulas.

Seus escritos deixaram às claras o forte desejo de provar o improvável, das probabilidades que se discute nos dias atuais, com a nítida busca pelo sucesso, a partir da revelação do novo. Em um mundo de tendência ateísta não haveria outro caminho melhor de aceitação, senão o de tentar levar a crer que as Escrituras Sagradas (dos judeus) e a Bíblia (dos cristãos), Antigo e Novo Tratamentos, a Bíblia Sagrada não passa de uma farsa.

Muitos já tentaram isso e não é de hoje que homens se levantam com o mesmo propósito. Houve épocas, que pilhas de Bíblias aqueciam labaredas de fogo, numa forte investida para a destruição das Sagradas Letras. A estratégia atual mudou de rumo, mas o objetivo ainda continua sendo o mesmo. Pior: agora a tentativa é a de fazer desacreditar na sua inspiração, pois, a partir daí, não haverá mais valor algum, não mais que folclore, como querem.

Há um esforço descomunal e vigoroso, mas não menos parcial, de desacreditar o texto sagrado, mas nenhum livro na História humana atravessou séculos sem sequer ser alterado, sempre evidenciado em todas as sociedades, como as Sagradas Letras. Isso intriga muita gente, em especial aqueles que procuram “chifre na cabeça de cavalo”, como dizia minha saudosa e querida mãe. Não vão encontrar, senão pelas falácias da teoria (não mais que teoria) da evolução.Essa tentativa busca algo semelhante às teorias evolucionistas, com o intuito de lançar descrédito e vigorar os ataques ao cristianismo.

Argumentos agnósticos

Segundo Bart, após seus primeiros estudos e envolvimento aos círculos eruditos, os primeiros passos foram os questionamentos de suas próprias convicções que “tem de ser revistas à luz do conhecimento acumulado e da experiência de vida”.

Seu primeiro questionamento, a partir do momento em que seus “estudos começaram a” transformá-lo, ele escolhera a “passagem de Marcos 2, quando Jesus é confrontado pelos fariseus porque seus discípulos, ao atravessar um campo de trigo, comeram grãos no Sábado”. Jesus passa então a mostrar aos fariseus o fato semelhante ocorrido entre Davi e seus homens, quando entram no Templo “quando Abiatar era o sumo sacerdote’ e comeram o pão da proposição, que só os sacerdotes podiam comer”. 

Bart continua a afirmar sobre um de seus primeiros trabalhos e base de outros questionamentos, afirmando que Jesus citara 1Samuel 21.1,6, onde “vê-se que Davi não fez nada disso quando Abiatar era o sumo sacerdote, mas, de fato, quando o pai de Abiatar, Ahimelec, o era. Em outras palavras, essa é uma daquelas passagens destacadas para demonstrar que a Bíblia não é infalível; ela contém erros”, afirma o famoso teólogo e escritor.

Porém, esse argumento de Bart, base para dar o suporte ao início de seu agnosticismo, atropela a cultura de época, introduzida ao texto bíblico, quando um nome ou data é alternado por outro – do pai pelo filho, por exemplo, sem absolutamente nenhum prejuízo à ideia principal. A pretensa “falha” também é gritante e pode ser detectada no primeiro esforço de busca pelo sentido da mensagem.

Conforme Bart, a afirmação do Senhor Jesus, conforme Marcos 2.3-28, destoa do texto referência no Antigo Testamento (1Sm 21.1-6), “quando Abiatar era o sumo sacerdote”, porque o sumo sacerdote em exercício era o pai de Abiatar, Aimeleque.

Em primeiro lugar, deve-se levar em conta que o foco principal do texto não está atento aos fatos narrados, mas sim ao ensino de Jesus, que Bart enuncia: “Jesus quer mostrar aos fariseus que ‘o Sábado foi feito para os humanos, não os humanos para o Sábado”’.

Mesmo assim Bart tenta usar este fato para desacreditar a Bíblia, porém, conforme comentário de rodapé da Bíblia de Genebra² “… foi Aimeleque, pai de Abiatar, que deu a Davi o pão consagrado. Contudo, Abiatar certamente estava vivo e, talvez, presente quando ocorreu o incidente referido. Portanto, ‘no tempo do sumo sacerdote Abiatar’ é frase rigorosamente certa. É provável que Jesus tenha referido a Abiatar porque ele era bem conhecido como um dos defensores de Davi” (o grifo é nosso).

Fatos semelhantes ocorrem com relação a datas e nomes, conforme a questão que tomo envolvendo os reis Roboão e Zedequias. A época do reino dividido de Judá é de 345 anos (931-586), e neste período, os reis de Roboão e Zedequias governaram 382 anos?

Neste caso a dúvida se prende à questão da continuidade dos reinos. Na maioria dos casos, o reinado passava de pai para filho. Acontecia também que filhos passavam a governar paralelamente ao pai, isto é, governavam, mas o pai ainda continuava no trono. Então um entrava na contagem do outro.

Exemplo: O pai poderia estar no ano 30 de seu reinado e o filho no 3 (por ter iniciado três anos antes). Quando o pai morria, o filho passava a contar, não a partir da morte do pai, mas desde quando começara a governador com o pai (ao lado do pai). Se o pai morresse no ano 35, por exemplo, o filho já estaria no ano 38. 

Se é possível complicar, para que simplificar?

Embora reconheça a importância das cartas bíblicas, quando diz: “De fato, havia um espectro extraordinariamente amplo de literatura sendo produzido, disseminado, lido e seguido pelos primeiros cristãos, algo bem distinto de tudo o que o mundo romano pagão havia visto até então” e ainda: “Afirmo que as cartas eram muito importantes para a vida das primeiras comunidades cristãs. Elas eram documentos escritos que orientavam tais comunidades tanto em sua fé como em sua prática”, Bart usa suas próprias informações para lançar o descrédito a partir de suas insinuações, mas, se as cartas são documentos importantes e imprescindíveis à Igreja, por que deixariam que as mesmas fossem tão alteradas como ele tenta mostrar? 

Condições sociais dos cristãos

Um de seus argumentos tenta desmerecer a condição sócio-econômica dos primeiros crentes. Fato interessante que sua crítica textual não leva em conta é que “Os cristãos da Ásia Menor e da Europa preocupavam-se em ser bons cidadãos do Império romano, governo que fora tratado como intruso por muitos dos contemporâneos de Jesus na Palestina. Muitos cristãos da nova geração não eram pobres, mas abastados, mais urbanos que rurais”.³

Outro fato que diz respeito à prosperidade dos cristãos, está na intenção de Lucas levar aos seus leitores, que detém vida de classe média e urbana, com ênfase à cidadania romana de Paulo e a honrosa conduta como cidadão, por seus direitos (At 16.37-40; 22, 26; 18.14-16) e Jesus como cumpridor de seus deveres (Lc 20.25; 23.2).

Lucas fala ainda dos ricos e pobres, ligação dos cristãos com os bens temporais, o que deve ser empregado com o semelhante, e relações pessoais (12.13-43; 14.25-33; 18.22; 14.26). Por outro lado, Lucas fala de si mesmo e identifica-se aos seus leitores e admite não ser testemunha ocular dos fatos narrados, concernentes à vida de Jesus. Na mesma época, a história da Igreja circulava por todo o império por meio de escritos, por ensinadores das doutrinas cristãs em comunidades evangélicas e também por meio de pregadores.

Atos, o endereçamento a Teófilo, que indica ser um líder da época, ainda rico e em condições de fazer cópias do livro e distribuir entre os membros das comunidades cristãs. Embora não houvesse a intenção de reproduzir o texto para os demais, como uma proliferação dos escritos para leitura individual, pois o que se fazia era a leitura nos cultos para os demais, não nos parece viável que um homem com capacidades socioeconômicas avantajadas tenha dificuldade de distribuir cópias legítimas e fiéis aos originais, como “editor” tanto de Atos quando de Lucas. O estilo de Atos, com estilo helenístico, recebe ainda elogios comparáveis aos melhores escritos bíblicos, conforme Josefo, Dionísio de Halicarnasso, conforme William S. Kurtz. ³

Inspiração e fé

Uma das razões que intrigam os críticos – talvez a principal – e que os distanciam de crer na inspiração, levando-os a criar obstáculos para desacreditar a Palavra, como obra inspirada do próprio Deus, por meio da ação do Espírito Santo no homem, são os inúmeros de milagres. A ação sem lógica e explicação humana os deixa intrigados. Como verdadeiros homens e céticos têm suas dúvidas ampliadas e jamais respondidas, pois muitos fatos sobrenaturais e compreendidos somente pela fé, conforme Hebreus (…) e que a razão jamais alcançará.

Todo esse efeito cético constitui atualmente ênfase entre o homem pós-moderno, que recebe forte influência da Filosofia das luzes, movimento filosófico do século 18, com base na confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento (Iluminismo).

Será mesmo que a Bíblia não trata de temas atuais?

Bart ainda não consegue enxergar na Bíblia tratados sobre temas atuais, quando diz: “E se a Bíblia não der uma resposta a toda prova para as questões dos tempos modernos – aborto, direitos das mulheres, direito dos homossexuais, supremacia religiosa, democracia ocidental”. Ora, o que Davi fala de ser conhecido pelo Senhor ainda informe, em Salmos, dentre inúmeros outros textos, como da Lei de Moisés, que trata diretamente do assunto, bem como da questão homossexual, além de Romanos 1. 

As conquistas das mulheres tiveram como base da doutrina cristã. O Dia das Mães fora estabelecido pela igreja cristã nos EUA e o mesmo ocorreu com relação à questão dos direitos das mulheres no trabalho, com a greve para a diminuição da carga-horário, além da licença-maternidade e outras conquistas ocidentais, com base na doutrina cristã, portanto, não vistas no oriente, como o direito de descanso no primeiro dia da semana – o domingo. 

Paulo sempre citara suas cooperadoras em seus textos, Jacó, ainda no VT ouve suas esposas antes de tomar a decisão de sair do domínio do próprio sogro, e Paulo exorta a que os maridos amem suas esposas como se a si mesmos (Ef 5.25-33).

Quanto ao domínio religioso Noé profetizara no capítulo 9.25-27 de Gênesis, o que vemos hoje não só na questão do Ocidente, mas também das religiões, ao falar dos desígnios de seus três filhos, retratando a supremacia religiosa dos semitas (origem das três maiores religiões do mundo), de Jafé, com seus descendentes os indo-europeus, a supremacia sócio-econômica, dentre outras tantas relações bíblicas com a História e a própria atualidade.   

Mito da Caverna

Se a Bíblia fora tão amplamente alterada, como tenta afirmar o teólogo Bart, e que o teria levado a descrer nos escritos sagrados, por que o mesmo não ocorre hoje, quando se tem tantos meios para isso, ao contrário da época em questão?

Atualmente existem inúmeros outros elementos que servem de alavanca para as possíveis e desejadas transformações. Estes meios seriam sem limites, a comparar com os existentes nos tempos primórdios do cristianismo. Leve-se em conta as proporções e intensidade de interesse, quanto a tudo o que diz respeito à proteção e preservação do texto sagrado.

Bart adentra o Mito da Caverna de costas, pois parece-me que jamais quis pôr somente o nariz e depois entrar de costas, para introduzir-se aos poucos, porque essa jamais foi a sua preocupação, conforme analogia de sua própria construção cristã, que não passara de retórica. Embora se diz de raízes cristãs, Bart afirma que sua mãe lia a Bíblia em família certificando-se “de que suas histórias e ensinamentos éticos fossem bem entendidos por nós (sem se prender muito às suas ‘doutrinas’).”.

Ehrmam tenta claramente interpretar fatos da História sob a perspectiva de sua tese, sem ser, sequer, um minuto imparcial. Até mesmo os comentários que daria o start para outro olhar, são usados para a satisfação unilateral. Existem muitas verdades históricas descritas no livro, algumas boas de serem usadas; até mesmo as que ele usa com veemência contra a fé cristã, se usadas no sentido da indicação do texto (ao contrário), são igualmente ótimas. 

Com racionalidade tomo então seus próprios argumentos para rebater suas críticas. O oportuno comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal sobre o assunto, diz: “João termina o livro do Apocalipse com uma advertência sobre a possibilidade de perdermos nossa parte na árvore da vida e na cidade santa. Evitemos uma atitude descuidada para com este livro, ou qualquer parte das Sagradas Escrituras. Outra atitude a evitar é a de optarmos por crer somente em determinadas partes da revelação de Deus e rejeitarmos outras partes que não gostarmos (v19), ou o caso de ensinar nossas próprias ideias como se estas fossem a própria Palavra de Deus (v18). Como ocorreu no princípio da raça (sic) humana na terra, deixar de cumprir plenamente a Palavra de Deus é questão de vida e morte (ver Gn 3.3-4)”. 

Desde o Éden, Satanás manifesta-se contra tudo o que chama Deus ou se adora (2Ts 24). “E não terá respeito aos deuses de seu pai” (Dn 11.37). Satã no hebraico (demônio) tem a raiz no verbo impedir, bloquear. Na tradição judaica Satã é o “outro lado”, explica Nilton Bonder (O holismo rabínico).

Superficialidade cristã

Existem algumas máximas cristãs que apontam para a vida superficial que, por sua ausência, facilmente transformam tal superficialidade em espuma jogada às margens, para depois se dissolver e virar fumaça. A Palavra alerta para o perigo de uma vida cristã superficial e sem engajamento espiritual: “Não havendo sinais (profecia) o povo se corrompe”, e o apóstolo Paulo diz: “… o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza…” (1Ts 1.5). Esse mesmo equipamento necessário e permanente na vida do crente foi predito pelo profeta Joel: “E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue, e fogo, e colunas de fumaça… E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, 3.30-32. 

Assim a evidência de sinais de prodígios e operação de maravilhas acompanhavam a pregação dos discípulos (Mc 16.17), desde o “Ide” pela Grande Comissão a Igreja: “E disse-lhe: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado… Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!”, Mc 16.15-16,19-20.

E já na introdução do seu livro percebe-se uma das causas de sua pétrea defesa da pretensa obscuridade bíblica. “Nasci e cresci em um tempo e lugar conservadores – a área central dos Estados Unido da América, em meados da década de 1950. Minha criação nada teve de extraordinário. Éramos uma família normal, de cinco membros que iam à igreja sem ser especialmente religiosos. Começando pelo ano em que seu estava na 5ª série, estávamos envolvidos com a igreja episcopal em Lawrence, Arkansas…”.

Uma das travessuras de Bart, “já no ensino médio”, junto ao filho do pastor de sua igreja, envolvia charutos. Hoje ele se junta ao grupo de teólogos que discutiam Teologia batendo seus cachimbos à mesa, na Idade Média. 

Embora sua igreja fosse “socialmente respeitável e socialmente responsável” “… a Bíblia não era abertamente ressaltada”. Ele diz ainda: “Nós realmente não falávamos muito sobre a Bíblia, nem a líamos muito”.

Das informações que vão dar base para a análise de credibilidade e reconhecimento do ponto de vista de independência ou não de sua tese, com conteúdo ou não de possíveis desvios, a partir da formação de seu caráter, e que, portanto, forneceria elementos de influência em opinião futura (visto tratar-se de uma questão religiosa), temos ainda o seguinte: “Lembro-me que sentia uma espécie de vazio interior, que nada parecia capaz de preencher, que não saía muito com meus amigos (nós já tínhamos começado a beber socialmente nas festas), que namorava (começava a entrar no mysterium tremendum do mundo do sexo), que estudava (eu dava duro e tirava boas notas, mas não era nenhum crânio), que trabalhava (eu era vendedor porta a porta de uma firma que comercializava produtos para venezianas)… (…). Eu sempre achava que faltava algo”.  

O que ainda fundamenta o distanciamento da fé cristã, para deixar claro o primeiro ponto, foi a influência de Princeton. O ex-seminário presbiteriano tem história semelhante a do congênere Harvard, fundado pelo pastor John Harvard – o de formar obreiros. Ao contrário disso, embora ainda neles resistem os referenciais cristãos, os dois centros passaram a figurar como formadores de agnósticos, ateístas, materialistas e humanistas.

De tudo o que temos na exposição da incredulidade do teólogo Bart, ressalta aos olhos a exposição espetacular – própria do homem pós-moderno – de suas revelações, que acaba por desvendar as premissas, que, consequentemente, indicam causas e efeitos.

“E uma vez mais, meus amigos evangélicos me avisaram que eu não deveria ir para o Seminário de Princeton, porque, segundo me disseram, eu teria dificuldade em encontrar cristãos ‘verdadeiros’ lá. Afinal de contas, Princeton era um seminário presbiteriano, um solo não exatamente fértil para cristãos ‘renascidos’. Contudo, meus estudos de literatura inglesa, filosofia e história – para não falar do grego – tinham ampliado significativamente meus horizontes. Eu estava apaixonado pelo conhecimento, em todos os seus campos, sacro ou secular. Se aprender a ‘verdade’ significasse não mais me identificar com os cristãos renascidos que eu conhecera no ensino fundamental, que assim fosse. Meu interesse era avançar em minha busca da verdade, onde quer que ela me levasse, na confiança de que toda verdade que eu aprendesse não era menos verdade por ser inesperada ou impossível de enquadrar nos pequenos escaninhos fornecidos por minha experiência evangélica”.

O desequilíbrio, mola propulsora para o registro de extremos, é notório

Como disse meu velho e saudoso pastor, certa feita, ao tecer comentários sobre um colega de seminário, após demonstrar significativas mudanças, protagonizadas pela assimilação da filosofia da Teologia da Libertação: 

           – Ele cresceu na letra e caiu no Espírito!

É sempre bom observar as considerações de pessoas que estão do lado de fora daquilo que ocorre conosco. Dizem que as tais enxergam melhor e, por não estarem envolvidas emocionalmente com o fato, caso, ocorrência, situação ou circunstância, têm melhores juízos que nós mesmos. E é o que notaram os amigos de Bart. Eles já previam o que deveria ocorrer com aquele novel teólogo. Com certeza seus comentários diziam respeito à análise do caráter daquele jovem, talvez pela superficialidade de sua crença e de suas deficiências estruturais de fé, conforme ele mesmo aponta, em sua época do Seminário Moddy (Moddy Bible Institute): “Acho que eu o encarava como uma espécie de acampamento cristão militarizado”. Essa idéia mostra-se débil, desencontrada, e mítica, totalmente destoada da realidade da fé cristã. Ela indica ainda o arquétipo de um futuro de desconstrução, próprio dos que foram impactados pelo Iluminismo, por suas bases inseguras e instáveis. 

Erros e erros

Como o grande descobridor Bart toma Orígenes que teria falado “do ‘grande’ número de diferenças entre os manuscritos dos Evangelhos; mais de cem anos depois, o papa Dâmaso estava tão preocupado com as variedades dos manuscritos latinos que encarregou Jerônimo de produzir uma tradução-padrão; e o próprio Jerônimo teve de comparar numerosas cópias do texto, em latim e grego, para decidir qual texto ele pensava ter sido originalmente redigido pelos autores”.

Temos alguns erros que não dizem respeito à revelação e isso fica claro à medida que acaba sendo corrigidos, sem, contudo, alterar o sentido da mensagem ou desmerecer a própria inspiração. Citamos o caso de 2Samuel 15.7, que lança a dúvida entre 40 e 4 anos: “E aconteceu, pois, ao cabo de quarenta anos, que Absalão disse ao rei: Deixa-me ir pagar em Hebrom o meu voto que votei ao Senhor” (2Sm 15.7).

Algumas versões grafam 40 anos e outras 4 anos. Qual é a correta?

A explicação diz respeito aos manuscritos disponíveis à época de Almeida (século 17). Alguns poucos manuscritos (cópias datadas dos séculos 11, 12 e 14) trazem “quarenta”. Já a maioria dos manuscritos do Antigo Testamento (datados dos séculos 2 a 9) trazem “quatro”. A Revista e Corrigida (RC) baseia-se nos manuscritos disponíveis ao tempo de Almeida; a RA e a NTLH, em manuscritos mais antigos e melhor conservados.4

Revelação a Paulo

Quanto à Revelação do Senhor a Paulo parece que há controvérsia nos registros apresentados em Atos 9, 22 e 26: 

“…indo, então, a Damasco… ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim a aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 12-15).

As dúvidas dizem respeito à participação dos companheiros de Saulo na questão da cegueira, a voz e respectiva mensagem: Eles teriam também caído, também ficaram cegos, ouviram também a voz? A idéia que se tem é que as três passagens em Atos destoam.

Enquanto ia pela estrada de Damasco, por volta do meio-dia, quando o Sol está no seu mais intenso brilho, Paulo viu uma luz do Céu mais radiante que o brilho do Sol. Brilhava ao redor dele e de seus companheiros (At 26.13) “(…) Paulo e seus companheiros foram subjugados pela luz milagrosa e caíram ao chão. Nada é dito sobre os companheiros caindo ao chão em Atos 9.4 e 22.7, nem Paulo diz qualquer coisa aqui sobre de ter ficado cego”. 3

Até aí não há nada contraditório, pois a narração repetida de um fato pode variar de acordo com as circunstâncias. Devemos considerar os objetivos de Paulo e o endereçamento de suas afirmações. É importante notar o seguinte:

1) No primeiro caso, em Atos 9, o livro narra o acontecimento. 

2) Em Atos 22, Paulo fala aos judeus e usa a visão para persuadi-los sobre a realidade do Messias, e, por fim, 

3) em Atos 26, ele anuncia a visão ao rei Agripa.

Às vezes, Paulo fala somente dele – destaca a sua pessoa – e não inclui na história os demais que estavam com ele. Isso é válido, pois o evento diz respeito a ele, tão somente. 

Em Atos 9 ocorre a revelação do Senhor a Saulo; em Atos 22 temos o discurso aos judeus; e em Atos 26, Paulo está perante o rei Agripa.

Aparentes divergências

Atos 9.7 e 22.7 – somente Saulo caiu por terra. 

Atos 26.7 – no discurso a Agripa, Paulo fala que todos caíram. 

Atos 9.7 – todos ficaram mudos, depois de ouvirem a voz, mas sem ver ninguém. 

Atos 22.9 – todos viram a luz, mas não ouviram a voz.

A questão está na divergência da construção gramatical

Atos 9.7 o grego liga-se ao genitivo – “Caso de declinação de certas línguas, que representa, por via de regra, complemento possessivo, limitativo, e algumas vezes circunstancial”.5

Atos 22.9 – tem a ver com o acusativo.

Atos 22.9 – significa ouvir a voz e entender o que se diz, enquanto a outra forma indica ouvir o som da voz, sem entender o que se diz ou o sentido da declaração.

 Carta em resposta

Em 1Coríntios 7 Paulo responde carta aos coríntios, prática comum na época e meio predominante na comunicação. Embora a carta fosse postada pela igreja, sem ter propriamente um remetente em particular, o que seria comum, caso fosse de um intelectual da época, o apóstolo, homem letrado e sábio, um verdadeiro literato, não fez nenhum comentário ao que poderia saltar-lhe aos olhos, quanto a possíveis tropeços gramaticais, ou a menos, pontos mal escritos, dúbios, mal explicados, ruim de entender ou ler etc. 

Mas, ao contrário do que Bart tenta arquitetar para desmerecer o texto bíblico, ao afirmar que as cartas e respectivas cópias eram feitas por homens incapazes, mal letrados, Paulo, em momento algum observa possíveis falhas.

Também para derrubar suas afirmações sobre cartas mal escritas, sem técnicas de construção de texto, é só dar uma olhada em 1Coríntios e perceber que a construção da carta segue uma técnica bastante avançada para a época. O apóstolo constrói uma introdução nos primeiros capítulos, com elogios aos coríntios, até chegar ao momento em que expõe o principal motivo da mesma, e chamar atenção pelas falhas existentes naquela igreja.  

Crítica em cima de 1% de erro sem influência alguma

Em resposta a Bart alguns biblistas e especialistas em História Antiga, falam das inconsequências do autor, quando afirma que os manuscritos nos quais baseamos não são confiáveis. Suas afirmativas são apelativas e Bart não é honesto em suas críticas, mas toma aquilo que lhe interessa e despreza o que está escondido à visão de leigos.

O doutor Paul Meyer, professor de História Antiga da Western Michigan University (EUA) é um dos que discorda de Bart e declara que o próprio tempo e a evolução das descobertas dão-nos uma visão e leitura mais perfeitas de todo o conteúdo bíblico, a partir de novos manuscritos descobertos, sem mudanças substanciais.

Ele analisa, por exemplo, a edição King James, de 1611, que teve como base seis manuscritos. Mas sua edição revisada de 1870 contou com dois mil originais gregos. Além desse crescimento, em termos de elementos que podem confrontar tais oposições, atualmente os estudiosos contam com nada menos que 5.700 peças inteiras ou parciais. São riquezas que podem ser usadas para comparar e chegar ao texto mais perfeito possível, levando em conta a originalidade, segundo doutor Paul, apresentado por John Rabe.

Portanto os críticos textuais utilizam regras mais exigentes e são capazes de chegar mais próximo possível das bases, argumenta o especialista. Ele diz ainda que as 2 mil variações existentes no Novo Testamento afetam somente 1% do seu conteúdo. 

De posse de grande número de manuscritos é possível chegar quase que 100% dos originais e corrigir qualquer erro de tradução que pode ter ocorrido no decorrer da história. Esta informação derruba a força que Bart tenta imprimir em seus argumentos. 

Já o doutor Timothy Paul Jones, do Seminário Batista do Sul dos EUA, também apresentado por Rabe, diz que quando Bart alega que há entre 200 mil e 400 mil variantes entre todos os manuscritos do Novo Testamento deixa a impressão que as somente 138 mil palavras do Novo Testamento são todas erradas. Indica que há muito mais diferenças nos manuscritos do que palavras, e se assim fosse não poderíamos, realmente, confiar no que o Novo Testamento diz. 

Timothy chama a atenção para a desonestidade do famoso teólogo e afirma que Bart não diz que mais de 99% dessas variantes nem mesmo se nota na sua tradução em inglês, pois envolvem somente diferenças de ortografia ou nuances do grego (que se pode detectar facilmente). São erros tão gritantes de tradução que não dariam nem mesmo para ser traduzidos, uma vez que são facilmente perceptíveis e nem mesmo daria para escreva-las novamente, tamanha a notoriedade.

Os outros 1% não tem nenhuma influência nas verdades ensinadas por Jesus no Novo Testamento. As “falhas” apontadas não tocam nem mesmo de longe no conteúdo dos ensinos de Jesus, na historicidade bíblica, nas doutrinas esboçadas no NT e na ortodoxia bíblica. 

O que Bart tenta é forçar as ondas que empurram a espuma para a margem a seguir trajeto contrário, além de ignorar a imensidão do próprio mar e se ater às pequenos blocos de espuma que somem na própria areia, sem jamais ser visto novamente.

Antônio Mesquita é jornalista, graduado em Teologia pelo Ibad; ministro do Evangelho autor dos livros Tira-dúvidas da Língua Portuguesa; Ilustrações para Enriquecer suas Mensagens; Pontos Difíceis de Entender; e Fronteira Final/CPAD; O Mundo das Palavras (Netser); e Manual do Ministério Cristão (Lopes Editora).

Bibliografia

1) O que Jesus Disse? O que Jesus não disse?: quem mudou a Bíblia e por quê?¹/Bart D. Ehrman; tradução Marcos Marcionilo – São Paulo: Prestígio, 2006).

2) Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. 1728 p.

3) Comentário Bíblico, Edições Loyola, Vol 3 (Evangelhos e Atos, Cartas, Apocalipse), 3ª edição: setembro de 2001, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1999. 

4) Mesquita, Antônio, Pontos Difíceis de Entender/CPAD, 2006.

5) FERREIRA, Ebenézer Soares, Dificuldades Bíblicas e Outros Estudos, da União Brasileira de Escritores – Seção de Campos; Sociedade Brasileira de Romanistas; Academia Evangélica de Letras; The American Schols of Oriental Research – Casa Publicadora Batista (Edição do Autor, Campos , Rio de Janeiro, 1965).

BRUCE,  F.F. Paulo Apóstolo da Graça: Sua vida, Cartas e Teologia. Trad. Hans Udo Fchs.


AÇÃO DA TRIUNIDADE 

NO CRENTE

O AMOR (acima de todas as coisas e quaisquer interesses – o ágape) é operado no homem por DEUS, mas através de Jesus Cristo. Ele é Amor em essência, e ama mesmo quando o sujeito amado não lhe desperte nenhum interesse.

A GRAÇA (o favor divino) e a MISERICÓRDIA (emprego de piedade não obstante a ‘miserabilidade de coração’) estão 

em JESUS CRISTO.

A COMUNHÃO (dentro da ideia de fazer ‘companhia’ – o ‘com panis’ -, isto é, ‘comer o pão juntos’, reside na presença e ação do 

ESPÍRITO SANTO, ao habitar no ser humano e interceder pelos filhos de Deus em Cristo (2Co 13.14; Rm 8.26-27). 

ATRIBUIÇÕES JUSTIFICÁVEIS

A PURIFICAÇÃO (‘deixar a alma alva’, limpa) é operada pela Palavra, a partir do SANGUE de Jesus Cristo (1Jo 1.7-9; Hb 9.14).

A SALVAÇÃO está em JESUS CRISTO, o Filho de Deus e Salvador (que seria o seu Nome completo, incluindo o humano Jesus – o Salvador – e o divino Cristo – o Ungido) Mt 16.24-27; Jo 1.12; Rm 8.3-4, 6,8-9; 1Tm 1.15; 2.5; Hb 9). Daí o peixe como símbolo cristão, pois é ICHTHYS (Ictus) no grego, a formar o acróstico: (I)ésús (C)hristós (T)heoú (H)yós (S)ótér (Jesus Cristos de Deus Filho e Salvador.

A SANTIFICAÇÃO é efetivada pela PALAVRA (1Pd 1.22; Jo 17.17), que opera no homem o Novo Nascimento – pela Semente, a própria Palavra, o código divino e não mais o genético humano (Jo 1.1,12-14). O homem é gerado pelos pais humanos e, depois, pode ser Regenerado (gerado de novo) por Deus em Cristo (1Pd 1.3,23; Tt 3.5; Jo 3.6-8; 1Co 15.21-23, 45).

A JUSTIFICAÇÃO é a linguagem dos tribunais e usada  pelo apóstolo Paulo para tratar da Redenção (linguagem do mercado de escravos) de culpa (Rm 3.24). Essa culpa do pecador foi assumida por Jesus Cristo através de Seu ‘sacrifício para a Regeneração’ (linguagem do sistema sacrificial, sacerdotal), que se fez Justiça por ele. Porquanto essa mesma Justiça é oferecida a todos os seres humanos, para que não sejam condenados pelo Supremo Juiz – Deus (Rm 2.2; 2Pd 3.10-13). O homem ao ser Redimido (da escravidão do pecado) torna-se isento de culpa, de condenação, e a ser tratado como justo: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”, Cl 2.14. É o ‘Recibo da alforria’ endereçado ao senhor da Escravidão – o Diabo (1Pd 1.19). Essa Redenção é operada pela Justiça de Cristo. Portanto é Ele quem nos justifica (Rm 5; Tt 3.5; Gl 2.16-21).

A EXALTAÇÃO e GLORIFICAÇÃO a DEUS se efetiva em Cristo (por Sua obra Expiatória), mas é ação precípua do ESPÍRITO SANTO no homem salvo (Jo 16.13-14). Pr Antônio Mesquita 

O PRÉDIO, O TEMPLO E A IGREJA

Com a pandemia ocasionada pelo coronavírus, a questão da necessidade de prédios como templos para o culto, não obstante a praticidade e viabilidade de ‘comer o pão juntos’ (com panis), literalmente ‘companhia’, que remete para a Ceia (do SENHOR)*, não corresponde aos preceitos cristãos, como meio indispensável, à realidade eclesial (*MESQUITA, 2012 – O mundo das palavras, Netser, Campo Grande-MS).

Não há dúvida quanto à facilidade, viabilidade e estrutura ideal de viabilização de centralidade do culto e consequente adoração. 

Especificamente na atual situação da sociedade humana, avolumada pela busca do bem-estar pessoal e hedonismo em forma de utilitarismo, pelo consumo e prosperidade social, especialmente pela mercantilização da fé, protagonizada a partir de Constantino e notabilizada hoje, desde a crise dos EUA, na década de 80, e que tenta macular a Igreja, o inatingível Corpo de Cristo, não existem estruturas ideias para essa revigorização (2Tm 3.1-7). 

Estamos no olho do furacão mostrado pelo apóstolo Paulo: ‘… e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro.

De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar’, 1Tm 6.5-7.

AINDA HÁ POUCO TEMPO

Caso a igreja voltasse não há tanto tempo, mas desde o mover do Espírito, no fim do século 18 e início do 19, explodindo no 20, em que no Brasil, por exemplo, registrou-se o advento das Assembleias de Deus, por meio de cultos em lares e conduzidos por leigos, poderíamos vislumbrar a realidade desse indicativo de Igreja. 

Ávidos por anunciar a Salvação e consequente libertação experimentada, muitos cristãos, recém convertidos ao SENHOR, não mediam esforços, sem quaisquer interesses vinculados à fé em Cristo, incluindo mulheres convertidas antes dos maridos, e instalavam em seus lares cultos, em que muitos se convertiam também pelos vívidos testemunhos. Os chamados ‘pontos de pregação’ eram validados como congregação da Igreja, e supervisionados pelo pequeno número de ministros da novel denominação da Igreja de Cristo.

Hoje, em função das buscas humanas e dos limites e desgastes éticos entre a sociedade, somente alguns conseguem separar, a partir de si próprio, o trigo do joio, sem serem atraídos pela ‘causa de lucro’. Temos mais de 7 mil exemplos dos que não se corromperam, certamente (cf 1Rs 19.18).

Prédio, por mais vultuoso que seja, é imprescindível para a realidade da religião judaica (atualmente sem templo e sem sacrifícios), e não é sinônimo de Igreja, como se mostra na mente popular, conforme o SENHOR Jesus dissera à mulher samaritana:

‘Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’, Jo 4.20-24.

LARES E CULTOS

Até o final do segundo século, não havia templos para cultos – ‘Saudai também à igreja que está em sua casa’, Rm 16.5 (1Co 16.19; Cl 4.15) -, e as reuniões eram realizadas nas casas (oikos, gr), em geral de crentes mais abastados, que podiam oferecer uma sala maior (um cenáculo) e espaços mais acessíveis a um número maior que uma única família. 

Era uma dependência da casa denominada pelos gregos ‘estromenon’ (sala superior) ou no latim ‘coenaculum’, um local de jantar para a família e convidados. Aqui temos, contudo, o princípio da necessidade de um local específico, mais espaçoso. 

CONCLUSÃO

Porquanto a ausência de simplicidade, potencializada pelo avolumar da ação do Mal (cf 2Co 11.3; Ap 12.12) transforma meios salutares em tropeços. A própria humanidade torna-se vigoroso obstáculo por ausência de renúncia e de preferência pela essência (Fp 3.14-21). Os templos somos nós e os prédios devem ser Casas de Oração, de reuniões, de comunhão e de cultos… Por que não seriam?! (Mesquita, Antônio é ministro do Evagelho, jornalista e escritor). 

Ao partir para os Céus hoje (8/7/20), o líder da AD em Cuiabá e Estado do Mato Grosso, pastor Sebastião Rodrigues de Souza deixa um legado, uma história ímpar, em uma época de tempos difíceis, trabalhosos (cf 2Tm 3.1).

Jamais arredou o pé de suas convicções quanto a valores dos bons costumes e tradição de princípios bíblicos, como contrariar o divórcio, e sem se intimidar com as críticas.

IDENTIDADE

Por outro lado, sempre apresentou credenciais que fortaleciam a sua irredutível postura. Cuiabá era conhecida por contabilizar milagres entre os crentes em Cristo, sempre identificados por modos conservadores.

Nem só o templo é gigante, como um ginásio, a refletir os escritos do apóstolo Paulo, quando descreve o exercício espiritual, sob o verbo grego ‘gminásio’ (exercitar-se), como na alusão à Olimpíada (cf 1Co 9.24-27).

Algumas de suas características eram ímpares. Além do denominado Grande Templo, era um exímio líder, e notável visionário. Os missionários enviados pela AD em Cuiabá se destacam por países incomuns, como Grécia, Itália, Japão, Espanha e Israel.

RESUMO BIOGRÁFICO

Filho de José Antonio de Souza e Maria Abadia Rodrigues, Sebastião Rodrigues de Souza nasceu em 11 de agosto de 1931, na fazenda de seus avós maternos, próximo à cidade de Pirajuba (MG). Batizou-se aos 17 e permaneceu no mesmo local por mais 10 anos.

Em 1947, conheceu Nilda, da mesma cidade e casaram-se em 1949. No ano de 1958, mudaram-se para Frutal (MG), onde ele foi consagrado ao Diaconato. Já no ano de 1961, foram para Ituiutaba (MG), depois para Capinópolis (MG), onde foi consagrado a presbítero, em 1962. Ao ministério pastoral chegou em 1965.

CARREIRA MINISTERIAL

Com o decisivo apoio da esposa, sua carreira pastoral, ascendeu por meio da liderança de inúmeras igrejas, como nas regiões eclesiásticas de Campinópolis (MG); Ituiutaba (MG); Igarapava-SP; entre os anos de 1966 a 1968; Votuporanga (SP); e, finalmente Cuiabá (MT), pelo período de 45 anos.

De 1993 a 1995 foi presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e a partir de 1995, foi o vice-presidente.

Seu filho e também vice-líder da AD em Cuiabá, pastor Rubens Siro de Souza foi sepultado no dia 3, também vitimado pela Covid19.

Pastor Sebastião deixa viúva a irmã Nilda, que recebeu ontem (7), alta hospitalar, após contrair também a covid-19, um dia antes da morte do esposo. Deixa ainda os filhos pastor Silas, Silene e Abilio, noras, genros, netos, bisnetos e tataranetos.

RECONHECIMENTO

Pastor Eli Martins (ADB/São Carlos-SP), com o coração entristecido, falou do privilégio de, além de manter estreita amizade com esse reconhecido líder, teve a oportunidade de pastorear a AD/Votuporanga-SP, onde chegou a hospedar a convenção estadual, igreja que anteriormente fora presidida por pastor Sebastião Rodrigues.

Sua vida estendeu-se como paradigma, exemplo de dedicação e identidade cristã desde o século passado até os dias atuais, com suas mudanças e atualizações selvagens.

‘E sucedeu que, terminados os dias do seu ministério, voltou para sua casa’, Lc 1.23.

Com o advento do mais formidável vírus, que conforme etimologia é ‘forma’ de ‘devil’ (forma do Diabo) o Covid19 arrastou o mundo para algo incomum, jamais visto e com características apocalípticas.

Ele mostra-se como alguma coisa preconcebida como balão de ensaio, muito além de seus males contagiosos e uma espécie de nano-tecnologia, a ceifar vidas como um pônei-biscuit da morte (cf Ap 6.8).

Em algumas regiões de determinados países o vírus arrasou. No Brasil os protocolos ‘foram engavetados’ retardando ações profiláticas, pois as duas capitais, São Paulo e Rio de Janeiro foram irresponsáveis, pois deveriam ter cancelado o carnaval, festa popular que atraiu turistas do mundo todo, incluindo da China, obviamente.

VERDADES E MENTIRAS

Outra questão diz respeito às informações sobre a mortalidade, que chega a ameaçar somente 5 de cada 100 casos, justamente os mais graves. A maior gravidade de contagio está restrita a alguns centros, enquanto a intensidade é bem menor na maioria das cidades. Por outro lado, muitos óbitos passam pelo filtro político com índices insuflados por mortes de diversas outras causas.

De todas as disputas entre os que defendem a quarentena total e a vertical, existe muita contrainformação sob o viés político-ideológico, desde o presidente da OMS, o etíope Tedros Adhanom, do partido comunista.

Em Grande Debate/CNN, Caio Coppolla fala com propriedade sobre dados relevantes e desconcertantes a governos intolerantes, como Dória:

QUEDA ECONÔMICA

Segundo o Sebrae, a previsão é do fechamento de 600 mil empresas, e como consequência 12,6 milhões de novos desempregados, equivalente ao aumento de mais 12% ao índice anterior, conforme a FGV. Esse número de desemprego deve registrar a mortalidade de 76,8 MIL, todos acima de 15 anos, projetou a FGV, enquanto a previsão mais pessimista aponta para 44 mil mortes pelo Covid19, metade da previsão de mortes pelo desemprego.

MANIPULAÇÃO DE DADOS

Para causar pânico, a mídia mostra dados manipulados e informações parciais, como a manchete de saturação no Hospital Emílio Ribas, na capital paulista. A notícia toma o hospital como um todo, mas enquanto a unidade detém 30 leitos de UTI, São Paulo conta com 15 MIL leitos, com 53% ocupados no Estado, e 73% na região metropolitana da capital paulista.

CALDO PIOR QUE O MOLHO

Sem nenhuma base científica, Dória radicaliza na imposição da Quarentena total, sem atrelar-se à lógica ou a dados científicos, não permitindo sequer questionamentos, além de ameaçar prefeitos menos radicais e mais conscientes.

E mais: dos 645 municípios paulistas somente 5 tem ocorrência de casos, mortes e contaminação preocupantes.

PREVISÃO SOMBRIA

Estudo publicado na revista The Lancet, realizado no Brasil e Reino Unido, em 2019, durante a crise econômica no Governo Dilma-PT, envolvendo economistas e médicos sanitaristas em 5 mil municípios, aponta que a cada 1% a mais na taxa de desemprego, a mortalidade aumentou 0,5%, totalizando 31.415 mortes de jovens e adultos, em função da recessão econômica.

Muito se fala sobre o Fim, em especial em tempos como este que vivemos agora. Embora seja único, pois nunca ocorrera um fato desse a envolver o mundo todo, e portanto, figurando como sinal irrefutável dos Últimos Dias, mas ainda preambular.

Tomamos um trecho do Evangelho de Lucas, para tecer alguns comentários sobre os acontecimentos de hoje – a envolver o tal Coronavírus -, e a Escatologia.

Fato semelhante ao atual e mais recente, que envolveu o mundo foi a Segunda Guerra Mundial, em que o assunto escatologia voltou à pauta.

Importante e oportuno salientar que os ditos cristãos de hoje, após a década de 80, sob influência de teologias emprestadas do tradicionalismo ou da Cosmovisão Cristã passaram a preterir a Escatologia, classificada como sermão apelativo ou sensacionalista.

INTERPRETAÇÕES

Esse tema sofre a influência de ao menos três principais correntes de interpretação.

  1. PRETERISMO- Indica que as profecias se cumpriram no passado e, portanto, não tem relevância.
  2. FUTURISMO- Diz que o cumprimento se dará num futuro muito distante.
  3. HISTORICISMO- Que os fatos proféticos, literal ou simbolicamente, são registros que fazem parte do decorrer da história.

‘Quando ouvirem falar de guerras e rebeliões, não tenham medo. É necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não virá imediatamente”.
Então lhes disse: “Nação se levantará contra nação, e reino contra reino.
Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares, e acontecimentos terríveis e grandes sinais provenientes do céu'”, Lc 21.9-11 (NVI).

ESTARÍAMOS NO FIM?

Nesta passagem descrita pelo grego e médico Lucas, Jesus prevê motim político e pestilência que trarão morte, sinais e caos mundiais, precedendo o Fim, como também adversidades para os crentes.

Embora o trecho esteja dentro do éschatós, gr (de escatológico), não faz parte dos acontecimentos do Fim propriamente, mas figura como um tipo de introdução, abertura, prelúdio.

O trecho faz parte da resposta aos discípulos da época do 1- do Aparecimento dos Sinais; 2- do (Seu) Retorno; 3- e do Fim do Mundo (cf Lc 21.3 e Mt 24.3).

Note que o Fim (do mundo), se dará após a obra de Cristo se completar (Redenção, Arrebatamento; Glorificação da Igreja; Anunciação pelas Duas Testemunhas na Grande Tribulação; Vitória de Cristo com a Igreja glorificada sobre o Inimigo, com Sua Volta aos Judeus (Mt 23.36-39); Anunciação do Evangelho/Reino de Deus pelos judeus, no tempo milenar; derrota final do Diabo, quando a Sua obra se completa. Então Jesus Cristo entrega a Deus o Reino, para o Juízo Final (1Co 15.24).

No período em questão, como o que vivemos hoje – como parte do prelúdio dos Últimos Dias: ‘… na angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas’ (Lc 21.25), com tsunamis e terror (v26), a Igreja o sofrerá, mas ainda não é a plenitude do Inimigo, com a operação do erro, que ocorrerá na Grande Tribulação.

OBSERVAÇÃO PAULINA

Apóstolo Paulo faz esse alerta em 2Tessalonicenses 2.1-4, quando aponta para a liberdade de operação, um tipo de abertura ou aprovação do homem, para que o Diabo tenha plena liberdade de pôr-se publicamente, sem travas, conforme o verso 4, com sacrilégios. Vemos essa veemência despontando atualmente.

Antes dessa forma plena de manifestação, com a encarnação do mal (v9), a Igreja passará por grandes dificuldades e os Inimigos do Evangelho se disporão em oferecer ferrenha oposição.
Além da perseguição, seus seguidores sofrerão às mãos de parentes e amigos, que rejeitarão Cristo, conforme o contexto de Lucas.

Tudo é mostrado pelo SENHOR com 1- O Anúncio do Fim (21.5-19); Queda de Jerusalém, ocorrida entre 66 e 70 (21.20-24); e a Vinda do Filho do Homem, no final do tempo dos gentios, quando Ele virá (aos judeus), com a Igreja em glória (21.25-38). Pr. Mesquita.

Comentários inclusivos ao da LB/CPAD, Lição 11 (15/3/2020).

Texto básico: 1Ts 1.1-10

A Carta (1Tessolonicenses) destina-se a ser lida pela assembleia de crentes em Tessalônica, reuniões realizadas nas casas, pois os templos só aparecem no final do segundo século.

Observe que no texto-base aparece a Trindade Divina:
O Pai e o Filho – v1,3, e o
Espírito – v5-6. Não é coincidência, mas faz parte do contexto da apologia do apóstolo Paulo.

CULTURA E COSTUMES

Na lição anterior, em boa sequência, temos a cultura humana. No tempo do apóstolo, a sociedade era dividida em duas instituições básicas: Governo e Família. As demais conhecidas e que formavam a cultura humana: economia, religião, e ensino (que chamamos Educação) estavam nelas inseridas.

Os valores culturais básicos eram:

Honra e Vergonha (evoluídos para costumes).

A divergência e a não assimilação da cultura do mundo pelos cristãos (cf Rm 12.1-2) está em Atos 16.21, em que os romanos reclamam dessa nova visão:
‘E nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos’.

O FILHO DO PECADO

O Criador teve um Filho (de Deus), o Cristo; o Diabo imitará o SENHOR, com o seu Filho – o Anticristo.

A segunda Carta à Igreja em Tessalônica se faz necessária, pois os crentes param tudo, se mostram confusos quanto à Volta do SENHOR e Arrebatamento da Igreja, conforme 1Ts 4.13-18.

Alguns já andavam de forma desordenada, e nem mais trabalhavam, como quem ‘larga a rede’ definitivamente, pois a vida de Fé não teria mais significado (3.11). Não haveria (mais) Arrebatamento!

Havia uma fala a indicar que Jesus já teria vindo. Na mesma época, havia uma informação filosófica que influenciava muito a cultura dos povos.

Naquela época a cultura grega havia dominado o mundo de então (e até hoje sofremos sua influência). Observe-se que uma das bases dessa cultura era o homossexualismo.

PALCO PREPARADO

Essas controvérsias figuram como essência para o preparo do caminho do Inimigo. Sua base é a mentira.

O Homem do Pecado deverá concentrar toda a representação humana, em todos os segmentos sócio-cultural, econômico e espiritualista. Este agrupa todo sentimento, desejo e vazio da religiosidade humana.

Portanto, ela deverá ser um homem enigmático, envolto em mistério, místico, contextualizado, de notável capacidade

Também inteligente, com propostas concretas e soluções dos principais problemas do mundo, especialmente a questão financeira, hoje fadada ao colapso. Também deverá ter notoriedade na articulação político-administrativa e grande capacidade de empoderação.

METAS

Com o seu espírito já operando no mundo (1Jo 2.18; 4.5-6; 2Ts 1.7), seu propósito será minimizar a atuação de toda e qualquer representação divina, como Israel, uma das provas incontestável da existência divina, e a Igreja, o Corpo de Cristo e a revelação do Reino de Deus aos homens.

FORMAS

Suas formas estão fincadas no desvirtuamento doutrinário. Se a Doutrina (Regras Básicas de Crenças e Fundamentos da Fé) da Igreja for descaracterizada os crentes ficarão sem norte.

Um dos caminhos está nos modismos, na assimilação e semelhança (nem precisa ser igual) das práticas do mundo.

ATAQUES À IGREJA PRIMITIVA

Durante o tempo do apóstolo Paulo até os Pais da Igreja, a assembleia dos crentes sofreu ataques de algumas frentes, dentre elas:

1- Epicureus: Não acreditavam na imortalidade. E devia-se viver para a felicidade, o agora, com base no impulso dos sentidos, pela satisfação pelo prazer refinado, e sem sofrimento – um tipo de Hedonismo (At 17.18).

2- Estoicos: Adeptos ao Materialismo. Ensinavam que o conhecimento deixa o homem virtuoso e o capacita a viver em harmonia com a natureza, pois tudo era regido por processos naturais, a partir de um mesmo domínio universal, dando razão ao destino. O ‘tudo pelo prazer’ também fazia parte dessa filosofia, registrada em Atos 17.

3- Monarquismo: Atacava a divindade de Cristo. Diziam seus adeptos que Jesus não era divino, e que recebera poder espiritual por ocasião do batismo nas águas do Rio Jordão, por João Batista.

4- Arianismo: Também em ataque à divindade de Jesus, dizia que Jesus era uma criatura do próprio Deus.

5- Docetismo: Dizia que Jesus apenas parecia ser humano (docetismo deriva-se do grego ‘dokeo’, parecer), e que, na verdade, Jesus era um tipo de espírito.

6- Doutrina Nestoriana: Que Jesus possuía além das duas naturezas (humana e divina), também duas pessoas em um só corpo.

7- Doutrina Eutiquiana: Indicava que Jesus Cristo possuía apenas uma natureza, uma vez que sua divindade havia absorvida a sua humanidade.

APOLOGIA

A durante o Concílio de Calcedônia, em 451, definiu-se que Jesus (seu nome humano) Cristo (seu nome divino) – vale salientar -, é verdadeiramente humano e verdadeiramente Deus, com duas naturezas inconfundíveis e imutáveis, cada uma com seus próprios atributos.

Conforme nota-se, a afirmação está de acordo com João 1.1: ‘E o Verbo se fez carne’, com o cumprimento de Gênesis 3.15 (Hb 2.14-18). Pr. Mesquita.

Após pesquisa científica mostrou-se que o DNA mitocondrial
ou mtDNA é um composto orgânico presente nas mitocôndrias, e passado maioritariamente de mãe para filho na grande maioria dos organismos multicelulares. Isto ocorre porque durante a fecundação as mitocôndrias do espermatozoide são degradadas, restando somente as mitocôndrias do óvulo (Wikipédia), isto é, somente da mulher).

Ele está presente em todos os seres humanos, a partir somente da mulher, e figura como informação genética repassada de geração a geração e estabelecendo um link ou ligação, em cadeia ou sequência existencial humana.

Na década de 80, a geneticista Rebecca L. Cann, de Burlington, Iowa, professora do Departamento de Biologia Celular e Molecular da University of Hawaii at Manoa, realizou uma pesquisa envolvendo etnias de várias partes do mundo. Dentre todos, o levantamento atingiu indígenas, aborígenes e esquimós.

O resultado mostrou que todos os seres humanos vivos são geneticamente descendentes de uma única mãe, que viveu há 6 mil anos.

Após comparar o DNA dos pesquisados descobriu-se que todos os seres humanos, independente de grupos, etnias, nações ou línguas, procedem de uma única mulher. Por isto o estudo levou o nome de Eva Mitocondrial.

Sua pesquisa alinha justamente ao que a Bíblia sempre afirmou: Todos descendemos de uma única mulher: Eva, conforme Gênesis 2.18-25; 5.1-2; 10.32; 9.25-27, que ainda indica as etnias existentes hoje na Terra, a partir de

1- Sem – os semitas (supremacia religiosa, de onde saíram as três principais religiões do mundo: judaísmo, cristianismo, e o islamismo;

2- Cão – os camitas (os povos mais sofridos, incluindo Etiópia, Somália, Líbia, possivelmente assírios, cananeus e egípcios, dentre outros (sejam submetidos aos demais); e

3- Jafé – os jafetistas, os indo-europeus, com supremacia sócio econômica (‘alargue Deus a Jafé’).

“No princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn 1.1).

Este texto no hebraico é formado de sete palavras: “Beréshit bara Elohins ét hashamains veét haarès”. Ele deixa claro que o SENHOR é o Criador de todas as coisas e que “Nada do que se fez foi feito senão segundo a sua vontade”.

A simplicidade da revelação divina esbarra na complicação humana quando esta tenta desvendar o inescrutável. Cria-se caminhos que acabam destruídos pela própria inconsistência, como a cadeia de hominídeos. Peças chaves dessa fábula já caíram por terra. Foi o toque sutil na primeira peça, que acaba por desencadear a queda de todas as demais – o efeito dominó.

Para entendermos a origem de todas as coisas, podemos tomar como base peças que são criadas pelo homem, como as que são feitas de madeira. Ela teve como causa a própria árvore, embora passou a ter forma totalmente diferente, como uma mesa, por exemplo. A conclusão é que a mesa não passa de um efeito, enquanto a árvore/madeira figura como causa. Sem a madeira não haveria a mesa. A mesma ideia está no silogismo da Criação: Nós somos o efeito; Deus é a causa; logo, Deus é a Verdade.

Como diz Paulo em Romanos, 17.24,26: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo SENHOR do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens… E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação”. Ainda o profeta messiânico Isaías diz: “Buscai no livro do SENHOR, e lede. Nenhuma destas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha própria boca o ordenou, e o seu espírito mesmo as ajuntará”, 34.16. A despeito de tudo isso a plena confiança no Criador é o bastante para crermos em suas obras, pois “Pela fé, entendemos que os mundos (universo), pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”, Hb 11.3

Cremos que o SENHOR estabeleceu as coisa pela ordenança de sua boca: “Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu”, Sl 33.9.

No processo do método do filósofo e matemático René Descartes (1596-1650), nascido a 31 de maio de 1596, em Turena (França), fundador da filosofia moderna, o cogito ergo sum (penso logo existo) é o resultado da dúvida metódica que alcança a verdades inquestionáveis. Assim, o “penso logo existo” é uma certeza inequívoca de onde parte todas as outras certezas. 

É a filosofia da causa e efeito que esclarece a penso logo existo e não o contrário. Assim, a ideia de Deus (Infinito, Todo-Poderoso) não poderia ser adquirida em nenhum lugar, pois de onde extrairíamos uma ideia como está se é tudo é limitado? Desta forma, Descarte acreditava, e provou com seu método, que se cogitamos um Ser com esses atributos é causa desde mesmo Ser.  

Narrativa da Criação

Embora o versículo 2 afirma que “a terra era sem forma e vazia…”, o que nos leva, às vezes, à ideia que existe uma grande separação entre os versículos 1 e 2, Isaías afirma: “Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR e não há outro”, 45.18 (o grifo é meu).

(…). Na verdade, a interpretação mais provável é de que está implícita entre os versos 1 e 2 a narrativa natural da Criação. Desde o primeiro versículo até o último está contida a Criação de todas as coisas, numa sequência natural e sem interrupção. No primeiro versículo está a

  1. A Criação do tempo (“no Princípio”);
  2. da energia (“criou Deus”);
  3. do espaço (“céus”);
  4. matéria (‘Terra”).

Seguimos acima a ordem sequencial do relato bíblico, mas a energia foi a primeira coisa a ser criada por Deus. E tudo fora criado para funcionar, manter-se e girar em torno do próprio Criador ou Dele depender. Ele é a própria fonte dessa energia, da Luz, do tempo… 

O versículo 2, indica a presença de uma poeira cósmica (“sem forma e vazia”). A Terra não tinha o formato que se nota depois (o globo terrestre). Os versículos 1 e 2 indicam a preparação do cenário da Criação. Já nos versos seguintes, até o quinto, após a criação da luz, temos o globo e a órbita terrestres.

Na Idade Média, Galileu foi ameaçado pela Igreja Católica Apostólica Romana porque dizia que a Terra era redonda. Sua tese contrariava a filosofia defendida pelo clero, que dizia ser a Terra em forma de uma mesa.

O desconhecimento bíblico ameaçava pessoas justamente pela ignorância, uma vez que a Bíblia já afirma, há mais de 700 anos antes de Jesus, a forma terrestre: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra…”, Is 40.22.

Criar do nada

A palavra bara no hebraico significa “criar do nada” (infinitivo). Já no português, crear figura como expressão filosófica diferenciando o “criar do nada” do criar “do que já existe”, conforme Hubert Rhoden. Neste caso a tradução seria: “No princípio creou Deus os céus e a terra”.

Podemos tomar os termos criar e crear, no português, como sinônimos do hebraico ashah e bara. Então, Deus fez o mundo do nada (bara) e formou o homem do pó da terra – o boneco –, portanto, a partir da terra que já existia. Neste caso não foi do nada, mas da terra. A expressão para este caso seria ashah. Mas quando Deus assopra nas narinas do homem e este é feito alma vivente passa a ser do nada (bara ou creado).

Alguns acham que nesta explicação reside a teoria evolucionista. Isto é, o boneco teria evoluído e se transformado em homem (ser vivente). Acontece, porém, que não houve a mutação pretendida. Primeiro: enquanto boneco, barro, o homem não existia ou qualquer outra forma de vida. Era apenas terra, pó. Não houve evolução de seres. Não havia vida no boneco de barro. Era inanimado e assim permaneceu até que Deus assopra-lhe o vento da vida. Como dizia Einstein: “Deus não joga dados”.  

Também não houve progresso, como tentam alguns, para dar sustentação inicial à Teoria Evolucionista, entre as quais dizem que o homem aperfeiçoou a fala no decorrer do tempo. O homem foi feito alma vivente – um ser vivente, com Eva. Este nome significa “mãe de vida”.

O homem foi feito corpo, com todas as propriedades que temos hoje; alma (que compreende as emoções – sentimento, pensamento, entendimento e vontade) e espírito (o sopro da vida).

 “E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro…”

Na luta para descobrir o fundamento do mundo – o que tem deixado cientistas intrigados –, a aproximação do relato bíblico acaba sendo facilmente perceptível.

A teoria do grupo de cientistas denominado Boomerang, que possui um sofisticado telescópio com o mesmo nome, estuda “o brilho emitido pela detonação que deu origem ao Universo… No início dos tempos, essa luz primordial era um farol cegante, mas só continua a cintilar no espaço extremamente esmaecida.”

Essa teoria aponta para a Bíblia. Ela diz que o Senhor criou uma grande luz: O Senhor disse: “Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas”, Gn 1.3-4.

Embora denominada Dia, a luz criada pelo Senhor não é a mesma que temos hoje, irradiada pelo sol, pois este foi criado depois, no quarto dia.

(…). Enquanto alguns tentam convencer que o mundo foi formado em bilhões de anos, a Bíblia deixa claro que tudo ocorria logo após a fala divina. “E fez Deus a expansão, e fez separação entre águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão. E assim foi”, Gn 1.7.

(…). Mas a sequência criacionista, ocorre com grandes feitos a partir da Criação do cosmo. “No princípio criou Deus os céus e a terra”, Gn 1.1. Depois se registra a escuridão (v2) quando então o SENHOR diz: “Haja luz”. É uma segunda etapa (mesmo que sequencial ou não) da Criação. E assim vai até o sexto dia. Do primeiro ao quarto dia, o SENHOR cria o Cosmos (no grego ordem) ou põe o mundo em ordem:

1) A luz;

2) O firmamento;

3) a terra seca;

4) As luminares.

Em seguida, estabelece a vida com a criação dos animais e do homem – o Adam (o terroso) e Eva (mãe de vida).

A sequência de dias na Criação

O SENHOR é a própria fonte de toda a energia. E Ele fez tudo para sujeitar-se a Ele e sofrer sua influência. Portanto, a ordem dos acontecimentos não altera a grandeza da obra divina, mas somente aponta para a dependência do Criador, como Aquele que sustenta todas as coisas, conforme Hebreus 2.8: “Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, ainda não vamos que todas as coisas lhe estejam sujeita”. A Bíblia informa: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos: ele é o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tendas para neles habitar”, Is 40.22.

O Sol e a Lua também foram criados depois do primeiro, segundo e terceiro dias. Como poderia isso ocorrer se o Sol e a Lua foram justamente criados para governar entre dia e noite? A resposta é idêntica. A luz não necessita de corpo celeste para fazer-se presente. Ela é energia, e Deus é a fonte de toda a energia.

A idade da Terra

“Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obras das tuas mãos” (Sl 102.25).

Segundo pesquisas em rochas encontradas na Groelândia, cientistas chegaram à conclusão de uma proposta de que a Terra teria entre 4,5 e 4,6 milhões de anos. Essa informação figura apenas como uma teoria, como a própria Teoria da Evolução – o mesmo que hipótese.

A realidade é que existem algumas informações científicas e reais, que não permitem essa idade tão extensa assim. Entretanto, tudo indica que é uma tentativa de arrumar tempo e encaixar a Teoria da Evolução, que precisa de muito tempo para justificar seus ciclos evolutivos.

Algumas informações científicas e comprovadas derrubam por terra essa pretensão. Uma delas diz respeito ao campo magnético que existe sobre a Terra. Essa força vem perdendo sua influência no decorrer do tempo, tanto que, se a Terra tivesse a idade defendida por evolucionistas, a força do campo magnético seria tão imensa – ou em 10 mil anos atrás –, que teria transformado a Terra em um plasma – gás rarefeito com elétrons e íons positivos livres, mas cuja carga espacial é nula.

Teses científicas

Cientista Kent Hovind, autor da série de vídeos Creation Science Evangelism, afirma, com 12 teses científicas, que o mundo não tem além de 6 mil anos, conforme a estrutura exposta na história bíblica.

Suas teses, publicadas pela revista Chamada da Meia Noite não só derrubam como mostram que a Teoria da Evolução não tem nenhum fundamento científico e figura tão-somente como uma religião.

1) Tese da População

Desde os primeiros registros, o aumento populacional do mundo se mantém estável. Se partirmos dos atuais 6 bilhões de habitantes, e fizermos os cálculos retroativos, chegaremos ao número de 4,4 mil anos. É justamente o tempo necessário para a respectiva multiplicação a partir dos oito sobreviventes do Dilúvio, até chegar aos atuais 6 bilhões. Mas se o homem já estivesse na Terra por milhões de anos, como procura provar algumas teorias, os números seriam outros. O número mínimo seria de 150 mil pessoas por quilômetro quadrado.

2) Tese dos planetas

Com os planetas perdem calor, se tivessem sido formados há milhões de anos, não mais possuiriam a temperatura interior atualmente conhecida pela Astronomia. O exemplo deixado pelo doutor Kent Hovind é que se deixarmos uma xícara de café parada durante o período de 400 anos, perderia todo o seu calor próprio.

3) Tese de Saturno

O planeta Saturno perde seus anéis, porque estes se afastam lentamente. Caso este planeta tivesse milhões de anos, o material que forma os anéis já teria se desagregado há muito tempo.

4) Tese da poeira cósmica na Lua

Passados 10 mil anos, a poeira cósmica na Lua teria alcançado em torno de 3cm de espessura, contra os cerca de 1,5cm que os astronautas encontraram. Este é o exato número para o período de 6 mil anos.

5) Idade da Lua

Como a Lua se afasta lentamente da Terra, fosse ela muito velha, como se tenta provar, no seu início teria estado tão próxima da Terra, que teria provocado marés extremamente altas, o suficiente para afogar toda a vida terrestre, duas vezes por dia.

6) Tese dos cometas

Os cometas perdem massa contínua e constantemente, durante sua viagem pelo espaço. Qualquer um deles, que estivesse viajando pelo Universo por mais de 10 mil anos, já teria se desintegrado há muito tempo.

7) Tese do campo magnético

A cada período que passa, o campo magnético da Terra torna-se mais fraco. Caso a Terra fosse tão velha, de acordo com a velocidade de sua redução, hoje não haveria mais nenhum magnetismo no planeta.

8) Tese da rotação da Terra

Com o aumento de um milésimo de segundo por dia, a velocidade da rotação da Terra – com base nos cálculos dos anos impostos pelos evolucionistas –, chegaria a incrível rapidez que as forças centrífugas resultantes jogariam a Terra para fora de sua órbita.

9) Tese do petróleo

O petróleo no subsolo da Terra encontra-se sob enorme pressão. Mas as rochas petrolíferas são porosas. Se o petróleo se encontrasse ali há milhões de anos, a pressão teria desaparecido há muito tempo.

10) Tese dos vegetais

Os vegetais mais antigos existem na Terra, sequoias e recifes de corais, têm idade máxima de “apenas” 4,5 mil anos. Mas por que não há árvores mais velhas, se a Terra já existem há bilhões de anos?

11) Tese da salinidade nos mares

O teor de sal nos mares, atualmente de 3,8%, deveria ser muito mais elevado. Considerando a atual taxa de salinidade, pode-se calcular que o sal chegou aos mares há aproximadamente 6 mil anos.

12) Tese das estalactites

Estalactites em cavernas são usadas pelos evolucionistas como prova da idade avançada da Terra. No subterrâneo do Memorial de Lincoln, porém, existem estalactites que cresceram mais de um metro em menos de 100 anos.

Estalactite é formado por “Precipitado mineral, alongado, que se forma nos tetos das cavernas ou dos subterrâneos.”

A Lua

A Lua se afasta da Terra 3,8cm por ano. Se pudesse a teoria de milhões de anos ser verdadeira, a Lua teria afastado tanto da Terra que teria provocado marés altas e ou baixas, suficientes para destruir o mundo.

Pressão da Lua

A água dos oceanos afasta a Lua, por ocasionar uma pequena diferença do eixo entre a Terra e Lua – em linha reta – que se distorce em função da massa líquida, que acaba se mostrando fora do eixo e causando uma pequena diferença.

O cálculo aceitável sobre a idade da Terra varia entre 10 e 13 mil anos, com certeza menos de 120 mil anos, porque só se registrou até hoje duas supernovas, que correspondem a menos de 120 mil anos.

O cálculo apresentado pela Bíblia é de 6 mil anos, e, segundo os judeus, considerando o tempo a partir da Criação, conforme a Torá, são 5.760 anos (set/2005).

A Teoria da Evolução é inconsistente

Com a queda de algumas teorias, que serviram para construir, também derrubaram a Cadeia de hominídeos denominada homo sapiens. Provou-se que o Homem de Neardenthal, que faz parte dessa cadeia evolutiva, não passa de um mito, a partir da falsificação de um fóssil. Teria sido ossos de um ser humano com má formação óssea. O Homem de Nebraska foi “construído” a partir de um dente, além de fraudes com o uso da técnica de envelhecimento artificial.

“Cada novo golpe de pá nos rincões da África Oriental costuma exumar mais um candidato a fóssil revolucionário, sem falar na proverbial falta de consenso entre lumpers (os cientistas que enfatizam a unidade da linhagem hominídea e juntam vários espécimes numa espécie só) e splitters (os que acham que pequenas diferenças anatômicas já são o suficiente para criar uma nova espécie)”, escreve Reinaldo José Lopes.

Alguns cientistas têm apresentado argumentos científicos que derrubam as teorias da evolução como a dos ossos do homem e do macaco, do sangue, dos artelhos e tantas outras.

A Teoria da Evolução é, no mínimo, inconsistente. Em nenhum momento da História do mundo pôde-se ver um homem-meio-macaco ou um macaco-meio-homem, ou de qualquer outro animal sob semelhante mutação. Jamais a Ciência encontrou provas concretas que pudessem provar tal mutação. O que se tem até hoje não passa de especulação (MESQUITA, Antônio – Pontos Difíceis de Entender-CPAD, 1ª edição 2006, CPAD, Rio de Janeiro-RJ).

É NATAL?!

Ao aproximarmos de mais uma comemoração da revelação do SENHOR Jesus ao mundo, nota-se algumas contradições e ambiguidades, com variação de acordo com a (loja de) conveniência, interesse pessoal, comercial, político e religioso, e não do ponto de vista da piedade.

Existe uma tentativa velada de desconstruir o real significado da revelação do Messias ao mundo, conforme preconizado pelo profeta messiânico Isaías, 7 séculos antes:

´Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto’, 9.6-7.

Entretanto, a figura do Natal nada tem que ver com um Filho, pois o que temos é a substituição da figura central por um velho, por vezes mal apresentado, no mínimo, improvisado e mal-ajambrado.

Do Principado ou Governo temos a figura de um cenobita, que reaparece de vez em quando. Quanto ao Seu caráter ou aquilo que Ele representa ser, a figura mais cortejada é inonimada e carrega somente um eufemismo, mais precisamente o agnome Papai Noel.

Concernente ao extraordinário Pai da Eternidade adotou-se o simples e ordinário Papai Noel, que não entra no coração do homem, mas sorrateiramente pela chaminé!

Carrega um pesado saco cheio de pacotes, a envergar o velhinho, enquanto o Deus Forte, promete um ‘fardo leve e um jugo suave’, sob a frase restauradora: ‘Eu vos aliviarei!’.

Do cortejo de anjos, a anunciar a chegada do EmanuEl, o ‘Deus conosco’, tem-se um trenó puxado por pesadas e chifrudas renas voadoras, e diabinhos travestidos de homenzinhos verdes apopléticos, mas agora tão dóceis…

Toda a comitiva gloriosa proveniente dos Céus, a atravessar o tempo e o espaço, agora é reconstruída pela carruagem proveniente do Polo Norte.

O milagre, o extraordinário a revelar o Deus Criador, passa a ser magia, de mágica, mandraquice…, por vezes sinônimo de bruxaria.

São formas insipientes, que tentam apagar da memória, não propriamente Jesus, mas o real significado da revelação do Messias, o Cristo. A própria singeleza de coração do Deus Conosco, sofre a tentativa de câmbio, para festas cheias de luxo, cores e exuberância, sem divorciar-se da luxúria, não retratando a mensagem do Cristo Vivo, que busca tirar o homem da efêmera existência humana, para a gloriosa Vida Eterna, a levar centenas de embriagados pela cilada dos hominhos de verde, escondidos nos bosques, ao redor da deusa Azera, na festa, à moda Dionísio.

‘Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido’, Lc 19.10.