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Archive for setembro \16\UTC 2011

Embora tenha regras bem definidas, quanto a sua base, a Igreja é um Corpo em que seu organismo pode surpreender por suas formas de apresentação ao mundo. Conforme apóstolo Pedro apresenta, ao falar dos dons: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”, 1Pd 4.10.

Isso não significa a possibilidade de alteração da base doutrinária a partir da interferência humana. Sua base é indestrutível, sólida, permanente (eterna) e imutável. Tem suas estacas fincadas na Rocha Eterna – o próprio Deus, representado em Cristo.

Algumas doutrinas

Suas doutrinas básicas incluem a não prática do sexo fora da união entre macho e fêmea – o casamento; a não ingestão de carne sufocada (com sangue), pois o sangue representa a alma animal (de animus, vida animal), conforme Levítico (“Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma”, 17.11,14; Dt 12.23; Ec 3.20-21; At 15.20); a preservação da vida, portanto, não se aprova o aborto; a reprovação da idolatria (At 2.20,28-29); a não consulta a mortos (“Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?”, Is 8.19; “E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores”, At 16.16); a doutrina da Unidade divina: há um só Deus (“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”, Mc 12.29), em 3 pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo (“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um”, 1Jo 5.7). A Palavra é Cristo: João 1.1,14; Mt 28.19; Ef 3.14-19; 1Co 6.11; 2Co 13.13; Gn 1.26 etc.

Pedrinhas, Pedras e a Rocha

Sua base está bem definida em Cristo – a Rocha: Dt 32.4,18; Is 44.8 –, com a construção de pedras, a partir dos Profetas, passando pelos decretos dos 12 Apóstolos (Ef 2.20; At 2.42; 16.4, bem por isso, únicos (cf Gl 2.9). Cristo é a base principal, a petra, isto é, uma rocha sólida e os seus fiéis pedras lavradas, lithos, no grego, conforme 1Pedro 2.5, enquanto Pedro é petros, uma pedra solta, lasca…

As pedras lavradas – pedras vivas – conforme 1Pedro 2.5, são os fiéis, membros do Corpo de Cristo, também edificadores da Igreja, no sentido de enlevo espiritual e formados casa para habitação divina: “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”, Ef 2.21-22.

Porém, retratando o que dissemos na introdução, ninguém pode interferir por projetos próprios ou capacidades humanas, sob o pretexto de pretensa melhora construir outro edifício, conforme alerta apóstolo Paulo: Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.  Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”, 1Co 3.7-10.

Após crescer e ter sua influência cooptada por homens, primeiramente fiéis, mas, depois, embriagados pelo poder, que se lhes não pertencem, a Igreja do Senhor passou a ser alvo de espertalhões. Eles vêem nela um meio de vida e não a Vida inteira em Cristo. Para que se perpetuem no poder e ter seus intentos absorvidos, aceitos pela membresia, eles tentam desconstruir o que fora preestabelecido pelo Senhor. Então, se alinham aos homens naturais, com objetivos iguais: tratamento com desdém à doutrina de Cristo.

Sentam em cima de cadeiras douradas, em momentos humanos de glória – já em posse e seu galardão, sem restar mais nada a receber –, ficam na porta do Céu, a exemplo dos fariseus; não saem e tampouco permitem que outros entrem.

Em verdadeiros conluios, com os que leem a mesma e nova cartilha, cegados pela glória vislumbrada pela visão humana, deliciam-se com as honras humanas e as belezas que o mundo temporal resplandece como se oferecessem para ocupar o lugar de Jesus na tentação, ao escalarem o pináculo do Templo, para a aceitação do que o Diabo ainda oferece: Toda a glória do mundo.

E para que tudo isso lhes ocorra, precisam alterar os rumos deixados por ‘seus pais’ – tão recentes – com a desregulamentação de leis pétreas, que regem a Igreja do Senhor.

Riqueza à mostra na barriga

Numa delas, o Senhor estabelece que o discípulo não deve deter riquezas: “Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos”, Mt 10.9. Já prevendo que os orientais detinham uma bolsa pregada ao cinto, para carregar moedas e que a dependência da riqueza esvazia a crença e a fé, Jesus alerta para que seus discípulos não transportem à cintura, moedas de ouro, de prata e nem mesmo as menores de cobre, exceto o bordão, pois deveriam viver inteiramente na dependência da providência divina.

Paulo, o apóstolo, já enfrentava o desvirtuamento das bases cristãs e alerta, com vistas ao seu futuro, quadro muito vivo hoje:

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade”, 1Tm 3.1-7.

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Os gálatas eram os descendentes dos gauleses que habitavam a região desde a segunda metade do século 3aC e conduzidos por migração até à Ásia Menor onde se fixaram entre a Capadócia e Ponto, nas regiões citas. Também indica a Província Romana da Galácia – que além da Galácia, compreendia várias regiões da Ásia Menor –, localizada ao norte da Paflagônia e parte de Ponto, ao sul da Psídia, Lacônia e parte da Frígia.

Alguns defendem que a carta fora escrita na segunda viagem missionária do apóstolo. Eram descendentes dos bárbaros, mas a carta, além de apologética, é considerada a Carta Magna da Liberdade Cristã, conforme 1.8-9; 2.15; 3.26-29; 4.9-10; 5.1.

Parte dos gálatas – os meridionais – foi evangelizada pelo apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária, conforme Atos 13.13-14: “E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se”. No entanto, não se tem informações da doença do apóstolo, relatada em Gálatas 4.13.

Nas segunda e terceira viagens missionárias do apóstolo, a referência que se tem indica que Paulo percorreu tais regiões: “E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia”; “E, estando ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia, confirmando a todos os discípulos”, At 16.6; 18.23.

Tudo leva a crer que a indicação da Carta aos Gálatas refere-se aos gálatas setentrionais da Galácia outros a parte meridional da Galácia romana, como na referência de Gálatas 2.1-2: “Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão”.

Por outro lado, o motivo da carta foi à conversão de cristãos provenientes do judaísmo e legalistas. Na igreja na Galácia estes judeus anunciavam que práticas judaicas, ditas na Lei, como a circuncisão deveriam ser observadas para que a salvação pelo Messias pudesse ter efeito, como relata-se em Atos 15.1: “Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos”. Também, como forma de fundamentar seus ensinos e eliminar qualquer oposição aos mesmos, esses cristãos-judeus jogavam dúvidas quanto ao apostolado de Paulo, ao afirmarem que o Apóstolo dos Gentios não havia recebido o apostolado direto de Cristo e, que, portanto, não se alinhava aos verdadeiros apóstolos. Dado a tudo isso, a crença e fé da comunidade daquela região, corria sérios riscos. Porém, o apóstolo não demorou a dar a resposta e ir ao encontro àquela igreja e ensiná-la combatendo tais heresias e acusações, ao escrever a epistola (carta) aos Gálatas. Nela o apóstolo não só refuta as acusações como mostra a verdadeira doutrina cristã, conforme fundamento dos apóstolos:

“Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde”, Gl 2.12-21.

Paulo defende a atualidade da Graça e a inutilidade da Lei para a Salvação. Semelhante a Romanos, ela está inserida ao seu lado, não obstante terem sido emitidas com um ano de diferença. Já na introdução, Paulo mostra ser apóstolo do Senhor (enviado), por decreto divino e não de homens e ainda destaca a deidade de Cristo, apresentando-o ao lado de Deus e Pai (1.1-5).

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