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Archive for janeiro \30\UTC 2014

Prega-se muito sobre a morte do rei Uzias, como referência de mudança de liderança geral para dar lugar à ação divina. Parece-me que isto é real. Os reis sempre tiveram total liberdade entre o povo para fazer e desfazer, inclusive no que dizia respeito à adoração ao SENHOR, no caso de Israel.

Na época em questão, cerca de 740aC, o Reino Sul, de Judá, com capital em Jerusalém, vivia sob os riscos das heresias desse rei. Mas, não obstante, a predominância geral da falsa religiosidade imposta por Uzias, sob crítica do profeta messiânico Isaías (1.1-18), nem sempre Uzias agira assim.

Embora sua morte asfalte a entrada em cena do profeta Isaías, conforme 6.1: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao SENHOR…”, o 10º rei de Judá fora de nobreza notável à vista do povo, por muitos anos. Do hebraico Uzziyah e do grego Ozias-Ozeias, seu nome significa “Jeová é (minha) fortaleza”.

Em 797aC, o rei estava com 16 anos de idade e começou a reinar cerca de 5 anos depois, em 792, mesmo com seu pai reinando também, de forma simultânea, até 767, pois era comum isso ocorrer, tanto no reinado quanto no sacerdócio. O pai tornava-se o representante já aprovado, mas o pai ainda permanecia junto do mesmo.

Exemplo discorrido por Jesus

Esse mesmo fato ocorre com Abiatar e Aimeleque, citados como erro bíblico nos argumentos do teólogo agnóstico, o famoso Bart D. Ehrman, em seu livro O que Jesus Disse? O que Jesus não disse?: quem mudou a Bíblia e por quê?, que refuto em Quem e por que diz que a Bíblia pode ter sido mudada?, neste blog, como segue.

Seu primeiro questionamento, a partir do momento em que seus “estudos começaram a” transformá-lo, ele escolhera a “passagem de Marcos 2, quando Jesus é confrontado pelos fariseus porque seus discípulos, ao atravessar um campo de trigo, comeram grãos no Sábado”. Jesus passa então a mostrar aos fariseus o fato semelhante ocorrido entre Davi e seus homens, quando entram no Templo “quando Abiatar era o sumo sacerdote’ e comeram o pão da proposição, que só os sacerdotes podiam comer”.

Bart continua afirmando sobre um de seus primeiros trabalhos e base de outros questionamentos, afirmando que Jesus citara 1Samuel 21.1,6, onde “vê-se que Davi não fez nada disso quando Abiatar era o sumo sacerdote, mas, de fato, quando o pai de Abiatar, Ahimelec, o era. Em outras palavras, essa é uma daquelas passagens destacadas para demonstrar que a Bíblia não é infalível; ela contém erros”, afirma o famoso teólogo e escritor.

Porém, esse argumento de Bart, base para dar o suporte ao início de seu agnosticismo, atropela a cultura de época, introduzida ao texto bíblico, quando um nome ou data é alternado por outro – do pai pelo filho, por exemplo, sem prejuízo à ideia principal. A pretensa “falha” também é gritante e pode ser detectada no primeiro esforço de busca pelo sentido da mensagem.

Confrontado pelos fariseus em função de seus discípulos comerem grãos no sábado, conforme Marcos 2.3-28, segundo Bart, a afirmação do Senhor Jesus destoa, do texto referência no Antigo Testamento (1Sm 21.1-6), “quando Abiatar era o sumo sacerdote”, porque o sumo sacerdote em exercício era o pai de Abiatar, Aimeleque.

Em primeiro lugar, deve-se levar em conta que o foco principal do texto não está atento aos fatos narrados, mas sim ao ensino de Jesus, que Bart enuncia: “Jesus quer mostrar aos fariseus que ‘o Sábado foi feito para os humanos, não os humanos para o Sábado”’.

Embora Bart tenta usar este fato para desacreditar a Bíblia, conforme comentário de rodapé da Bíblia de Genebra² “… foi Aimeleque, pai de Abiatar, que deu a Davi o pão consagrado. Contudo, Abiatar certamente estava vivo e, talvez, presente quando ocorreu o incidente referido. Portanto, ‘no tempo do sumo sacerdote Abiatar’ é frase rigorosamente certa. É provável que Jesus tenha referido a Abiatar porque ele era bem conhecido como um dos defensores de Davi” (o grifo é nosso).

Fatos semelhantes ocorrem com relação a datas e nomes, conforme a questão envolvendo os reis Roboão e Zedequias.

O período do reino dividido de Judá é de 345 anos (931-586) e neste período os reis de Roboão e Zedequias governaram 382 anos?

A sua dúvida se prende à questão da continuidade dos reinos. Na maioria dos casos, o reinado passava de pai para filho. Acontecia também que filhos passavam a governar paralelamente ao pai, isto é, governavam, mas o pai ainda continuava no trono. Então um entrava na contagem do outro.

Auge de Uzias

Durante a co-regência com seu pai Amazias, Judá experimentou grande desenvolvimento, período em que Uzias aprendeu com seu pai. Mas também foi diferente do pai e, portanto, querido do povo, como relatado em 2Crônicas 26.1: “Todos tomaram Uzias e o fizeram rei”, embora seu pai ainda vivesse.

Uzias destacou-se como general com a reorganização e reestruturação do exército, com efetivo bem treinado e ampliado, além de construir armas sofisticadas para a época, como catapultas e máquinas para escalada de muralhas. A partir de então, derrotou cidades-reinos dos filisteus, como Gate, Jabne e Asdode.

Com suas conquistas e construção de fortalezas, Uzias ganhou o respeito de seu povo e de outros reinos. Também incentivou a principal tendência econômica da época, a agricultura e ainda construiu sistemas avançados de cisternas, por meio de torre de escavação (2Cr 26.4-15).

Orgulho e exaltação

Como o fim deve ser melhor que o princípio e a manutenção do sucesso o grande triunfo não alcançados por todos, Uzias, notável líder, criativo e estrategista, “exaltou o seu coração até se corromper” (2Cr 26.16), a mesma exaltação, citada pelo rei Salomão, em Provérbios, que precede a queda.

O ápice de seu orgulho foi o de confrontar o sacerdote Azarias, ao transgredir a Lei de Moisés (Nm 16.40), e tomar para si o direito de oferecer incenso no altar do Templo de Jerusalém, função exclusiva dos sacerdotes, da ordem do sacerdócio aarônico, com versão neo-testamentária conforme Hebreus 5.4.

Embora os reis detivessem privilégios à semelhança dos sacerdotes, não possuíam a unção exclusiva e sacerdotal, pois semelhança não é o mesmo que igualdade.

Sua atitude de orgulho e desprezo ao sagrado custou-lhe uma lepra e o enterro fora do memorial dos reis, após viver totalmente isolado.

No mesmo ano de sua morte, o SENHOR levantou o profeta, cujo nome se traduz “O Senhor é Salvação” (Auxílio ou Ajuda): Isaías.

Todo o cuidado é pouco!

No Novo Testamento, além da passagem a indicar que ninguém toma a honra do ministério para si, senão aquele que é chamado pelo SENHOR (Hb 5.4), temos o ensino do SENHOR sobre o acerto de contas da administração eclesiástica: “Dá-me conta da tua mordomia” (Lc 16.1-2).

Por fim, ilustramos esta mensagem textual com o sistema japonês de controle de produção, o Pocayote, conhecido como ‘A prova de erros’, antes ‘A prova de tolos’. Desse desenho, com vistas à marca zero de erros, temos a guilhotina manual – quem já foi gráfico a conhece bem –, que deve ser operada com as duas mãos, como forma de não incorrer no risco de cortar uma delas.

Tudo acaba com a vaidade quando não construímos com vistas ao Reino, isto é, sempre tendo como meta aquilo que fica, que permanece. Como diz o apóstolo dos gentios: “Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer”, 1Co 15.56.

Obs: Com a devida alteração, bem detalhada, ainda que tardia, por problemas de acesso à página (trecho retirado), quanto à datas, por meu irmão, amigo, exímio profissional, notável seguidor de Cristo e ex-gerente de Produção da CPAD, Ruy Bergstén. Ruy é filho do saudoso e honrado missionário sueco, da segunda leva de pioneiros das ADs no Brasil, Eurico Bergstén.

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