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Archive for setembro \29\UTC 2013

nicodemos-jesus-novo-nascimentoTexto base: João 3.3-8:

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

I – Gerados

Por meio do Novo Nascimento em Cristo, o homem foi regenerado e torna-se filho de Deus, conforme João 1.1-12:

“No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no Princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da Luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da Luz. Ali estava a Luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”.

II – Salvos por revelação (eleição divina)

Todos os que receberam o Senhor Jesus por revelação divina (“Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos”, Mt 22.14 (Ef 1.5 e 1Ts 1.4) são especiais e mantem a diferença em função de terem sido gerados diretamente pelo Espírito, sem nenhuma interferência humana:

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”, Jo 1.13.

Sendo assim, não é difícil notar a diferença entre os filhos da Luz e os das Trevas (cf Ef 5.6-8), pois assumem postura, diante da sociedade, totalmente diferente com cidadania pautada pelo diferencial cristão.

Esta postura se registra na Epístola de Tiago 1.16-18:

“Não erreis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas”.

Este texto remete para o objetivo da Carta toda, conhecida como exemplo de ‘paraenesis’, no grego indica ‘ensinamentos éticos arraigados em crenças e valores religiosos’.

“Não erreis” não é frase dirigida ao mundo, ao homem profano (em oposição ao sagrado), mas ao crente.

corrupcao1Nele não há espaço para ‘jeitinhos’ e formas humanas, corrupção de todas as formas e segmentos, como o desvio de verbas públicas, ostentação, presunção, orgulho etc.

Pretende a carta fazer com que o cristão assuma a postura de ‘influenciar e dirigir comportamentos e fundamentar ações dentro de uma compreensão de mundo e de sua ação-participação dentro dele’.

Tiago, irmão do Senhor e o líder da Igreja Primitiva, conforme vemos no Concílio (Convenção) de Atos 15, busca a mudança de comportamento de seus leitores e a principal atitude é a de condenar as más obras no que diz respeito tanto por meio de comissão quanto por omissão. Quando o crente também se omite, peca!

Porém, isto não quer dizer que o cristão sairá por aí fazendo justiça entre os homens ou por meio de homens, mas mostrar sua postura de condenação, de não aceitação de coisas erradas e ilícitas, ou ainda associar-se a tais pecados.

Na carta, Tiago mostra a diferença entre o sagrado e o profano*, a demonstrar que a obra do Senhor não tem condução de estruturas humanas, políticas, mas divina. Ele indica a existência de sabedoria animal (humana) e até a diabólica, mas que nada tem que ver com a sabedoria do Alto, isto é, a espiritual:

“Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz”, Tg 3.14-18.

Nisto tudo pode-se fica evidente que o cristão (literalmente seguidor de Cristo: de seus ensinos e tendo-o como Deus e único intercessor), mesmo enquanto restrito ao tabernáculo humano ou na carne, assume a natureza divina (2Pd 1.4), indicada pela semente da Palavra, a gerar um ser espiritual, com, inclusive, novo nome Ap 2.17; 3.12.

Assim sendo, o cristão não torna-se propriamente um super-homem, um herói** mas um homem fraco (no que diz respeito aos domínios da carne) e um novo ser fortalecido acima de matéria em Cristo, pois o espírito suplanta a matéria em tudo.

*Profano é tudo o que é secular e não sagrado, isto, consagrado ao Deus. **Herói – Deriva-se de Heros, semideus no grego e diz respeito a homem com poderes extraordinários, por meio de atos de guerra. Na Bíblia, temos uma ilustração bem próxima quando trata de Herodes, uma vez que também pode falar de homem de destaque público, que atrai para si a atenção. 

Os povos antigos acreditavam que muitos homens possuíam características divinas. Vemos isso na cultura grega, em especial. Mas também os líderes de muitos povos outorgavam para si tais títulos como os faraós e césares. Estes homens tentavam sempre apresentar em público como protagonistas de fatos mirabolantes e de atos divinos.

Essa tendência humana de buscar referência em um ser híbrido, meio homem-meio deus, sempre esteve presente na história da humanidade. Fatos extraordinários tendem a ser divinizados para que a busca possa satisfazer o ímpeto humano. Os próprios gregos admitiam que deuses geravam filhos entre humanos, como o caso de Apolo, que se apaixona por Medéia e outros do Panteão grego.

Um deles diz respeito a Hércules que, ainda bebê, teria estrangulado uma cobra em seu cesto-berço. Isso rendeu-lhe a fama de poder extraordinário e de semi-deus, como filho de Zeus (MESQUITA, Antônio, O Mundo das Palavras, Campo Grande (MS), Editora Néteser, 2012).

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Texto base: João 3.3-8:

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

INTRODUÇÃO

Este vocábulo usado para tratar do Novo Nascimento do homem em Cristo, indica ser gerado novamente. A própria palavra indica isto: O prefixo RE, fala de repetição, nova ocorrência; GENE, diz respeito à genética, isto é, a mensagem no código genético a indicar a origem ou as características do indivíduo, conforme sua ascendência – seus pais; e o sufixo (final da palavra), completa a ideia, que o vocábulo carrega ou o período verbal.

Fosse o tempo do verbo o gerúndio, a indicar uma ação contínua e neste caso seria regenerando, diríamos que essa forma demonstra a santificação. Ela funciona de forma contínua, a cada dia, como diz Provérbios 4.18: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Este versículo indica a forma contínua da santificação.

I – NASCER DE NOVO

O nascer de novo é operado pelo Senhor, por meio do sopro do Espírito: “O sopro sopra onde quer”, do grego ‘pneuma pnei’ ou do latim ‘spiritus spirat’. Portanto, o nascimento em Cristo (RE-nascimento) é tão glorioso e não menos ‘misterioso quanto ao vento que sopra’.

O nascer da água e do espírito lança para a ideia da Grécia antiga, em que a água era matéria-prima de todos os elementos físicos, que constituem o mundo e o nosso corpo. Faz, portanto, alusão ao nascituro que surge da bolsa aquosa no ventre materno.

Tem-se a sombra no cego Bartimeu que, a partir do momento que passou a ver jogou a capa (de cego) fora e seguiu Jesus. Os que não enxergam a Salvação em Cristo – tão somente Nele e por Ele (cf 1Tm 2.4-6) – são os que têm os olhos cegados pelo Inimigo:

“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure”, Jo 12.40. 

II – OPERADO POR DEUS

O Novo Nascimento em Cristo não é algo em que o homem tem participação decisiva, pois é operado pelo próprio Deus. O homem é alvo da Graça (favor divino), conforme Efésios 2.8-9.

A ação divina para o Novo Nascimento está descrita também em João 1.12-13: 

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

Não há ação humana, assim como ocorreu com Miriam (nome hebraico da mãe do Senhor). A conceição do Senhor Jesus foi por obra do Espírito:

“Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”, Lc 1.30-35.

Da mesma forma, a semente plantada em nós –

“Esta é, pois, a parábola: A semente é a Palavra de Deus” (Lc 8.11).

Gera a Vida no Espírito em nossa existência (humana), já a indicar a Eternidade em Cristo.

III – REDENÇÃO

No caso da Redenção, cf 1Tm 2.6, (de redimir, resgatar por determinado preço), fazemos parte ativa, pois na Redenção incluí-se a:

Conversão a indicar a mudança de rumo, de meta, caminho, a partir de nosso desejo, interesse. É sinônimo de arrependimento e “implica em ‘mudar de atitude, de procedimento, de parecer; voltar atrás em relação a compromisso assumido’. No grego é metanóia, que significa mudança completa de direção; meia-volta (MESQUITA, Antônio, O Mundo das Palavras, Campo Grande (MS), Editora Néteser, 2012).

Sobre tal discrepância entre o mundo, as coisas temporais e os fatos espirituais e eternos, Einstein disse: “Do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, porque estes vêm de outra região”.

Santificação. Literalmente separado (do mundo). A santificação não diz respeito a somente coisas e fatos notada mente mundanos – sempre com a medida entre o sagrado e o profano –, mas inclui-se também elementos que vivem à sombra da Igreja e não correspondem à separação, como está escrito:

“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”, 2Ts 3.6. Leia também 1Coríntios 1.10.

Perseverança

“Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”, Lc 13.24.

IV- ADOÇÃO

A Salvação em Cristo é operada por meio da adoção, conforme Efésios 1.4-7:

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça”.

Na adoção não passamos a ser filhos adotivos, mas adotados, a demonstrar um processo concluído com filiação definitiva (cf Jo 1.11-12). Nela, a partir da semente gerada em nós (pela Palavra), passamos a fazer parte da família divina, em função da ‘linhagem genética divina’ e a assumir a própria natureza celestial, com a renúncia da humana e terrenal (2Pd 1.4 e Jo 17.21-23).

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