Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Reino de Deus’

Senti-me compelido a escrever este artigo depois de ler a carta de um leitor desta revista, que teceu comentários a respeito do artigo O arrebatamento da Igreja, por mim escrito meses antes. Achei que o artigo estava fraco e sem profundidade. Após a publicação fiquei me cobrando. Na carta o irmão diz, que ao ler o artigo, sentiu a presença do Espírito Santo, foi renovado e passou a falar em línguas. Nem por isso mudei a minha idéia, mas pude perceber o que o Senhor realiza, quando temos propósitos naquilo que fazemos. Mesmo quando a nossa pequenez é notória, o Senhor manifesta a sua grandeza, para glória de seu nome.

Não pretendia falar tão cedo sobre o mesmo assunto. Entretanto, o Senhor revelou-me algo para minha edificação, e, ao passar para o arquivo, comecei a engrossar as informações, pela graça do Senhor.

Um dia minha mente se abriu, e passei a compreender a relação do casamento  e o mistério do arrebatamento da Igreja, conforme ensino do apóstolo Paulo, em Efésios 5.31-32.

O mistério do casamento dito pelo apóstolo, cremos estar ligado à atração natural da mulher pelo homem e vice-versa. Do homem ela saiu e para ele quer voltar; enquanto o homem busca esta realização; do mesmo modo como saímos de Deus e para Ele queremos voltar. Nisto temos o mistério do arrebatamento comparado ao do casamento. Pela união conjugal o homem é arrebatado do abrasamento para uma vida sem paixões carnais.

A Bíblia fala ainda do casamento mostrando o varão (macho), unindo-se à varoa (fêmea), formando os dois uma só carne (homem-Adão). “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”, Gn 1.27.

Ao ser criado, o varão precisava completar-se na mulher, que dele saiu, e para ele volta. “Portanto, deixará o varão a seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”, Gn 2.24.

No sexto dia, o Senhor conclui o círculo da Criação. E como dizia meu professor de Escatologia, pastor João de Oliveira, o 6 é o número do homem. É divisível e multiplicativo.

Este círculo nos remete para a idéia de conclusão, de completo, de obra final.

O mesmo acontece em relação à Igreja. Quando o círculo se fechar, e a obra de restauração do Senhor se completar, no resgate da Igreja, o mistério será revelado.

Tudo isso não pode ser compreendido pelo homem carnal ou natural. Os que não alcançam a revelação da promessa divina, vivem na superfície, fazendo da obra do Senhor um comércio. Sobre estes Paulo alerta dizendo que são “privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho e ainda… Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”, 1Tm 6.5 e 2Tm 3.5. A fé não é para todos. Muitos são chamados, mas os escolhidos, são poucos.

Retrato 

A essência divina que está em nós é o espírito, soprado no homem, que permanece e é eterno, enquanto a carne volta ao pó. Ele efetua a materialização do caráter, e por ela o homem constrói o tabernáculo ou corpo para a eternidade por meio de suas obras. Para que isso ocorra, o vaso de barro deve portar a excelência do poder de Deus, e não da carne (2Co 4.7).

No caminho desse processo de restauração, “gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação que é o céu”, para que a carne, que se acaba, seja absorvida pela vida (5.4), derrotando a morte, pois seria uma contrariedade ter a Vida e morrer. O Senhor deixa bem claro que quem receber a Vida (crer Nele), ainda que esteja morto, viverá.  Por isso, “desejamos deixar este corpo, para habitar com o Senhor”, 5.8.

O Senhor diz: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”. Daí a necessidade do novo nascimento, com o segredo do vento que assopra (pnei pneuma), ouve-se a sua voz, “mas não se sabe de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”, Jo 3.6-8.

Assim como o homem deixa a seu pai e a sua mãe para se unir a sua mulher, para serem uma só carne (Ef 5.31), taxado por Paulo como um grande mistério, e refletindo a sombra da união da Igreja a Cristo; o homem precisa despir-se de seu corpo natural,  para revestir-se do corpo espiritual, refletido pela sombra do material, pelas obras nele, para edificação do tabernáculo ou corpo eterno.

Como para a eternidade não se leva obras carnais, assim como o homem deixa por completo sua família, formando outra com a esposa, tudo o que conquistamos na terra passará pelo fogo. As obras humanas, de palha ou madeira, serão queimadas. Mas ficarão as de metal, prata e ouro. A madeira, que simboliza as obras humanas, pode ser usada para a sustentação das obras espirituais, mas não subsistirão ao fogo.

Temos o exemplo na construção da Arca da Aliança. A madeira acácia – por ser dura e resistente, rechaça a presença de traças –, foi revestida de ouro. Quando a madeira sai, o ouro, embora oco, fica e mantém o formato. A madeira dá lugar ao ar – o vento. Lembra-se do “vento assopra onde quer…”?

Cumpri-se então o segredo dito por Paulo, que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus. “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos arrebatados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”, 1Co 15.52-54. 

*Artigo Publicado na Revista Pentecostes (CPAD) – maio/2000

 

Anúncios

Read Full Post »