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Posts Tagged ‘Ronaldo Rodrigues de Souza’

Admirável o esforço e a tentativa de se provar o improvável. Ora, por que tanto investimento humano numa coisa tão simples e fácil de entender entre o que pode, deve, conforme preceitos bíblicos, o que a AD acata e em quais circunstâncias? A intensidade é tamanha que o amado colega, por quem sempre nutri notável respeito e o reitero aqui, chega a agredir, quando apela à Inquisição.

Qualquer pessoa, com o mínimo de inteligência percebe o esforço hercúleo empreendido para desmerecer o que é fato. É só ler o artigo, no qual o amado não esconde a incumbência de caçar, a qualquer custo, fato idêntico, quiçá semelhante. De que valeu toda a exacerbação se o fato permanece incólume?

Dentro do mesmo espírito poderia taxá-lo de João Tetzel, aquele que, patrocinado pelo papa tentava a qualquer custo impor a Indulgência… lembra-se: “Ao tilintar da moeda no fundo do cofre, salta a alma do purgatório para o Céu!” Mas não o farei em respeito ao nobre colega.

Vamos manter o nível, a que sempre inseri o nobre obreiro do Senhor. Pense: estamos discutindo uma questão que envolve a doutrina bíblica, que no artigo anterior mostramos o que está claro na Bíblia e o que é aceitável, porém, quanto à legalidade do corrido e àquilo que a AD estabelece, não!

A excepcionalidade da Resolução

A Resolução da CGADB não dá respaldo ao fato discutido, conforme segue: “Esta convenção reconhece unicamente como regra de sua fé, a ser obedecida, a Bíblia Sagrada. Assim sendo, resolveu adotar como regra geral, onde houver trabalho do Senhor já firmemente estabelecido, que a Ceia do Senhor, o batismo e a unção de enfermos sejam feitos pelos que foram consagrados para o ministério e o ancionato. “Entretanto, nos lugares onde o trabalho estiver apenas iniciado, ou onde o mesmo esteja pouco desenvolvido, o pastor com a igreja do campo podem autorizar a fazê-lo um dos membros que tenha um bom testemunho. Na falta do pastor, o ancião por todos reconhecido como tal pode substituí-lo.” (o grifo é nosso).

Precisa de comentário?! Vamos repetir: “…nos lugares onde o trabalho estiver apenas iniciado, ou onde o mesmo esteja pouco desenvolvido, o pastor com a igreja do campo podem autorizar a fazê-lo um dos membros que tenha um bom testemunho.”

Essa Resolução, no esquecimento por questões obvias, retrata circunstância, que embora em desuso, mantém-se, obviamente. Na época, havia sim a necessidade e por isso ela foi editada. E hoje? Será que temos os mesmos problemas quanto à ausência de ministros. Só para ser ter ideia, naquela época, os pastores assembleianos poderiam ser enumerados ou reunidos em pequeno espaço, enquanto a novel igreja crescia de maneira a perturbar a razão. Mas, atualmente, somente na última Convenção foram mais de 15 mil ministros inscritos! Mesmo assim, o texto realça a circunstância e o ‘obreiro-leigo’ teria de submeter-se à prévia análise do pastor e não sem antes também passar pelo crivo da própria igreja: “…o pastor com a igreja do campo podem autorizar a fazê-lo…”.

Dissemos, repito, que não se tem na história da Igreja e da AD no Brasil registros (sabidos) de leigos terem batizado, à semelhança do caso apresentado. Pode até haver fatos desconhecidos, perdidos, isolados, não sabidos etc, conforme o nobre colega tenta espremer, como ações isoladas, divorciadas de normas assembleianas. Entretanto, o que está em discussão é algo oficial, sabido, expresso, conhecido, com divulgação nacional, como se a pessoa estivesse acima de toda e qualquer decisão. Essa iniciativa de quem sabia o estava fazendo é que preocupa. Afinal, alguém pode deter o privilégio de estar acima das normas, enquanto todos a elas se submetem?

Também não disse que não havia resolução sobre isso. Ao se firmar tanto na resolução o irmão se esqueceu disso. A Resolução não mostra o que está em discussão. Ainda que a norma tenha sido instituída, conforme base bíblica, exposta em nosso artigo anterior, estamos discutindo o fato, o registro, o acontecimento.

Apelo às vaidades

Por outro lado, a Resolução fortalece a nossa tese: em casos específicos, sem a presença de um pastor; em extremos… Separe as coisas Ora, não seria mais fácil o nobre ministro indicar o reconhecimento da falha… Quem, ‘na mesma circunstância’, não sentiria o gostinho na garganta do apelo às vaidades? E reafirmo que nossa oposição deve se ater a ideias, projetos, fatos, pensamentos, ação, mas nunca a pessoas. A agressão pessoal é o pior meio escolhido para se tentar dissimular uma questão.

Imploro que o prezado busque neutralidade, uma vez não estarmos discutindo pessoa, mas ideia, postura, manifestação, riscos, perigos. A relevância está justamente no fato de a pessoa envolvida estar em evidência, que subentende testemunho, exemplo, ‘jurisprudência’, a partir do fato e das circunstâncias.

Depois de todo o zelo, primor, dedicação, amor, lágrimas, perseguição, sofrimento…, registrados na primeira, segunda, terceira, quarta… gerações assembleianas, que poucos da atual conseguiriam imaginar o estrago, não se pode legitimar a atitude que desfaz tudo,  num só momento! Enquanto pastor Altair Germano se esforça para apoucar os méritos dos antigos e julga suas falhas, tenta suavizar a gravidade do fato discutido.

Não é um membro ‘comum’, mas o diretor da empresa que reflete como espelho o pensamento assembleiano, ou ao menos, deveria ser. Nele está implícita toda a representatividade, confiada a ele por respeitados líderes nacionais. Pense nisso!

Limites antigos

Realmente vossa sapiência foi colocada a serviço das probabilidades. Vamos, então, tomar outro versículo de Provérbios, logo à frente, que afirma: “Teme ao Senhor filho meu… E NÃO ENTREMETAS COM OS QUE BUSCAM MUDANÇAS” (Pv 24.21). Tomo ainda a indicação de um versículo do outro imbróglio discutido na web – a Bíblia de Estudo Dake –, que no comentário de Provérbios 22.28, indica a leitura de Oséias 5.10, onde alerta: “Os príncipes de Judá, de acordo com a afirmação aqui, são como os apóstatas de Efraim. Por esta razão, as duas nações cairão”.

Leia mais

Leia o texto do colega pastor Geremias, que acompanha de perto o fato, que com racionalidade, vivência e experiência histórica, além de independência, analisa o fato, à luz do texto da Resolução, da história e da hermenêutica e doutrina bíblica.

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Batismo da AD em Juazeiro (PI), em 2008

Quando se trata de questões que envolvem a Igreja do Senhor e ainda tentativas de alterar rumos já delineados, todo cuidado é pouco. Mais ainda que cuidado, devemos buscar o mesmo zelo que incomodava Jesus, conforme vemos no caso dos cambistas do Templo. Nós assembleianos recebemos críticas dos tradicionais por nossa atuação justamente na forma litúrgica do batismo e da Ceia: “Batismo e a Ceia do Senhor são praticados como ordenanças bíblicas, mas quase sempre jogados a uma pequena parte do culto”. Dizem que priorizamos em excesso a manifestação do Espírito Santo tanto que o batismo passa a ser desprezível, ou secundário.

Todos são pastores?

Uma pessoa para batizar precisa, ao menos, saber o que dizer no momento do batismo; por que estaria batizando, quem, em que circunstância etc. Embora o Senhor abra espaço para todos, não significa dizer que todos são aptos.

Quando em Efésios a Bíblia diz que deu uns para… esta preposição enfatiza um propósito específico, um fim, objetivo, para cada um dos chamados – dentre todos – para uma missão específica dentro do Corpo de Cristo.

A Grande Comissão foi nomeada para pregar a Palavra, mas lembre-se que o Corpo de Cristo tem seus membros bem ajustados, assim como o corpo humano. O corpo é formado pelo conjunto de todos os membros, mas não são todos que falam, que andam, que cheiram, porém, em cada ação separada em si, temos o resultado milagroso da indicação de um ser único, o indivíduo.

Conforme a Bíblia Dake, editada pela CPAD, também com notas divorciadas da doutrina bíblica e esboçada pela Assembléia de Deus, o comentário de Mateus 28.9-20, corrobora com a nossa tese: “Nós temos os mesmos direitos, privilégios, promessas e provisão de equipamentos para o serviço, pelo que todos deveriam ajudar de todas as formas possíveis na evangelização do mundo, de acordo com as nossas capacidades e o direcionamento de Deus” (Grifo nosso).

A igreja não é só organismo (espiritual), mas também organização – a igreja visível (enquanto formada por humanos, “neste tabernáculo”). Ela tem estrutura legal, funcional e hierárquica, conforme se viu no Concílio de Atos 15. Todos (somente os líderes) falaram, argumentaram, mas Tiago, irmão do Senhor, teve a proeminência. A Igreja toda esteve no evento? Não!

Por conta disso, há necessidade de normas, regras que dão corpo às doutrinas da Igreja. Imagine você se cada crente saísse por aí a batizando pessoas, de qualquer jeito, forma, em qualquer lugar, por imersão, aspersão, por simbologia, pela internet etc?!

Ora, é obvio que regras podem ser contidas de exceções; que a oportunidade é criada pela circunstância; que nestes casos devem existir orientações para satisfazer tais urgências, sem que preceitos bíblicos sejam agredidos, sem que a obra sofra descontinuidade. Aliás, a Assembleia de Deus tem sido alvo de teses científicas, quando se diz da valorização a leigos. Esse é um dos fatos que aguçou a mudança de rumo da Igreja Católica Romana, provocou a implantação de determinadas aberturas conhecidas e até o plágio.

No caso bíblico, que menciona Filipe, não há falha, pois o mesmo era um diácono (e com atuação de evangelista). Nas Assembléias de Deus, por exemplo, não temos registro de leigos batizando, mas sim de ministros (evangelistas) autorizados e não consagrados como tais.

Exemplo dentro de casa

Pastor José Wellington, presidente da CGADB, ao enfatizar o valor dos costumes assumidos pelas Assembléias de Deus no Brasil, diz de uma máxima conhecida na área de Jurisprudência, quando afirma que costumes dão origem à normas e estas são transformadas em leis.

Veja que a Casa Publicadoras das Assembléias de Deus teve uma mudança de filosofia no que tange à sua administração, com respaldo bíblico. Isso ocorreu quando pastor José Wellington resolveu ‘pôr cada um em seu lugar’. Em sua administração decidiu nomear uma pessoa da área administrativa para gerir a editora e não pastores, que devem se ocupar exclusivamente da obra eclesiástica. Isto é, cada um no seu dom, “… para que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade…” (Ef 4.1-2).

Batismo na AD/Belenzinho

“Hoje pela manhã, ultimo domingo do mês de setembro, foi realizado no templo sede da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo, Ministério do Belém, presidida pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, mais um grande batismo em águas.

Batismo realizado por pastores setoriais no Belenzinho

Na ocasião, a cerimônia de batismo foi presidida pelo próprio pastor da igreja, três equipes de pastores setoriais foram designadas para efetuarem o batismo (grifo nosso)…” (Blog do pastor José Wellington).

Imagine o quanto se poderia empreender em termos de espetáculo fosse alterado o rumo e muitos membros convocados para a realização do batismo? Seria uma oportunidade ímpar e com justificativas, em função do número e de sua abrangência!

Se você tem credenciais…

No caso em discussão, tenho-o à semelhança de um policial que dá o veículo oficial para um cidadão, com as características de uma pessoa honrada, de status e como parte de contrapartida, mesmo sem que o momento exigisse tal postura, por não constituir situação de extrema necessidade. Na circunstância, o mesmo daria conta do recado, e/ou por meio de outros presentes, com a mesma graduação.

O batismo não pode ser visto como algo corriqueiro, sem importância, comum, ordinário… Ao contrário, ao lado da Ceia do Senhor ele figura como Ordenança, algo de importância a todos os membros do Corpo. Não é alguma coisa como alguém diria:

– Quer experimentar para ver como é?! Venha, experimente!

É como se o piloto de um boieng convidasse um tripulante para experimentar pilotar o avião, a 10 mil metros de altura. Caso o piloto morra, desapareça, sofra algum tipo de impedimento e o co-piloto esteja, igualmente, impedido, seria racional alguém, de preferência com um mínimo de conhecimento, tentar evitar a queda do avião.

Na ausência da audição, as mãos, os gestos por meio de caretas e sons guturais, entram em ação, mas somente em caso de necessidade, e assim por diante.

Corrupção da doutrina

Pearlman trata da organização da Igreja

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia (Myer Pearlman, Emprevan Editora, Rio, 3ª edição, 1968), livro que impulsionou a doutrina assembleiana, diz-nos o seguinte, sobre organização da Igreja: “É evidente que o propósito do Senhor era que houvesse uma sociedade de seus seguidores que comunicasse seu Evangelho aos homens e o representasse no mundo. Mas Ele não fundou nenhuma organização ou plano e governo; não estabeleceu nenhuma regra detalhada de fé e prática. Entretanto, Ele ordenou os dois singelos ritos de batismo e comunhão. Ao mesmo tempo, Ele não desprezou a organização, pois sua promessa concernente ao Consolador vindouro deu a entender que os apóstolos seriam guiados em toda a verdade concernente a esses assuntos”.

“(…). Assim como o corpo vivo se adapta ao meio ambiente, semelhantemente ao corpo vivo de Cristo lhe foi dado liberdade para selecionar suas próprias formas de organização, segundo suas necessidades e circunstâncias. Naturalmente, a Igreja não era livre para seguir nenhuma manifestação contrária aos ensinos de Cristo ou à doutrina apostólica. Qualquer manifestação contrária aos princípios das Escrituras é corrupção” (o grifo é da própria obra).

Considerações

Cremos que um cristão verdadeiro, em casos extremos, como na ausência de um obreiro poderá realizar o batismo, mas esta pessoa deve ter conhecimentos para tal e conhecer o/a candidato/a ao batismo, para ter convicção de que o mesmo estaria compromissado realmente com Cristo, e o oficiante também deve primeiro ter passado pela experiência de conversão em Cristo (cf 2Co 5.17). O simples fato de uma pessoa declarar ser cristã não dá-lhe o direito de batizar, assim como o cidadão, no gozo de sua atribuições, como direitos e deveres perante a sociedade e que, portanto, tem poder de polícia, não pode sair por aí prendendo, multando, impondo a lei. Para isso existem pessoas credenciadas e legalmente reconhecidas pela sociedade. Se os homens são organizados assim, quanto mais o Reino de Deus!

O que se leva em consideração na crítica são fatores como:

1) Oportunidade circunstancial;

2) Usurpação;

3) Exposição de poder humano;

4) Oportunidade de demonstração pessoal e de status;

5) Consciência do que é certo e do errado.

Visão do batismo e normas da Igreja Romana

Pedobatismo: herança do catolicismo romano

No caso da Igreja Católica Romana, qualquer um pode batizar (“O ministro apropriado para batizar é o bispo, mas em sua ausência, qualquer sacerdote. Em caso da falta do sacerdote, com permissão do bispo, um diácono pode batizar. E, em caso de emergência, qualquer pessoa pode batizar, derramando água sobre a cabeça e pronunciando a fórmula trinitária”.) porque o batismo para os católicos romanos tem efeitos especiais, que fogem aos propósitos cristãos: adoção; incorporação ao corpo ‘místico’ (o grifo é nosso) de Cristo; e transforma o batizando em herdeiro do Reino e ainda santifica. Para eles sem o batismo não há salvação, daí a justificativa de batizar crianças, pois é efetivado como meio “para alcançar a vida eterna”.

Da organização às normas

Existem tanto na Bíblia quanto na própria sociedade, coisas óbvias, implícitas e que não figuram em manuais. Em países de primeiro mundo, em especial naqueles colonizados por cristãos protestantes, existem costumes que são respeitados como leis. Ninguém precisa de lei, por exemplo, para saber que não se deve urinar na rua.

Dado a isso, esse assunto é pouco explorado, pois jamais existiu a necessidade de confrontá-lo ou qualquer imposição, pressão de fora, como temos nesse registro, para a alteração. A partir dessa discussão surgirão os liberais, alguns comprometidos, outros compromissados com a Palavra, verdadeiros pensadores e teólogos, além de homens zelosos e apologistas.

Qual é o apelo à mudança?

O teólogo Jaziel Guerreiro Martins, formado pela Faculdade Teológica Batista do Paraná, em sua obra Manual do Pastor e da Igreja (MARTINS, Jaziel Guerreiro, Manual do Pastor e da Igreja/Jaziel Guerreiro Martins – Curitiba: A. D. Santos Editora, 2002. 374p.), mostra não ser conservador quanto ao tema, mas afirma o seguinte: “Por tradição, os ministros realizam os batismos e os chamados ‘leigos’ acham isso plenamente natural, pois os pastores são líderes da pregação e do ensino e tomam por obrigação do ministério a celebração da ceia do Senhor e a realização dos batismos, podendo-se adicionar cerimônias fúnebres e casamentos. Entretanto, isso não quer dizer que a realização dessas tarefas seja monopólio daqueles que fazem parte do ‘clero’. Em Atos 8 tem-se o caso de Filipe que batizava, e ele não pertencia ao grupo dos apóstolos; era um dos sete escolhidos em Atos 6, ou seja, um diácono”.

Note-se que Filipe, embora não fosse membro do apostolado, era diácono, oficial da Igreja, e sua atuação foi de um evangelista, como é citado comumente.

“A igreja local é que deve ter a palavra final sobre a questão. Ela pode autorizar, se assim o quiser, uma pessoa leiga para batizar, em caso de necessidade”. O escritor cita casos de lugares distantes, outros locais onde não existem pastores… “Nestes casos, é plenamente possível que tais líderes efetuem os batismos, caso a igreja os autorize, em caráter excepcional. Entretanto, se não há necessidade, a melhor decisão é que o pastor continue realizando batismos, pois já é algo tradicional em nosso meio, e sempre que possível a tradição deve ser mantida, embora ela não seja lei nem regulamento final sobre a questão”, diz Jaziel.

Todos?

Waine Grudem, em Teologia Sistemática (Grudem, Wayne A. Teologia Sistemática / Wayne Grudem – São Paulo: Vida Nova, 1999), afirma: “…parece não haver necessidade em princípio (grifo do original) de restringir o direito de ministrar o batismo apenas ao clero ordenado.” E segue: “No entanto, surge outra consideração: já que o batismo é o sinal de ingresso no corpo de Cristo, a igreja (cf 1Co 12.13 sobre o batismo espiritual interior), parece apropriado que ele seja feito dentro da comunidade da igreja (grifo do original) sempre que possível, de modo que a igreja como um todo possa alegrar-se com a pessoa batizada e a fé de todos os cristãos daquela igreja seja edificada. Além disso, visto que o batismo é um sinal de início da vida cristã e, portanto, de uma vida incipiente na verdadeira igreja, é apropriado que a igreja local reúna-se para dar testemunho desse fato e receba amorosa e publicamente a pessoa batizada. (…). Finalmente, se o batismo é o sinal de ingresso na comunhão da igreja visível, parece apropriado que alguns representantes da igreja oficialmente designados sejam escolhidos para ministra-lo. Por estas razões, normalmente é o clero ordenado quem batiza, mas parece não haver nenhuma razão por que a igreja, de tempos em tempos, e quando parecer apropriado, não possa convocar outros oficiais da igreja… (grifo é nosso). Por exemplo, um cristão eficaz na evangelização em uma igreja local pode ser uma pessoa adequadamente designada para ministrar o batismo aos que tiverem aceitado Cristo por meio do seu ministério evangelístico.”

Batismo no Espírito Santo (agora) desnecessário

Com humildade, para responder ao colega Altair Germano, que a pedido escreveu não haver base teológica para se exigir o batismo no Espírito Santo, no caso de aprovação de um obreiro, mesmo entendendo sua situação, devo informar que além daquilo presente em nossas práticas e resultados, manuais, livros de Teologia Sistemática e ensinado em nossas escolas bíblicas, por todo o Brasil, afirmo o seguinte:

1)      A ‘força’ assembleiana sempre fora efetivada pela ação do Espírito Santo, legado do Pentecostes, da Azusa, dos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren, que custou a eles a expulsão da igreja Batista, mas empreendeu o crescimento até hoje visto;

2)      Como pastores assembleianos pregarão (a experiência espiritual) sobre batismo no Espírito Santo se não forem batizados?;

3)      Agora que ‘descobrimos que estamos errados’ (incluindo os pioneiros de primeiro, segundo e terceiro escalões), vamos abandonar essa prática e ainda pedir perdão aqueles que não foram levados ao ministério por ausência do batismo?;

4)      Qual seria então o critério daqui para frente… Vamos imitar os nossos irmãos tradicionais e nos igualar a eles no que tange a essa questão?;

5)      A separação ao ministério, conforme entendemos, não diz respeito tão somente ao caráter e dignidade humanos, mas também ao empenho espiritual, à condição de servo, à humildade, à piedade…, como parte do aprendizado, pois como diz a Palavra: “Ninguém toma essa honra para si, senão aquele que for chamado” (Hb 4.5);

6)      Ao menos, o nosso maior exemplo, o apóstolo Paulo diz-nos o seguinte: “… fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (Ef 3.7).

Posição das Assembleias de Deus no Brasil

Gunnar Vingren e Danie Berg: fiéis e honrados por Deus

A posição adotada pelas Assembléias de Deus no Brasil é o que interessa, pois sua posição é contrária à pratica de ordenanças fora do ministério. Temos isso por meio de registros, tradição e por manifestação do Conselho de Doutrina, a pedido da própria CGADB.

Pastor Antonio Torres Galvão, em seu artigo A doutrina dos batismos (1a quinzena de janeiro de 1937, pág. 5), conforme já citado, reflete a tradição bíblica, histórica e assembleiana ao afirmar ser o batismo cristão descrito em Mateus 28.19, ser “o rito de iniciação na Igreja de Cristo. Foi instituído pelo próprio Salvador. É de caráter universal, como o é toda a doutrina de Jesus, e é administrado pelos “bispos”, “anciãos” ou “presbíteros”, aos convertidos ao Senhor…”.

Manifesto do Conselho de Doutrina sobre o Movimento Grupo G-12

Dentre as críticas enumeradas pelo Conselho de Doutrina, por ocasião do aparecimento da Igreja em Células e G-12 no Brasil, publicado pelo Mensageiro da Paz (1 a 15 de maio/2000, pág. 10-11), em seu 8º item (Culto de Aproximação – ou Célula), o Conselho afirma: “O G-12, na sua formação celular, descaracteriza o modelo bíblico de Igreja, em alguns pontos, a saber: (…) c) as células têm autonomia de batizar os novos cidadãos do grupo, dentro de algumas situações, como: distância e tempo”.

Para reforçar a ideia implícita de estrutura organizada com suas hierarquias e funções específicas, aprovadas pelo Senhor, citam os seguintes versículos: “JESUS TAMBÉM FOI BATIZADO – para em tudo ser o nosso exemplo. Mateus 3.13-15 – ‘Então veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu’” e “OS DISCÍPULOS TAMBÉM PRATICAVAM este mandamento de Jesus – Atos 2.37-39 – ‘E, ouvindo eles isto, compungiam-se em seu coração, e perguntavam a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor”’ (Grifos do texto original). Onde se lê ‘células’ leia-se membros (‘leigos’).

Fotos/Crédito: www.meionorte.com; Blog do pastor José Wellington e batismopnspsocorro.blogspot.com

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Confesso que fiquei pasmo, estarrecido, estupefato e não menos triste, quando vi em plena televisão, no programa Movimento Pentecostal, pela Rede TV (dia 12), o diretor da Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Ronaldo Rodrigues de Souza, batizando uma pessoa em águas, em igreja no Rio.

Ocorre que Ronaldo nunca fora consagrado a qualquer função ministerial por não ter recebido o batismo no Espírito Santo. Na doutrina pentecostal, em especial assembleiana, todo e qualquer obreiro para ser levado tanto ao ministério quanto ao oficialato da igreja, necessita, primeiramente, passar pela confirmação do Senhor, que se dá pelo batismo no Espírito Santo.

O batismo é uma ordenança conforme doutrina cristã

Desde os diáconos a Bíblia estabelece a escolha de irmãos ‘cheios do Espírito Santo’. “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos… E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio… E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estevão, homem cheio do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé”, At 6.1-7 e ainda: “fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação de seu poder”, Ef 3.7

“Não removas os limites antigos”

Sob o título A doutrina dos batismos, um dos pioneiros assembleianos Antonio Torres Galvão, escreve no Mensageiro da Paz (1a quinzena de janeiro de 1937, pág. 5) e ensina que “O batismo com o Espírito Santo e fogo (Mt 3.11, Mc 1.8, Lc 3.16 e Jo 1.33)… também chamado ‘o poder do alto’ (Lc 24.49) ‘a promessa do Pai’ (At 1.4), ‘o dom do Espírito Santo’ (At 2.38), ‘o dom de Deus’ (At 8.20) e ‘o selo da promessa’ (Ef 1.13), implica preparo para trabalho, correspondendo à unção com azeite, mencionada no Velho Testamento e ministrada aos que eram chamados ao ministério do Senhor”.

“O batismo com o Espírito Santo é ainda uma prova da ressurreição e glorificação do Senhor Jesus Cristo. Por isso é administrado pelo próprio Filho de Deus. As condições para se receber este batismo, encontramos nos capítulos 14, 15-16 do Evangelho segundo João (…) “…apesar de pertencer à esfera terrestre do Reino de Deus é, todavia, de caráter espiritual, visto que é administrado pelo próprio Senhor Jesus Cristo. O quarto faz parte da nossa disciplina e experiência, a fim de que sejamos aptos para toda a boa obra (2Tm 3.17)”.

Nunca se teve notícia, nem na história bíblica e muito menos na da assembleiana de um membro da igreja batizar outro. Será que os padrões assembleianos serão desprezados? Que o legado deixado por nossos pioneiros será jogado às traças? Isso é um verdadeiro absurdo e por isso não pude deixar de expressar-me, pois trata de ataque à base doutrinária e, sem ela, seríamos reduzidos ao Movimento G-12. Desde o princípio, a partir da escolha dos apóstolos, está patente o selo do Espírito: “…veio sobre eles o Espírito Santo e falavam em línguas…” (At 19.6) e ainda sobre a direção da escolha: “… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28).

Relapso

A quebra de paradigmas que representam o vigor da doutrina cristã reflete o relaxamento da nossa identidade e a perda de representação e respeito adquiridos ao longo desses 100 anos. A Assembleia de Deus no Brasil sempre recebeu o respeito pela representatividade, que ocorre pela preservação e proximidade da doutrina genuinamente cristã.

Sabedor das diretrizes doutrinárias bíblicas, Ronaldo fez questão de inserir sua imagem batizando uma pessoa em águas, uma vez que a palavra final de cada edição do programa (revisão final e aprovação de imagens) é dada por ele. A Bíblia é clara quanto ao desejo humano de possuir o espiritual à revelia: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu” (Jo 3.27).

É o mesmo vento que aprova participação da Ceia do Senhor de pessoas não batizadas, de igrejas tidas como cristã, incluindo o catolicismo romano etc. Também de descaracterização do batismo nas águas, aceitando o pedobatismo e o de aspersão, dentre outras formas teológicas liberais. A Bíblia chama a atenção dessas tendências humanas: “e a unção, que vos recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nela permaneceis”, 1Jo2.27.

É a expressão do verdadeiro desprezo, tratamento com desdém das coisas sagradas. No memorial da Ceia do Senhor a Bíblia trata dos que não distinguem o corpo do Senhor, por não fazerem separação entre o sagrado e o comum, ordinário. O apóstolo Paulo ainda chama a atenção para a observação das ‘diretrizes básicas’ cristãs.

Inovação e novos modelos

Pastor Esequias Soares ensina que “Os fundadores de seitas costumam usar supostas revelações para enganar o povo”, como o G-12, justamente por estabelecer fundamentos em pensamentos humanos e não na Palavra de Deus. Somente a Bíblia é a fonte de autoridade na fé cristã (Is 8.20). Na filosofia da Igreja em Células “todos os crentes têm a unção e a capacidade para o ministério pastoral, assim, todos os crentes são pastores”, a partir de “princípios subjetivos”.

Esequias cita Valnice, notadamente “contra o atual sistema de governo da igreja, dizendo: ‘O modelo tradicional de igreja, centralizado em um pastor, um prédio e programas, já teve 17 séculos de atuação e deixou metade do mundo não evangelizado’. Mais adiante acrescenta’: ‘No modelo de Bogotá toda a estrutura visa, de fato, fazer de cada discípulo um ministro, um líder… (Valnice Milhomens, Op. ci., pp. 40-43).’”

Pastor Geremias Couto, ao falar de “possíveis distorções”, diz das chamadas “Igrejas Amigáveis (água com açúcar)”, com a ideia de que “a igreja precisa estar aberta ao novo, mas nem tudo que é novo é bom. Nem toda novidade tem legitimidade. É necessário pensar”, e sentencia: “Não é preciso mudar o modelo assembleiano, que tem funcionado no decorrer do tempo. Davi não sabia usar a armadura de Saul, mas sabia perfeitamente usar a funda, com eficiência que ia além da capacidade ou condições de vencer batalha que a armadura oferecia a Saul”.

“Ninguém toma para si essa honra, senão aquele que é chamado”.

Foto: Blog Missões aos Povos

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