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Posts Tagged ‘desconstrução’

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As tratativas sobre homossexualismo querem de forma imposta alterar a natureza dos seres, características dos gêneros, a fisiologia e a psique humana.

Tal perversão sempre existiu, porém, jamais foi tão maquiavélica. A partir da estratégia de apelo à linguagem do gênero cria-se o engodo, para levar a discussão, a partir de vocábulos, tirando do centro da discussão a própria característica do ser.

Sobre isto escreve o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, em A linguagem de gênero – Uma perigosa terminologia que se está disseminando. Ele trata do livro do advogado argentino Jorge Scala El género como herramienta de poder sobre a perigosa e destrutiva “ideologia de gênero”.

Lodi fala dos termos cunhados pelo que ele chama de ‘cultura da morte’. São vocábulos bem assimilados por representantes de praticamente todos os segmentos sociais, mesmo os contrários a tal desvario ideológico e quase religioso.

De forma tanto inadvertida quanto inocente tomam desigualdade de gênero, homofobia, homossexualismo, homossexuais e heterossexuais, planejamento familiar, com vistas ao aborto, como linguagem de inclusão em seus discursos, nem sempre percebendo a artimanha.

Desconstrução

Segundo Jorge Scala, o jogo de palavras dessa ideologia não é inocente, pois conforme a ‘ideologia de gênero’ não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ser humano nasce sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou femininos e mesmo construído pode ser desconstruído. Penso ser alusão ao filósofo franco-judaico, Jacques Derridá.

Essa tentativa de desconstrução dos papéis e personalidade de cada gênero, bem definidos desde a conceição humana, ocorre desde o Éden.

Quando o Senhor disse ao homem, que se alterasse aquilo que Ele determinara, quanto ao conhecimento do bem e do mal, morreria, o Inimigo tentou desconstruir o que o Criador falara e alterar o rumo do humano. E conseguiu.

Com uma frase afirmativa, embora não verdadeira, a Serpente engodou a mulher, ao tentar desconstruir o que o Senhor dissera. O certamente não morrereis contrapôs o certamente morrerás! Mas o humano morreu!

Preterindo o principal

O jogo de palavras diz respeito à desconstrução dos gêneros. Enquanto a questão principal fica de fora, discute-se o próprio homossexualismo, adoção de crianças por pares homossexuais, profissionalização da prostituição, pedofilia e sua aceitação, igualdade de gênero, opção sexual, saúde sexual, distribuição de preservativos, cartilhas de orientação sexual (iniciação sexual precoce), homofobia, aborto…

Querem desconstruir todos os muros, as paredes divisórias e sabiamente delineadas pela Criação. 

Dentre o jogo de palavras, a perder de vista o foco principal, está à disparidade criada a partir da definição heterosexual (de heteros, no grego, diferente). Criou-se o termo como centro de discussão das demais anomalias sexuais, sem levar em conta a existência, de fato, de macho e fêmea, fora das anomalias.

Lodi toma Scala para mostrar o engodo do uso de palavras. O vocábulo inventado a partir do grego heteros, para patentear quem não é e que contrapõe ao homossexual, seria o mesmo que afirmar que alguém ‘não é leproso’ ou ‘não é diabético’, tomando as definições expressas por Lodi.

O termo serve para levar à discussão a outro campo, ardilosamente criado e cheio de munição para derrotar qualquer oposição, no terreno fértil e minado.

Ora, essa tentativa de manipulação mágica, não pode matar a verdade, a realidade, a natureza, a psique humana, a fisiologia… O próprio dicionário (Aurélio) afirma que natureza é a “Força ativa que estabeleceu e conserva a ordem natural de tudo quanto existe; Índole do indivíduo; temperamento, caráter; Espécie, qualidade; As partes genitais do homem ou da mulher (especialmente as do homem) – filosoficamente: Essência; O mundo visível, em oposição às idéias, sentimentos, emoções, etc.”

Se o homossexualismo agride a própria natureza dos seres, como não agrediria os próprios seres? Não há outro sentido de análise do humano. Até mesmo a antropologia não mostra outro caminho.

Mesmo que alterem as linguagens, atropelem as leis, ampliem-se as militâncias e a eclesiofobia, o macho vai continuar sendo macho e a fêmea, idem, tanto entre o humano quanto na natureza, como um todo, com exceção das anomalias.

Macho & fêmea

Na Criação o Senhor fez o Adão (Adam), no hebraico ish e depois a fêmea, Eva, literalmente ‘mãe de vida’, ishah. Os dois formam o humano – o homem. Só por eles há procriação. O próprio Criador diz: Enchei a terra!

A genitália de cada um é própria e completamente definida a partir de um design perfeito para o acasalamento (casal). Internamente, tais aparelhos são compostos de sistemas prontos para a produção, a partir da semente, do sêmen fecundante, e do orifício sexual feminino, com fim à ovulação, cada um por sua ordem e polaridade sexual.

Os dois sistemas não mantêm igualdade, mas são compostos de pólos diferentes e que, portanto, naturalmente, se atraem.

Ordem cromossômica

Também de forma resumida, tem-se outra informação preciosa, imposta pela própria natureza dos seres, e que chamarei de segundo ponto, justamente a parte fisiológica.

Após a conceição, o ser humano tem características quanto ao seu gênero já preestabelecidas. Ainda informe, o feto já se define como macho ou fêmea. Por meio do cromossomo X, sabe-se que o bebê é, e forma natural, científica, definitiva e concreta, mulher, feminina, fêmea.

No caso de macho, menino, masculino, a identidade cromossômica é XY. Tais especificidades não podem ser alteradas por vocábulos, leis, greves, militância, agressões… É macho ou fêmea (sem outro, terceiro ou pretenso sexo). Ou é fêmea (feminino) ou é macho (masculino).

Natureza

Por fim, como terceiro ponto de definição do humano, quanto ao sexo, temos a própria natureza. Não se tem notícia de qualquer elo histórico de macho que não seja macho e fêmea que não o seja também. Até mamão define-se bem!

Na sociologia, na antropologia, ciências recentes, mesmo com todas as tentativas de manipulação, como na questão das ‘criação por disciplina’ dos novos conceitos de família, não se pode determinar a alteração da natureza.

Na psicologia

Também a pisque carrega a gene sexual. Existem características e reações, analisadas pela psicologia, em especial a psicanálise, próprias e bem delineadas de meninas e de meninas, inclusive no que se diz respeito a traumas.

Segundo conceitos psicológicos, toda criança em condições normais e usuais, permanece sexualmente normal. Porém, se orientada por sedutores poderá ser atraída por perversões.

A questão da existência de gêneros – masculino e feminino – à criança é algo normal, comum e aceito sem nenhuma barreira, pois esse não é o objeto de sua investigação, senão de onde veio.

Complexo de Édipo

O Complexo de Édipo, proposto por Freud e assimilado por Carl Jung (Complexo de Electra), ocorre justamente pela diferença de sexos, na chamada segunda infância, quando a criança fixa sua atenção na pessoa de sexo oposto.

Ele é universal e compreende todos os seres humanos. “Uma vez que o ser humano não pode ser concebido sem um pai ou uma mãe (…). Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe” (Complexo de Édipo, Wilkipédia).

O mesmo espírito

Sobre essa desconstrução, conforme Derridá (1962), com a tentativa de desmontagem dos elementos da escrita, por interditar certas condutas, antecipa-se Daniel, mais de 500 anos antes de Cristo, ao tratar indicar características do Anticristo: “Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao amor das mulheres, sobre tudo se engrandecerá” (11.27).

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Texto bíblico

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (1Co 3.10-13).
 

Ministramos tema publicado ao lado do pastor Geremias do Couto, convidado pelo pastor-presidente da AD em Ribeirão Preto, Antônio Santana. Na foto diretores, professores e alunos-formandos no final do Simpósio Teológico da Etadecarp, dia 22, no templo-central (Foto: Lucene Mesquita)

Introdução

O título acima diz respeito ao emprego à Doutrina cristã e, consequentemente, aos conceitos teológicos básicos, que lhe dão forma. A partir desse ponto de vista, a Desregulamentação ocorre de dentro para fora (do templo); enquanto a Desconstrução acontece de fora para dentro.

A Bíblia alerta para tais ocorrências no Fim dos Tempos, quando o Inimigo usaria suas influências para alterar rumos religiosos, ao afirmar:

“E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo” (Dn 7.25).

I – DESREGULAMENTAÇÃO

No secular temos várias definições de desregulamentação: flexibilização, eliminação das regras, das normas para qualquer instituição ou corpo coletivo; eliminação de disposições de governo que normatizam a execução de uma lei.

Tudo o que surge em épocas próprias de mudanças sociais, como a que ocorreu nos anos sessentas, atinge todos os segmentos humanos e ronda as muralhas protetoras da doutrina bíblica.

Portanto na Teologia essa ameaça parte da absorção do que está em voga, no meio e, de forma imperceptível é assimilado, a exemplo de tantos modismos. Então, o grande risco é a exclusão da observação de regras básicas, com respeito à doutrina cristã, que acabam maquiadas, não observadas ou excluídas.

Exemplo clássico está na alteração do texto constitucional – algo ‘sagrado’ para a preservação dos direitos e deveres dos cidadãos. Recentemente o STF transgrediu todas as regras e alterou o texto constitucional, que somente o Congresso, em reunião específica e para tal, poderia fazê-lo. No Estado de Direito é uma ação condenável, além de antidemocrática. Todos e alinhados de forma notória desconstruíram o texto constitucional para uma interpretação totalmente descabida.

Essa forma vem sendo construída desde o Iluminismo, a partir da ênfase à crítica, pelo uso da razão, para conter abusos do Absolutismo evocado pelos reis

“E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores” (Lc 22.25).

Porém, essa desconstrução tem endereço certo, pois o Absolutismo evocado pelos reis, com abuso pela deificação humana, tinha como base a interpretação de acomodação às circunstâncias da Palavra, quando trata da submissão à autoridade humana:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm 13.1-7).
 

Não obstante “Deus ser a única e verdadeira fonte da autoridade, donde segue para todos o dever de consciência de obedecer às autoridades legítimas, ainda que pagãs (…). A autoridade é ministro de Deus, ou seja, representante de Deus, instrumento usado por Deus para o bem público – a espada era para os romanos o símbolo do poder supremo de vida e morte, donde a expressão técnica ‘jus gladii’” (Novo Testamento, Tradução dos textos originais, com notas, dirigida pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma 1967 by Edições Paulinas – São Paulo).

Por outro lado, apóstolo Paulo parece demonstrar preocupação em função de o entusiasmo de crentes com a cidadania celestial já assumida. Assim, a liberdade em Cristo, lhes facultava a não necessidade de submeter-se à autoridade humana. “Ele parece ter em mente uma situação específica. Seu vocabulário grego (por exemplo, diákonos, no v4 e leitóurgous no v6) é o vocabulário da administração civil helenística. A palavra traduzida ‘a serviço’ no v4 e ‘encarregados’ no v6 descreve os ocupantes de cargos civis com quem as pessoas comuns têm contato diário (…). Seu argumento é que Deus ordenou toda a criação e espera ordem também na comunidade política. Assim, seu imperativo ‘Faze o bem…’ significa assegurai-vos de que vossa conduta política seja correta, apropriada, adequada” (Comentário Bíblico, vol. 3, Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse, 3ª edição, set-2001, Edições Loyola, São Paulo, 1999).
“Deus instituiu o governo, porque, neste mundo caído, precisamos de leis para nos proteger do caos e da desordem…”. Porém, “Quando o governo deixar de exercer a sua devida função, ele já não é ordenado por Deus, nem está cumprindo com o seu propósito. Quando, por exemplo, o estado exige algo contrário à Palavra de Deus, o cristão deve obedecer a Deus, mais do que aos homens (At 5.29, cf Dn 3.16-18; 6.6-10)”, Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Antonio Gilberto, Versão Almeida Revista e Corrigida, Rio de Janeiro, CPAD, 1995.

Por outro lado, quando se retira a autoridade de domínio e alcance social, implanta-se a anarquia ou sua proximidade, como ocorrera com Israel:

“Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25).

O extremo pendeu para o outro lado, e também passou a destruir referências e domínios da cultura judaico-cristã: do Ser Supremo, Criador de todas as coisas; que julgará o homem por suas atitudes, boas ou maus, com galardão aos bons e condenação aos ruins.

Por fim, o homem passou a ser contato como ser tríplice quanto ao gênero – uma possível terceira via humana. Pior é que caímos no engodo da discussão de posições, quanto ao assunto. Criou-se a definição hetero em oposição ao homossexual. De forma despercebida o vocábulo rendeu e passou de forma sorrateira entre todos. Agora não se discute sexualidade humana sem tais vocábulos à mesa.

Ocorre que o homem – o ser criado pelo Senhor, conforme se estabelece na própria natureza, tanto humana quanto animal – macho e fêmea:

Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados” (Gn 5.2).

Portanto, não existe homem hetero, mas homem, composto dos gêneros macho e fêmea!

Tudo isso é atestado pelo profeta Daniel – o Apocalipse do Velho Testamento – quando retrata acontecimentos do Fim e mostra essa investida para a Desconstrução, tanto na adoração quanto na alteração da natureza humana:

“E não terá respeito ao Deus de seus pais, nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a deus algum, porque sobre tudo se engrandecerá” (Dn 11.37).

É isso que eu tomo como Desconstrução. Corrobora com essa mesma indicação profética, o texto de Paulo, o apóstolo: 

Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. (…) E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2Ts 2.3-12).

II – DESCONSTRUÇÃO

desconstrução é um conceito do judeu Jaques Derridá e consiste na crítica de pressupostos dos conceitos filosóficos, a partir do pressuposto que filosofia é o estudo das questões fundamentais relacionadas à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

A noção de desconstrução surge pela primeira vez em 1962. Embora não tenha a ideia de destruição, ela busca a desmontagem, decomposição dos elementos da escrita. A desconstrução serve nomeadamente para descobrir partes do texto que estão dissimuladas e que interditam certas condutas. Esta metodologia de análise centra-se apenas nos textos.

Derrida cria que as formações culturais e intelectuais humanas deveriam sofrer uma reinterpretação como elemento fundante de um novo conhecimento: “Não existem fatos, apenas interpretações”, mas fere a estrutura canônica.

A aplicação da Desconstrução acaba como ameaça ao verdadeiro, pois ‘constrói’ o que convencionou ‘leituras possíveis, mas não a leitura correta’. A famosa frase ‘A linguagem se cria e cria mundos’, aponta perigosamente para a contingência dogmática do ‘Ser’ e do ‘Significado’. Isso quer dizer que os textos corrompem seus significados tradicionais, criam novos contextos e permitem novas leituras, em um processo contínuo e vertiginoso (WKP, 2008).

Dentro da ideia de desconstrução e da releitura, temos no Direito a Teoria Tridimensional do jurista Miguel Reale, em que o crime deve ser ‘amenizado’ pela relatividade, a partir do Fato, do Valor, e da Norma.

Ao escrever sobre Steve Jobs, o célebre inventor digital, Arnaldo Jabor, em Steve Jobs criou uma ‘ciência alegre’) diz o seguinte: “Steve Jobs, filho da contracultura, da arte crítica, de Dylan e Picasso, do LSD que o ‘descaretizou’, criou uma espécie de filosofia prática, ‘de mercado’, indutiva, para além de explicações genéricas, de grandes narrativas universais”, e ainda: “Ele nos ensinou a transgressão contra uma sociedade conformista e obediente… Pense diferente! Meus computadores são para os rebeldes, loucos e desajustados”. A Cidade, C-3, 11 out. 2011.

No contexto teológico-cristão acontece quando o homem abandona os padrões divinos e fazem o que julgam certo, como temos registrado em Neemias:

Porém se obstinaram, e se rebelaram contra ti, e lançaram a tua lei para trás das suas costas, e mataram os teus profetas, que protestavam contra eles, para que voltassem para ti; assim fizeram grandes abominações” (Ne 9.26).

Usam como argumentação caminhos parecidos, semelhantes, mas não iguais, às vezes de forma consciente ou engodados pelo Inimigo:

Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12).

Neste perfil está a identidade humanista, em que o homem figura como o centro de todas as coisas e estabelece o que deve ser verdadeiro e falso e a convivência ‘harmoniosa’ entre o bem e o mau: energias negativas e energias positivas, que se harmonizam para o equilíbrio humano. Essa filosofia oriental fora adotada por sociólogos, como no caso do ex-presidente FHC. Ele chegou a elogiar a prática do espiritismo, por meio da umbanda, por causa dessa busca entre seus seguidores. Hoje, esse mesmo homem, quer que se discuta a legalização do uso da maconha ou sua discriminalização.

Judas teve postura semelhante ao propor que o perfume usado pela mulher, para preparar o Senhor para a sua morte, fosse vendido e o dinheiro distribuído aos pobres:

“Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento. Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?” (Jo 12.3,5).

Os 300 denários (dinheiros) equivalia a 300 dias de trabalho de um diarista (jornaleiro), quase um ano de trabalho. A argumentação de Judas é convincente do ponto de vista humanista, sem considerar a crítica a essa posição, conforme se vê:

Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (Jo 12.6).

Reintepretação do texto

O que o filósofo judeu expõe o Opositor usou desde a criação do homem. Obvio não com a mesma busca. Suas meias-verdades (mentiras) iniciaram com a tentativa de desconstrução do texto sagrado:

1) Vossa morte não está marcada;

2) Vossos olhos se abrirão;

3) Sereis como deuses (domínio do bem e do mau).

– Certamente não morrereis!, indica o infinitivo absoluto (“Não, não morrereis; não morrereis!”). A serpente nega a Palavra e sua validade.

Na Tentação no Deserto (Lc 4). A primeira tentativa diz respeito à sustentação humana – o pão. Transformar pedra em pão, para o alimento do corpo humano, pois Jesus teve fome. O Diabo usou petros (Pedro), que indica pedra solta, uma pedra qualquer, pois a Igreja do Senhor é constituída de ‘pedras vivas’ (1Pd 2.5), do original grego lithoi zontes, a indicar uma pedra lavrada, ajustada para toda a ‘boa obra’.

“Nem só de pão vive o homem” (Dt 8.3);
“Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram” (Jo 8.49).

Temos aqui uma desconstrução, ou seja, um emprego que desvirtua o propósito do espiritual para um elemento a serviço do temporal e meramente humano.

Porém, Jesus dá início ao seu ministério de forma ofensiva, corajosa, definitiva e decisiva (Mt 16.18).

Deixa a Casa do Pai (Jo 1.1) e segue para o deserto (morada de demônios), região inculta, selvagem e perigosa (Is 13.21). Embora pudesse tomar iniciativas próprias, o Senhor esperou ser conduzido, transportado, levado, guiado, pelo Espírito Santo. Não cheio de si, mas do Espírito, fora “conduzido pelo Espírito ao deserto”.

E quando isso ocorre não há riscos de oferecer culto à Serpente, pois no primeiro século AC, em Canaã, era associada ao culto de fertilidade (multiplicação):

E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lc 4.5-7).

Estava no Pináculo do Templo, vértice da torre, no ângulo sudeste do Templo, parte mais alta do edifício. Considera-se ainda Jerusalém situar-se em um monte, portanto em destaque. De lá descem para Jericó…

Momento em que os olhos crescem para dar lugar à ambição, poder e riqueza, quando a soberba se une à falsidade e dá lugar à idolatria ou em sua forma ‘narcisa’, como se vê no meio evangélico.

Portanto, não se envolva com serpentes, pois a serpente está despida de escrúpulos!

Em Gênesis, a serpente estava nua (Gn 3.1). Os termos hebraicos a indicar nua e astuta estão em proximidade (arum e arumim). Até hoje, mostrar-se nu indica pessoa desprovida de confiabilidade.

Mas a Palavra é estabelecida para a ‘reconstrução’ humana (gerar novamente, a partir da semente divina, cf 1Pd 1.3).

“E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros” (Lc 8.27).

Antes nu e a morar em cemitérios, o homem aparece vestido e o Senhor diz-lhe: “Volte para a tua casa”. Casa é o lar (de lareira) onde há calor, união, unidade.

Talvez aquele homem fosse budista em que a salvação se realiza pelo sofrimento.

Pátio dos Gentios

Lá no Templo, no Pátio dos Gentios, alguns judeus vendiam o que era necessário ao sacrifício, para comodidade dos adoradores.

Enquanto os sacerdotes vistoriavam as ovelhas, à moda dos ‘nossos detrans’, deixando passar muitas falhas, insuportáveis pelo Senhor, o sistema de câmbio, também lucrava. Os judeus não podiam efetuar seus resgates, com moeda gentílica, como o denário ou estáter (dinheiro judeu e grego), mas precisavam trocar por siclos, o dinheiro judeu, o único aceito pelo Templo.

Operando na ilegalidade fizeram da Casa do Pai um covil de ladrões, em outra tradução “fizeram dela espelunca de ladrões”.

Tudo estava regulamentado na Lei!

Quanto os judeus criam 614 preceitos, como forma de se cumprir a Lei, também criam barreiras, com a desconstrução do divino para a forma humana.

É assim que muitos conseguem, pois o amor ágape é amor abnegado e sacrificial, o 11º Mandamento, conforme João 13.35.35. Ele destrói todas essas barreiras e leva o homem desnudar a sua alma diante do Senhor, fazendo-se criança e não deuses, como tentara o Diabo, construindo a Síndrome de Adão.

Simpósio Teológico da Etadecarp (Escola de Teologia da AD em Ribeirão Preto), em 22 de outubro de 2011. 

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