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Posts Tagged ‘Tessalonicenses’

“Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundície, nem com fraudulência, mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova o nosso coração. Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza, Deus é testemunha. E não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados”, 1Ts 2.3-6.

Com população de aproximadamente 200 mil pessoas, Tessalônica era a maior cidade da província romana da Macedônia e capital da região. Por ela passava a via leste, a mais importante estrada romana – a Via Egnátia, que seguia de Roma ao Oriente. Isso tudo, mais o porto no Mar Egeu faziam da cidade um centro comercial próspero no domínio do Império Romano. Hoje é a cidade de Salonik, na Grécia Setentrional.

Caminho – primeiros cristãos

Nela havia um grande número de judeus, que provocavam a perseguição a Paulo (At 17.13), mas também foi por eles que o apóstolo iniciara a sua pregação quando esteve na cidade. Os judeus conheciam os seguidores de Cristo – os cristãos – como membros da ‘seita’ Caminho, conforme descreve Atos: “Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres”, At 22.4.

A Carta de Paulo aos Tessalonicenses é considerada a obra mais antiga do Novo Testamento. Como a Igreja ainda não possuía templos, que aparecem somente depois do ano 100, os crentes se reuniam em casas em assembleia, como ocorria em Tessalônica.

Paulo não arrisca, mas fala do que está em sua alma e exorta os crentes a serem seus imitadores (1.6-10), pois o Evangelho foi pregado sob a chancela do Espírito, isto é, com sinais – poder: “porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em pode, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amos de vós”, 1Ts 1.5.

O apóstolo estabelece forma especial que envolve a conversão a Cristo:

“1) o serviço de culto e obediência ao Deus vivo e verdadeiro, em vez de aos deuses falsos e mortos do paganismo e

2) a espera da chegada dos Céus do Filho de Deus que concretizará a salvação, livrando-nos da condenação no Juízo Final. “A menção da ressurreição de Jesus neste contexto, a primeira vez que aparece na literatura cristã subsistente, tem o propósito de mostrar-nos que podemos esperar que a pessoa histórica de Jesus venha dos céus como Filho de Deus – porque Deus o ressuscitou dos mortos.” (34-Comentário Bíblico, vol. 3, Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse, 3ª. Edição, set-2001, Edições Loyola, São Paulo, 1999).

Aprovados e desclassificados

Preocupado em distanciar o espiritual do humano, ressaltando a mensagem como poderosa para a transformação de vidas, Paulo enfatiza essa diferença (1Ts 1.5), para deixá-la claro. Essa diferença se estabelece pela aprovação divina (dokimazo, aprovado, no grego – 1Ts 2.4).

Paulo deixa ressaltar a diferença entre os deuses mortos cultuados em Tessalônica e ainda eficiência da sua pregação, que também se distancia daquelas pregadas por pregadores e filósofos itinerantes, que buscavam fama, elogio, lucro e honras pessoais.

A questão da dependência da Igreja até que poderia ser exigida, segundo o próprio apóstolo – que pela primeira vez evoca o título de ‘enviado por Deus’ (apóstolo), conforme também 2Coríntios 12.11-12. Essa função caracterizada pela condição de testemunha da ressurreição de Cristo, isto é, somente os que viram Cristo ressurreto poderiam ser chamados apóstolo – mas ele prefere não ser pesado à Igreja (1Ts 2.6). Paulo atuava como fabricante de tendas (At 18.3).

Apóstolo do Senhor e dos homens

Ao contrário do que pensam hoje, o título de apóstolo indicava o transportador de mensagem – um tipo de enviado, a exemplo de funcionário de correio. Portanto, o valor estava na mensagem e não na pessoa. Esta poderia até ser morta, mas a mensagem deveria ser entregue ao destinatário a qualquer custo.

Embora a visão, que não passa de humana tão-somente, vislumbra posição semelhante a um executivo religioso, apóstolo não passava de servo, usado pelos seus senhores para transportar valores de um lado para outro.

Por isso Paulo mostra-se inserido como espetáculo ao mundo: “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens”, 1Co 4.9.

O apóstolo cita a posição dos aprisionados pelos impérios, como o Romano, levados pelos exércitos, que serviam de espetáculo na entrada triunfal dos generais e seu exército de volta e prêmio de conquista. Após o exército, em último lugar. desfilavam os cativos para dar festa – o espetáculo – aos cidadãos do império triunfante.

Mas o apóstolo não é poupado por usar métodos semelhantes aos dos pregadores itinerantes de novas idéias, mensagens e filosofias, que figuravam como camelôs da informação. Muitos destes eram charlatães e tentavam atrair interessados por suas mensagens mirabolantes e, portanto, chamados faroleiros. Eram pessoas que usavam o discurso para burlar, com mensagens sem conteúdo.

Essa crítica não era exclusividade dos pensadores de Atenas, mas pairava na mente da população. Daí a necessidade de Paulo buscar na graça (unção) a diferença de sua pregação, caracterizada então, como Boa-Nova (Evangelho).

Esperar, mas sem parar, até a Volta do Senhor

Ainda sobre a dependência – tornar-se um fardo financeiro –, o apóstolo Paulo nota que os tessalonicenses pararam de trabalhar e passaram a esperar a iminente Volta de Jesus (Parousia, Dia do Senhor – manifestação da glória de Cristo).

Aproveitadores ministravam ensinos perturbadores, entre eles a iminência do Dia de Cristo. Eram falsos mestres. Diziam que Jesus estava às portas e daí a necessidade de manterem-se inertes, mas Paulo ensina que a Igreja não deveria ouvi-los.

Deveriam voltar ao trabalho, pois o que não trabalha também não deve comer, dizia ao usar o seu próprio exemplo (2Ts 3.6-15). Alguns reagiam com grande medo ao ouvirem sobre a proximidade do Retorno de Cristo, abandonavam o trabalho e passavam a viver na dependência de outras famílias, como verdadeiro peso à comunidade cristã.

“Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa compaixão com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavras, quer por epístola, como de nós, como se o Dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma, vos engane”, 2Ts 2.1-3.

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