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Posts Tagged ‘precipitação’

A frente fria que atingiu o Estado do Rio provocou a precipitação de cerca de 300mm em menos de 24h, segundo o prefeito Eduardo Paes. Até a manhã de quarta (dia 7), foram contabilizados 102 mortos e 60 desaparecidos. Foi a pior tragédia, incluindo as ocorridas em 1966, quando a precipitação foi de 254mm, 88 e 96. A precipitação seria o índice equivalente a mês inteiro.

No Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, área central do Rio, 20 casas caíram e 10 pessoas estão desaparecidas, além dos mortos. Ao menos 14 bairros cariocas estão sem energia elétrica e o número de mortos chegou a 95, por volta das 18h. Mas é possível que muitos outros não foram notificados ainda.

Rua do Rio de Janeiro mostra a dimensão da tragédia (Foto: Domingos Peixoto/Site O Globo)

Deve chover até quinta-feira. Amanhã a previsão é de precipitação de 30mm, 10% do total que assolou o Rio. O comandante da Defesa Civil e a Prefeitura de São Paulo ofereceram ajuda ao prefeito Eduardo Paes. Santa Catarina também ofereceu ajuda, assim como o Governo Federal.

Enquanto a cidade carioca paralisou, outros municípios também sofreram duras consequências. Na área metropolitana, Niterói teve 41 mortos. O pior caso foi o deslizamento no Morro do Estado, onde duas casas e um estabelecimento comercial desabaram. Na cidade 41 morreram. Outros morros também registraram deslizamentos como no Caramujo, onde 3 pessoas morreram, no 340, no Novo México e Cova da Onça. Há inúmeros outros morros, que nem mesmo são contabilizados.

A Alameda, principal acesso da Região dos Lagos, Itaboraí, São Gonçalo, além do próprio município, ao Rio, foi fechada nos dois sentidos à tarde. O mesmo ocorreu com a Ponte Rio-Niterói.

Em São Gonçalo, município com quase 1 milhão de habitantes, mas com muita falta de infra-estrutura e saneamento básico, 16 pessoas morreram. Alguns bairros como os populosos Alcântara, Santa Catarina – tido como o maior de toda a América Latina – e Colubandê, grande parte da população está sob alagamento. Tivemos informação que uma igreja Batista abriu o templo para receber desabrigados; de pessoas que abriram suas residências para oferecer calor humano, banho e alimentação a desabrigados (o carioca é extremamente fraterno), e que os bombeiros não estão dando conta em função do número de solicitação. Havia pessoas pedindo socorro, acionando roupas, mas em locais intransponíveis. Somente em dois municípios há 5 mil desabrigados.

Municípios sem nenhum tipo de planejamento

A maioria dos municípios não leva a sério os riscos existentes em suas áreas. Deixam por conta do tempo. Com isso deixa a população sofrer as consequências. O povo é muito solidário e o sofrimento dói em qualquer ser humano, mas essa dor não chega aos líderes políticos.

Nilópolis, Petrópolis e Paracambi registraram um morto em cada município. Maricá, região metropolitana e início da Região dos Lagos, está em Estado de Emergência, decretada pelo prefeito Quaquá. As gigantescas lagoas estão transbordando, bairros e distritos estão alagados, como São José, Inoã e Itapeba. São distritos e bairros populosos, mas sem nenhum atendimento da Prefeitura, em geral sem água, esgoto e qualquer infra-estrutura, além de ruas esburacadas e gigantescos matagais. Ao menos 100 pessoas estão desabrigadas.

Deslizamentos são vistos na Rodovia Amaral Peixoto e na entrada da Alameda, no bairro Caramujo, há um deslizamento que interrompeu a rodovia. Na Rodovia RJ 116 (Itaboraí a Nova Friburgo e acesso a Cachoeiras de Macacu), houve alagamento da pista, no trecho pouco antes do Pedágio. Na mesma rodovia, uma ambulância, após socorrer um homem gravemente ferido após agressão, teve de parar na pista em função de um outro veículo, que havia rodado em função chuva. Em seguida, apareceu um ônibus, que bateu na ambulância. O homem ferido morreu e uma enfermeira sofreu ferimentos graves. O motorista passa bem.

Descaso, tolerância e falta de vontade política

Não obstante as tragédias já sofridas pelo Rio, o governador Sérgio Cabral reconheceu a falta de estrutura. Não há plano preestabelecido para ação conjunta de todos os órgãos públicos, com vistas ao atendimento à população em área de riscos, orientação de trânsito, meios alternativos, placas indicativas (que jamais existiram no Estado do Rio), locais de atendimento etc.

Mesmo com o elogiável choque de postura, implantado pelo prefeito Eduardo Paes, combatendo sujeira e pessoas que urinam em locais públicos, dentre outros desmandos, ainda há muita tolerância, como lixo jogado em ruas e que causa entupimento de bueiros (bocas-de-lobo).

Embora com 10 mil casas em encostas e outras áreas de riscos, já mapeadas, em todo o tempo e a cada canto do município do Rio nasce uma favela, sem que não haja nenhum tipo de impedimento. Vereadores são os primeiros até a mapear áreas e distribuir ao povo tais espaços, sem nenhum tipo de urbanização. A maioria é área invadida do Estado, da Prefeitura ou da União. Grande parte de bairros e outras áreas habitadas não é regulamentada, pois são áreas de posse. Por outro lado, o Estado também não dispõe de programa de construção de conjuntos habitacionais, para fazer frente à necessidade.

Existem locais onde pessoas oficialmente não existem, pois não contam com nenhum tipo de documentos, crianças sem registro de nascimento, que moram em locais, no mínimo, desumanos. A geografia do Rio também favorece tais tragédias. São mais de 700 morros, somente na cidade do Rio. O mesmo se repete em toda a região metropolitana. Morar em morro ou em suas proximidades no Grande Rio é o mesmo que morar em um bairro em qualquer outra parte do país.

Irmã Vanda foi soterrada

Irmã Vanda, ladeada pelo presbítero Rogério e seus filhos Rafael (ao microfone) e Rodrigo, na congregação em Santa Bárbara

Pedimos que todos os cristãos e igrejas evangélicos se unam em oração e peçam ao Senhor que ajude as pessoas atingidas, muitas sem nenhum acesso, ajuda ou que não têm para onde ir, pois o Governo e Prefeitura oferecem ajuda somente para o momento. Nossa irmã Vanda da Hora, de ‘nossa’ igreja, a AD em Fonseca (Pr. Celso Brasil), foi soterrada. Sua família, marido e presbítero Rogério e os filhos Rodrigo e Rafael, moravam no sub-bairro Riodades, no Fonseca. Precisamos da intervenção divina, sua proteção, conforto e ação milagrosa.

Alguns irmãos perderam tudo. Estão abrigados em propriedades da igreja, onde funcionam projetos sociais, como ajuda educacional e humanitária a moradores das redondezas. A igreja mantém três áreas dessas, inclusive com cursos profissionalizantes. O atendimento abrange centenas de crianças por meio do Projeto Crescer, mantido pelo Patriarca Assistência Social (PAS).

Atualização às 11:35 de 07/04/2010
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