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Lei da Rolha

O Estado brasileiro permanece a insistir e criar leis para viabilizar aspectos de uma filosofia essencialmente político-partidária. Essa interferência revela um fenômeno de uma época de intervenção do Estado nas atividades humanas e ainda de ascensão de governos tiranos.

O Governo teima em cercear a liberdade conquistada a duras penas pela sociedade brasileira. Tentou emplacar um plebiscito com a finalidade de monitorar o Judiciário e também investiu contra a mídia, com o objetivo claro de mantê-la sob rédea curta. O atual Governo é o que mais criticou a mídia, mesmo fazendo parte de um grupo de esquerda, que domina as redações. Bem por isso, foi e é o mais badalado e poupado pelos mesmos grupos, por incrível que possa parecer.

Para entender esse fenômeno de flagrante discrepância é só lembrar o fato de os amantes do comandante Fidel, que o idolatram, mesmo com a postura de um homem declaradamente tirano e transgressor dos direitos básicos humanos, por meio da ditadura cubana, que fuzilou milhares.  

Esfriado o assunto, agora o Governo volta à cena com o mesmo intuito, e quer aprovar nova Lei da Imprensa. 

A lei de censura à imprensa (Lei da Rolha) volta à cena e retrata a base da cultura brasileira, e como dizia meu professor de seminário João de Oliveira, “onde há mais lei, há mais pecado”. 

A cultura brasileira teve início com o descobrimento português em 1500 e com ele o catolicismo romano, que manteve dominantes sua identidade medieval com caracterísicas indulgente, inquisitória e intolerante, indica ….

(…) “Antonio Cândido, com quem FHC aprendeu algo, lembrava há dois anos, em entrevista à Folha, que o Brasil tem um déficit crônico de pensamento radical continuado e relevante, e que há um curioso radicalismo esporádico infiltrado em autores liberais, e até conservadores, a exemplo de Nabuco e Gilberto Freire.”

Frouxo, inorgânico e descomprometido em suas causas, o radicalismo à brasileira parece levar tanto a posições de direita quanto de esquerda, nos dois casos com pouca ênfase. Nunca tivemos na cultura ou na política, a densidade histórica que, para o bem ou para o mal, frutificou na Rússia a partir do século 19”. (Fernando de Barros e Silva, Opinião – Os russos e os nossos ´radicais`, FSP, A 2 – 16/1/02).

 

Iguais tratados de forma diferente

Cada profissional seja qual for a profissão ou atividade é, antes de tudo, um cidadão e como tal está submetido às leis que regem as relações, já descritas nas normas da Constituição e no Código Civil brasileiros.

Quanto mais normas impostas mais sinal de queda do respeito ou da própria ética. Além disso, tais intervenções levam o homem a relaxar sua ética e passa a justificar sua ação irresponsável ou agressiva ao semelhante, com base nessas mesmas normas. É a “perfeita forma” de relaxar a Lei moral, que é o “Princípio que deve guiar a ação humana com o fim de dotá-la de caráter moral. Segundo Kant, há uma única lei moral, que assim se enuncia: ‘Atue sempre como se a regra de conduta de cada vez adotada devesse tornar-se um princípio universal válido’”.

A questão de adoção de um código de ética próprio, retalhado para cada atividade humana, também soa como hipocrisia, pois as pessoas devem seguir uma regra única, em que a reciprocidade seja a base comum do relacionamento.

A ética setorizada torna-se sinônimo de hipocrisia. O que pode ser viável é o estabelecimento de regras de comportamento com relação à alteração ou mudança de ambientação, como o trabalho com mulheres, por exemplo, mas ética profissional emana da boa e saudável formação do ser, produto do meio, de uma cultura.

Portanto, além de intervenção descarada, com claras intenções alheias ao interesse democrático, a imposição de leis lança o homem para a caverna e nem sempre diz respeito à evolução humana.

A filosofia de impor leis à medida que elas se tornam necessárias, em função de transformações sociológicas, é combater efeitos e se esquecer das causas. Esse método desprestigia a educação e revela um homem cada vez mais selvagem, afinal somos seres inteligentes e não astuto.

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