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Posts Tagged ‘história das assembleias de deus’

De 13 a 30 de junho de 2011 publicamos no twitter – @pastormesquita – um tópico por dia, no total de 100, sobre a história do Movimento Pentecostal, o avivamento que deu origem às Assembleias de Deus no Brasil.

Foram 5 tópicos por dia, com exceção do dia 13 e 18, primeiro dia e o do Centenário da AD, quando publicamos 10, sempre iniciado com tralha (#) e com o número de ordem de cada um e, no final, o tag #CentenarioAD.

O tópico de abertura figurou como o número 1. Os tópicos abaixo estão um pouco maiores, pois no twitter o limite de cada postagem é de 140 caracteres. Hoje publicamos todos os tópicos.

O início do avivamento

2 O avivamento varria partes da Europa, em especial no País de Gales. Nos EUA, o mesmo avivamento ocorria em Minnesota, Carolina Norte e Texas.

3 Em 1891 Daniel Awrey falou em outras línguas em Delaware (Ohio-EUA). Sua esposa teve a mesma experiência em 1899, em Beniah (Tennessee).

4 Os registros de batismo no Espírito Santo ocorreram desde os apóstolos e percorreram por toda a História da Igreja, envolvendo homens e mulheres cristãs.

5 Em 1º janeiro de 1901, antes do Avivamento em Los Angeles, a jovem Agnes Ozman recebeu o batismo no Espírito Santo na Escola Bíblica Betel, em Topeka (Kansas, EUA).

6 Depois de estudarem a Palavra sobre o batismo no Espírito Santo e horas em oração, diversos alunos do curso de Teologia experimentaram a glossolalia (falar em outras línguas).

7 Agnes Ozman é considerada a primeira pessoa a receber a experiência. Depois vários outros alunos e o próprio professor do curso, Charles Fox Parham também foram selados.

8 Em 1905, o garçom Willian Seymour, afro-descendente e filho de ex-escravos de Louisiana, que andava à busca de melhores condições, viajou para Houston (Texas), à procura de trabalho e parentes.

9 Após converter-se passou a pregar a Palavra, tempo em que contrair varíola, doença que o deixou com o rosto desfigurado e cego de um olho.

10 Seymour ‘frequentava’ as aulas de Parham, sobre ensino do batismo do Espírito Santo, mas ficava do lado de fora da sala de aula, próximo à entrada, pois era afro-descendente e, portando, impedido de entrar, em função da segregação étnica, existente na época nos EUA. Seymour chega a Los Angeles

11 Em 22 de fevereiro de 1906, Willian Seymour chega a Los Angeles e passa a pregar sobre regeneração, santificação, cura pela fé e batismo no Espírito Santo.

12 Seymour e um grupo permaneceram em cultos na casa do casal Ruth-Richard Asbery na Rua Bonnie Brae, 214, em Los Angeles (foto-2)

13 Em 9 de abril de 1906, Edward Lee recebe o batismo e depois Jennie Moore, que depois casou-se com Seymour.

14 Em 12 de abril de 1906, às 4h da madrugada, o afro-descendente Willian Seymour recebe o batismo no Espírito Santo.

15 Em 19 de abril de 1906, nasce a então igreja Missão da Fé Apostólica, instalada à Rua Bonnie Brae, 214, na casa do casal Ruth-Richard. A liturgia era composta de leitura bíblica, cânticos e muita oração, praticamente o dia todo.

 

16 A casa na Rua Bonnie Brae – hoje transformada em um museu, com muitas peças da época (foto) – fica pequena e a igreja aluga um templo abandonado, onde antes abrigava uma igreja tradicional e que fora transformado em um estábulo, à Rua Azusa, 312 (Rua Azusa, abaixo), também em Los Angeles. Depois de muito trabalho para limpar o local, os cultos passaram a ser realizados lá. Alguns utensílios que restaram do local, como caixotes, foram usados como peças de apoio para o culto. Começa a corrida para Los Angeles

17 A ação do Espírito Santo atrai cristãos do mundo todo. Eles seguem para Los Angeles em busca da nova experiência. A atuação do Espírito, conforme Atos 2.1-8: “E cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?”, se espalha pelo mundo.

Gunnar Vingren

18 Gunnar Vingren nascera a 8 de agosto de 1897, na cidade de Ostra Husby, Suécia. Foi jardineiro como seu pai até os 19 anos.

19 De lar cristão, aos 18 anos, Vingren ocupa o lugar de seu pai na Escola Dominical, quando o Senhor fala-lhe claramente que seria missionário.

20 No ano de 1903, Gunnar Vingren, membro da Igreja Batista, viaja para os Estados Unidos e começa a estudar no Seminário Teológico Batista em Chicago.

21 Em 1909, Gunnar Vingren estava cheio de vontade de buscar o batismo no Espírito Santo. Passou a pregar sobre o assunto em sua igreja, mas teve rejeição.

22 Gunnar Vingren muda-se então para South Bend, Indiana. A igreja torna-se pentecostal com 20 batizados no Espírito Santo já no primeiro verão.

Daniel Berg

23 Daniel Högberg, conhecido como Daniel Berg, nasceu a 19 de abril de 1884, em Vargon, Suécia, filho de Fredrika-Gustav Verner Högberg, membros da Igreja Batista.

24 Aos 17 anos, no dia 5 de março de 1902, Daniel Berg de lar genuinamente cristão, muda-se para os Estados Unidos em busca de melhores condições, pois a Suécia passava por crise econômica. Anos após ele volta à Suécia.

25 Em 1909, quando viajou para a Suécia Daniel Berg ouve sobre o batismo no Espírito Santo e quando volta para os EUA, ainda no caminho, recebe o revestimento de poder, outorgado pelo Espírito Santo, por meio do batismo espiritual.

26 Atraído pelo Avivamento de Chicago, o jovem Gunnar Vingren creu e foi batizado no Espírito Santo.

Os dois jovens se encontram

27 Em pleno ano de 1909, em conferência de igrejas batistas em Chicago, os jovens Gunnar e Daniel Berg, também batistas, se conhecem.

28 Daniel Berg e Gunnar Vingren chamados pelo Senhor têm como indicação do Espírito Santo, por meio de um terceiro, o nome ‘Pará’. Sem saber o que propriamente indicava, eles procuram informações sobre a indicação e descobrem que se trata do Estado brasileiro ao norte do país. De Nova Iorque eles conseguem a oferta de US$ 90 e rumam ao Brasil.

29 No ano seguinte, em 1910, no dia 5 de novembro, Daniel Berg e Vingren partem de Nova Iorque no Navio Clement. Durante a viagem na terceira classe, eles falam de Jesus aos passageiros e tripulação; distribuem folhetos e ganham um tripulante para Jesus.

30 No dia 19 de novembro de 1910, Daniel Berg e Gunnar Vingren chegam a Belém, capital do Pará. Estavam totalmente sem bens, quase sem dinheiro, sem conhecerem a língua portuguesa e sem amigos.

31 Nessa época, Belém tinha 250 mil habitantes e uma economia em alta por causa dos reflexos da riqueza do Ciclo da Borracha (cf Judson Canto). Mas a prosperidade dura mais dois anos somente.

32 Em 1910, quando chegaram Gunnar Vingren tinha 23 anos e Daniel Berg, 26. Os dois jovens obreiros solteiros sentam na praça local e oram ao Senhor.

33 Até então Daniel Berg e Gunnar Vingren estavam ligados à Igreja Batista. Eles descobriram um nome conhecido em propaganda em um jornal de Belém. Era o pastor metodista Justus Nelson. Fizeram contato e o pastor acompanhou-os à igreja batista local.

34 Apresentados ao responsável pela igreja, Raimundo Nobre, os missionários passaram a congregar e a morar nas dependências do templo, no porão.

35 Enquanto Gunnar Vingren estudava a língua portuguesa, Daniel Berg trabalhava como caldeireiro e fundidor na Companhia Port of Pará, profissão que aprendera quando trabalhou nos EUA.

36 No dia 8 de junho de 1911, à 1h da madrugada, à Rua Siqueira Mendes, 67, a irmã Celina de Albuquerque recebeu o batismo no Espírito Santo. Foi a primeira cristã brasileira, membro da Igreja Batista, a receber a Promessa gloriosa do Senhor.

37 Amanhece e irmã Maria Nazaré vai à casa de José Batista de Carvalho, à Avenida São Jerônimo, 224, falar do batismo de Celina Albuquerque. 38-41 Os primeiros batismos no Espírito Santo, conforme registros na própria agenda de Gunnar Vingren foram os seguintes:

1) Dia 8 de junho de 1911: Celina Albuquerque, à 1h da madrugada;

2) às 22h do mesmo dia, a irmã Maria Nazaré, também fora batizada;

3) No dia 18, às 16h, Ana Silva;

4) dia 1 de novembro, às 10h, foi a vez de Sâncrita Oliveira;

5) irmão Mitoso, recebe o batismo no dia 26 de janeiro de 1912, às 10h;

6) irmã Clothilde recebe a Promessa no dia 19 de março de 1912, às 19h;

7) Manoel Dubu é batizado no dia 13 de abril do mesmo anos, 4h da madrugada;

8) Benvinda Oliveira recebe o revestimento de poder no dia 17 de abril de 1912, às 15h;

9) às 11h do dia 23 de abril de 1912, foi a vez de Emélia Dubu;

10) Guinóca recebe o batismo no Espírito Santo, um ano depois de Celine Albuquerque, justamente no dia 5 de junho 1912, às 22h.

Separados pela ação do Espírito

42 Dia 10 de junho de 1911, a ação do Espírito Santo já era realidade na Igreja Batista, mas a rejeição iniciara e irmã Celina, que trabalhava na igreja como professora de Escola Dominical, não mais teve oportunidade.

43 No dia 12 de junho de 1911, o dirigente Raimundo Nobre, que ainda estudava para tornar-se evangelista, convocou reunião extraordinária da igreja.

44 Mesmo com minoria, Raimundo Nobre propôs a exclusão da maioria, os adeptos da Boa-Nova do Espírito. Neste mesmo dia, com ousadia, o irmão português e abastado, Manoel Rodrigues, de forma ousada leu Atos 2.39.

45-47 Mas a exclusão fora aprovada pelo pequeno grupo de batistas, que se transformaria hoje em uma das maiores denominações cristãs no mundo, caso aceitassem a atualidade dos dons espirituais. Naquele dia, tiveram de sair os irmãos:

1) Celina e seu marido Henrique de Albuquerque; Maria Nazaré; José Plácido da Costa, sua esposa Piedade Prazeres da Costa; Manoel Maria Rodrigues e esposa Gerusa Rodrigues; Emília Dias Rodrigues; Manoel Dias Rodrigues; João Domingues; Joaquim Silva; Benvinda Silva, Teresa Silva de Jesus e Isabel Silva; José Batista de Carvalho e esposa Maria José de Carvalho; 17) Antônio Mendes Garcia. 48 Dez dias depois, o pequeno grupo convidou os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren para implantarem a denominação pentecostal.

18 de junho de 1911

49 Foi então que no dia 18 DE JUNHO DE 1911, à Rua Siqueira Mendes, 67, na cidade de Belém, deu-se início ao Movimento Apostólico da Fé, com 17 pessoas, que 7 anos depois, mudaria o nome para Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

50 Cheios do poder do Espírito Santo todos tinham como base de pregação a Salvação, a Cura Divina, o batismo no Espírito Santo e a Volta de Jesus.

51 Após receberam muitas críticas, o jornal A Folha do Norte, que também criticou a igreja, publicou a seguinte declaração de um repórter: “Nunca vi uma reunião tão cheia de fé, fervor, sinceridade e alegria entre os crentes”.

52 Gunnar Vingren tornou-se o pastor da igreja, enquanto Daniel Berg atuava como colportor a vender Bíblias importadas dos Estados Unidos, pois no Brasil não havia Bíblias em português. Ele aproveitava as visitas de casa em casa e testificava das Boas-Novas do Senhor Jesus.

53 Os dois obreiros, Daniel Berg e Gunnar Vingren, além de jovens, eram solteiros.

54 Berg rumou para Bragança, interior do Pará, na rota ferroviária Belém-Bragança, por onde enfrentava os dois maiores inimigos da obra do Senhor: 1) o analfabetismo e 2) o catolicismo romano.

55 Os padres, como autoridades reconhecidas por toda parte, muitas vezes, decidiam o que deveria ser feito na cidade e então impunham a perseguição com truculência e sem piedade. Eles também advertiam os moradores quanto à pregação de Daniel Berg e impunham temor quanto à leitura bíblica, pois a Igreja Católica Romana proibia seu manuseio e leitura.

56 Em pouco tempo, vinte igrejas se formaram entre Belém e Bragança. Berg ia de porta em porta, falando de Jesus e orando pelos enfermos.

57 Em dezembro de 1913, Gunnar Vingrem recebe a seguinte profecia, anotada em uma de suas agendas: “Meu filho, te humilha. Tu tens de passar grandes provações. O meu sangue tem poder para te guardar…”.

58 Após incidentes enfrentados em pequenos barcos, os pioneiros compram um grande barco, movido a velas, com ajuda financeira da igreja em Belém – o Barco Boas-Novas.

59 Dentre os sinais da manifestação divina, uma família se converte em pleno velório. Daniel Berg lê a Palavra sobre a ressurreição e pai e filhos, ao lado do corpo da mãe, se convertem e, depois, tornam-se anunciadores do Evangelho de Cristo.

Novos rumos

60 Em 1914, um grupo composto por crentes brancos, ligado à então Igreja de Deus em Cristo, forma a Assembleia de Deus, enquanto aquela passou a ter o domínio total de afro-descendentes, em função da saída dos brancos.

61 No ano de 1914, a mensagem do Evangelho chega ao Ceará por meio da cearense e pioneira Maria de Nazaré, a segunda pessoa a ser batizada no Espírito Santo.

62 No dia 25 de outubro de 1914, chegam ao Brasil outros missionários suecos: o casal Adina-Otto Nelson.

63 Em 1914, Gunnar Vingren e Otto Nelson levam a mensagem ao Estado de Alagoas e no mesmo ano, Manoel Francisco Dubu anuncia o Evangelho no Estado da Paraíba.

64 Em 1915, Cordolino Teixeira Bastos leva o Evangelho da Salvação em Cristo para Roraima e, um ano depois, Adriano Nobre leva a Palavra a Pernambuco.

65 Em 1917, o Evangelho chega ao Amazonas, por meio de Severino Moreno de Araujo e, no ano seguinte, Adriano Nobre prega a Palavra no Rio Grande do Norte.

66 Nos anos seguintes, o Evangelho é anunciado nos seguintes Estados:

– Maranhão em 1921, por Clímaco Bueno Aza;

– Espírito Santo em 1922, por Galdino Sobrinho e sua mulher;

– Rondônia em 1922, pelo missionário Paul John Aenis;

– Rio de Janeiro em1923, por crentes provenientes do Pará;

– São Paulo em 1923, por meio de crentes do Pernambuco;

– Rio Grande do Sul em 1934, pelo missionário Gustav Nordlund;

– Bahia em 1926, através de Joaquina de Souza Carvalho;

– Piauí em 1927, por Raimundo Pereira de Almeida;

– Minas Gerais em 1927, por Clímaco Bueno;

– Sergipe em 1927, por meio de Sargento Armínio;

– Paraná em 1928, por Bruno Skolimowisk;

– Santa Catarina em 1931, André Bernardino da Silva leva a Palavra;

– Acre em 1932, por meio de Manoel Pirabas;

– Goiás em 1936, por Antônio Moreira e outros crentes;

– Mato Grosso em 1944, pregado por Eduardo Pablo Joerck;

– Mato Grosso do Sul em 1944, por Juvenal R. de Andrade (época um único Estado);

– Distrito Federal em 1956, por obreiros de Mudureira.

71 Nos primeiros 4 anos, a igreja em Belém do Pará contava com 384 pessoas batizadas nas águas (membros) e 276 batizadas no Espírito Santo.

72 Após 5 anos no Brasil, Gunnar Vingren resolve ir à Suécia testificar das maravilhas ocorridas no Brasil, quando conhece a enfermeira Frida Strandberg (Frida Vingren). Logo depois, viajem para o Brasil e se casam no Pará.

73 No ano de 1915 chegam ao Brasil os missionários suecos Lina-Samuel Nyström. Ele foi um respeitado ensinador da Palavra e formou dupla com o homem de reconhecida liderança Nels Nelson. Além de grande estatura, os dois passaram a estabelecer a doutrina da Igreja entre os assembleianos. Nyström era contrário à mulher ocupar o púlpito para ensinar, quando então, entrou em choque com o pioneiro Gunnar Vingren, pois sua esposa Frida, pregava, escrevia textos nos jornais, ensinava nas escolas bíblicas e dirigia cultos na ausência do marido, embora não detivesse nenhum título ministerial. No Rio, por exemplo, quando Vingren viajava, ela dirigia os cultos, auxiliada pelo então evangelista, saudoso pastor Paulo Leivas Macalão, fundador do Ministério Madureira, com matriz em Madureira (daí o nome), no Grande Rio. Hoje o ministério e a citada igreja são liderados pelo pastor Abner Ferreira.

74 Em 1917 fora fundado o primeiro jornal pentecostal A Voz da Verdade, que circulou por apenas 3 meses. Deu lugar ao Boa Semente, com circulação iniciada a partir de janeiro de 1919. Igreja recebe o nome de Assembleia de Deus

75 Só então no ano de 1918, a igreja no Brasil passa a denominar-se Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

76 Dia 18 de janeiro de 1919, passa a circular o jornal Boa Semente, o primeiro órgão das Assembleias de Deus no Brasil, editado em Belém do Pará. Saiu de circulação em 1930, quando entra em circulação o atual Mensageiro da Paz.

77 Em 1920, Daniel Berg visita a Suécia quando conhece a jovem Sara com quem se casa em julho do mesmo ano. Em 1921 o casal retorna ao Brasil.

78 No ano de 1921 chega ao Brasil o sueco Nels Nelson, aos 26 anos de idade e solteiro. Considerado notável líder e único estrangeiro a naturalizar-se brasileiro. Seu filho Samuel Nelson mora no Pará e sua filha Ester, no Rio de Janeiro.

79 Em 1921, a igreja Assembleia de Deus passa a contar com o seu primeiro Hinário: o Cantor Pentecostal, composto de 44 hinos e 10 corinhos.

80 No ano de 1922, lançada por Adriano Nobre, a 1ª edição do hinário Harpa Cristã, que contava com 300 hinos. Inicialmente este hinário era confeccionado de forma artesanal.

Pioneiros não param

81 Em 1922 Daniel Berg segue para Vitória (ES) onde implanta a AD e permanece no Espírito Santo até 1924 e, depois, segue para Santos.

82 No ano de 1924, Rio de Janeiro, Gunnar Vingren muda definitivamente para a capital ao país, onde também atua como editor do jornal Mensageiro da Paz.

83 No Rio de Janeiro, quando Gunnar Vingren viajava, sua esposa Frida dirigia os cultos, auxiliada pelo então evangelista, saudoso Paulo Leivas Macalão, fundador do Ministério Madureira. Por determinado tempo da história da AD, Paulo Macalão (Rio) e Cícero Canuto de Lima (São Paulo), constituíram-se em liderança da igreja no Brasil, sempre em comum acordo e respeito mútuo.

84 Dia 5 de maio de 1924, início da AD em Santos, por meio de Hermínia-Vicente Lameira e Manoel Garcês e sua esposa, provenientes de Recife.

85 Em 1927, totalmente pela fé, o casal de missionários-pioneiros Sara-Daniel Berg e seu bandolim, muda-se para São Paulo. Sara confeccionava docinhos enquanto Daniel os vendia na rua. Foi a forma encontrada para a sobrevivência do casal.

86 15 de novembro de 1927, início da AD na capital paulista, com a cooperação do casal de missionários Linnea-Simon Lundgren, provenientes de Santos (SP). Saudoso missionário Simon, deixou uma linda história de sua atividade ministerial no país. Atualmente seu filho, pastor ‘João’ Lundgren figura como o único filho de missionário-pioneiro a presidir igreja. Ele é líder da AD em Caxias do Sul (RS) e tem como vice, o seu genro, o carismático amigo-pastor, Daniel Regis Cavalcante.

87 No dia 4 de março de 1928, três pessoas são batizadas na águas em São Paulo e no mês de abril, a matriz da AD paulista passou para a Avenida Celso Garcia, 1.209. Início da CGADB

88 Nos dias 17 e 18 de fevereiro de 1929, dá-se início à Convenção Geral das Assembleias de Deus com uma reunião preliminar em Natal, no Rio Grande do Norte.

89 De 5 a 10 setembro de 1930, em Natal (RN) ocorre a primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus e a transmissão da liderança das ADs no Brasil, dos missionários suecos para os obreiros brasileiros.

90 Ainda em Natal, em 1930, a Convenção Geral decide pela paralisação dos jornais Boa Semente e Som Alegre, que circulavam no Pará e no Rio de Janeiro, respectivamente. Passa a circular como órgão oficial o jornal tablóide Mensageiro da Paz.

91 Junho de 1931, Gunnar Vingren lança no Rio, o hinário Saltério (Psaltério) Pentecostal, com 220 hinos. 92 Em 1932 ocorre a primeiro dissidência com a formação da Igreja de Cristo no Brasil, que no início teve o nome de Assembleia de Cristo no Brasil, nome mantido até 1937. Eles tinham hinos com ritmo próprio do Nordeste e um dos principais motivos da separação foi sobre interpretação do batismo no Espírito Santo.

93 Dia 15 de agosto 1932, Gunnar Vingren e família despedem-se da igreja no Rio de Janeiro e do Brasil e voltam à Suécia. A obra de suas mãos já estava completada.

94 No dia 29 de junho 1933, 22 anos após o início das Assembleias de Deus no Brasil e no mesmo mês, já doente e bastante debilitado, o pioneiro Gunnar Vingren, fora chamado à Glória, quando já estava na Suécia.

95 No ano de 1937 ocorrem os primeiros passos para a organização da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

96 Em março de 1940, o Governo Getúlio Vargas exige que todos os órgãos de imprensa sejam registrados. Com a necessidade de registro o jornal Mensageiro da Paz, passou a constituir-se pessoa física e daí nasce a Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

98 Ano de 1946: A CPAD passa a pertencer à Convenção Geral e dá-se início a campanha para aquisição de uma propriedade para a gráfica do Mensageiro da Paz. O jornal inicialmente fora registrado em nome do pastor Silvio Brito, irmão de Zélia de Brito Macalão, esposa do pastor Paulo Leivas Macalão. Leivas era filho do general João Maria Macalão.

98 Em 1956 foi lançada A Seara, primeira revista evangélica do Brasil, idealizada pelos pastores Augusto Costa, que foi chefe da Gráfica da CPAD e do saudoso literato Joanyr de Oliveira.

99 1958 outubro: O casal de missionários Ruth Dorris-João Kolenda Lemos fundam o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (Ibad), em Pindamonhangaba (SP).

100 Em 1963, Daniel Berg foi hospitalizado na Suécia e, mesmo no hospital, permanecia a evangelizar por meio da distribuição de folhetos e oração. A enfermeira tentou inutilmente impedi-lo, mas acabou desistindo e permitindo sua atuação, pois se sentia melhor com isso. Por fim, partiu para a Glória 1963, aos 79 anos de idade.

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Ele já está na Casa do Pai (1)

Missionário norte-americano Orland Spencer Boyer

Quando a esposa do missionário norte-americano Orlando Boyer ficou doente, a Missão norte-americana, por meio de seu então presidente, pediu para que o casal voltasse para os Estados Unidos. Os dois foram recebidos no abrigo mantido pela Missão, para que ela pudesse receber tratamento médico.

Irmão Boyer (como era carinhosamente chamado e que ‘gastou’ toda a sua existência na Anunciação do Evangelho no Brasil, ao lado da esposa), viajou e passou a morar no respectivo abrigo.

Depois que sua esposa partiu para a Eternidade, ele recebeu da Missão 500 dólares, como uma espécie de seguro, para ajudar nas despesas do féretro. Em seguida, ele ligou para o presidente da Missão dizendo que aquela quantia não dava para fazer muita coisa, que estava enviando-lhe as notas da despesa que havia contraído, em especial as do funeral, por estar de passagem comprada para voltar ao Brasil.

Quando o pastor, espantado, tentou demovê-lo da ação, pois já estava muito velho, Boyer citou o versículo bíblico que diz: “Deixe que os mortos enterrem os seus próprios mortos”.

O presidente ficou extasiado. O que Boyer disse poderia caracterizar-se como uma afronta se partisse de outra pessoa.

– A Missão não me deve nada. Estou voltando para o Brasil, disse-lhe Boyer.

Quando o presidente da Missão tentou persuadi-lo a não voltar, pois já estava com 70 anos de idade, ele respondeu que sua chamada para a obra missionária era sem arrependimento. Disse que viveria no Brasil com os proventos da aposentadoria do Governo norte-americano – um sistema semelhante ao INSS.

– Olha, este valor só dá para comprar a passagem de volta para o Brasil, o que já fiz. O taxi está esperando aqui na frente, observou e, em seguida, desligou o telefone.

O presidente da Missão, de incontinente, ligou para a entidade solicitando ao responsável que não permitisse aquele “velhinho” saísse, especialmente para fazer uma viagem tão longa. Mas, Orlando Boyer já havia saído.

De volta ao Brasil

Sem dinheiro, Boyer chegou ao Rio de Janeiro em busca de um local definitivo para morar. Foi direto para Pindamonhangaba (SP), onde morou por cerca de dois anos, inicialmente no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (Ibad). Depois foi para a residência de um casal, e posteriormente recebeu os cuidados de alunos, ao voltar a morar no Ibad.

Nestes períodos, escreveu e traduziu mais livros, além dos já escritos, praticamente os primeiros das ADs no Brasil, como os famosos Esforça-te para Ganhar Almas; Espada Cortante I e II (dois volumes de comentários sobre Daniel e Apocalipse) e Pequena Enciclopédia Bíblia (PEB), que até hoje vende.

Um verdadeiro servo

Em meados dos anos setentas, o aluno do Ibad Eliabe (nome fictício) cuidava do pastor Boyer (foto). Após um derrame não o missionário não mais possuía autonomia, nem mesmo para ir ao banheiro.

Todos os dias, Eliabe levava o irmão Boyer (como era conhecido) para tomar sol, no pátio da escola. Nós ficávamos ao seu lado, ouvindo algumas de suas experiências. Tínhamos de abaixar para ouvi-lo. Ele fava bem baixinho, mas nunca perdia o humor.

Um dia ele contou a fábula entre a lagarta e a borboleta. A lagarta apontou para a borboleta e disse:

– Eu não ando nisto aí nem por um milhão de dólares!

Soube também que ele pediu a saudosa irmã Doris (Ruth Dorris Lemos, diretora-fundadora do Ibad) para trazer-lhe um pacote de margarina do supermercado. Mas como também é norte-americana e no começo passou por algumas dificuldades, em função da língua, especialmente para a compra de alimentos, irmão Boyer indagou:

– A irmã sabe qual a diferença entre um elefante e a margarina?

– Não, respondeu irmã Doris.

– Então como posso ter certeza de que a irmã não me trará um elefante!?

De volta e lágrimas de quem queria ficar no Brasil

Quando morava em Pinda, irmão Boyer sentiu-se incomodado por achar que estava causando aborrecimentos. Após voltar dos EUA, ele passou a morar sozinho. Um aluno estava à sua disposição e até ganhava bolsa integral da escola só para cuidar do missionário.

Sem ter o domínio completo sobre si mesmo, o missionário que sempre trabalhou pelo país, agora estava recebendo ajuda, o que não o deixava à vontade, embora, penso, que ninguém soubesse disso.

Certa feita quando os diretores da escola estavam nos Estados Unidos, ele escreveu para David Harrisson, diretor do ICI em Campinas. O missionário David se recuperava de um tratamento de saúde, mas quando recebeu a carta de Boyer, percebeu que o amigo missionário precisava de sua ajuda.

“As letras já não eram as mesmas e indicavam para uma mão trêmula e sem o domínio de uma pena que traduzira e escrevera até então muitos livros, para edificação da Igreja de Cristo no Brasil. Não era mais o mesmo corpo que enfrentou e pregou ao gangaceiro lampião, no sertão cearense”, afirmou Harrison, emocionado.

Boyer pedia ajuda a Harrisson e queria sua visita. O missionário não hesitou e chegou a comentar com sua esposa, que mesmo em convalescência não poderia deixar de dar a atenção àquele homem de Deus, e rumou para Pinda.

Quando chegou à casa onde Boyer estava, bateu palmas e ouviu uma voz baixa e trêmula pedindo para que entrasse. Boyer dizia que não era justo dar trabalho às pessoas em um país que ele veio para ajudar e fazer a obra do Senhor. Queria voltar aos Estados Unidos.

Estava chegando ao fim de uma existência em prol da causa do Mestre. Depois de tudo preparado para a volta para os Estados Unidos, Boyer com o seu corpo já definhado, já estava praticamente pronto e preparado para encontrar-se com o Mestre. Não havia mais nada a fazer e nem forças também.

Quando missionário David Harrisson levava Orlando Boyer para os Estados Unidos, já no avião, percebeu que ele chorava.

– Irmão Boyer eu posso fazer alguma coisa pelo senhor, perguntou-lhe o colega missionário.

– Estou aqui pensando. Passei 50 anos no Brasil e agora estou indo embora, quem vai me substituir, devolveu-lhe Boyer.

Pastor David respondeu que não havia como substituí-lo, mas que podia prometer-lhe, que até à Volta do Senhor as editoras ligadas às Assembleias de Deus, como a CPAD, estariam dando continuidade ao seu trabalho de evangelização, por meio dos livros, pelos quais Boyer tanto se empenhou, traduzindo vários, além de escrever outros.

Pastor David continuou contando a história, com os olhos vermelhos em lágrimas e a voz embargada. Pelo mesmo motivo, também me emocionei, pois conheci irmão Boyer.

Com uma pequena mala e já debilitado pelo derrame, Boyer foi levado por David Harrisson de volta para os Estados Unidos. No avião, a companhia arrumou uma poltrona na primeira classe, para que o missionário pudesse deitar-se. Mas sob os olhos do colega missionário, ele ficava incomodado e ora queria deitar ora ficar sentado.

Ao chegar aos Estados Unidos não havia nenhum programa especial para recebê-lo. O clima no Rio, quando ele saiu, era de aproximadamente 40 graus. Quando chegou à cidade norte-americana, onde funciona o abrigo da Missão, estava nevando.

Boyer vestia somente um casaco como abrigo. Acho até que era aquele casaco surrado, com o qual se vestia para tomar sol lá no Ibad. Era marrom, notadamente velho e bem batido. Duas pessoas o esperavam. Uma do escritório de Missões e outra, um aluno do seminário, que trabalhava no lar. Harrisson conta que subiu à sua mente uma indagação a Deus.

– Como pode Senhor, um homem que deu a sua vida por um país estar neste estado e ninguém em especial, ou uma bela cerimônia para recebê-lo?

“O Senhor respondeu-me de imediato”, contou-me o missionário:

– Ele ainda não chegou em casa!

Cerca de dois meses depois irmão Boyer foi para casa.

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