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Posts Tagged ‘Dilúvio de Satanás’

 

CEU

Como introdução de meu comentário do livro de Gênesis, publico este artigo, como forma de ajudar na interpretação do primeiro livro das Sagradas Escrituras (e da Bíblia). Estes nomes referem-se ao Velho Testamento e é o nome dado pelos judeus; o segundo, a Bíblia, ao todo, Velha e Nova Aliança, preestabelecido pelos seguidores de Cristo.

Gênesis não somente fala, mas é o livro do Princípio de todas as coisas – o Começo, o Início. Sua narrativa segue uma estrutura de texto conforme cultura da época e, portanto, não pode ser analisado sob a ótica do homem pós-moderno. A escrita, a narração e sequência de fatos não seguem, necessariamente, a mesma ótica do homem contemporâneo.

Então não é passivo de crítica ou de ter suas teses ratificadas sob o prisma atual. É preciso conhecer e ter em mãos a licença da escrita literária e poética daquele momento, para, somente depois, tecer críticas e pensar em supostas doutrinas expostas nele.

Caso do apóstolo Paulo 

Sem sair dessa linha, temos o caso do apóstolo Paulo exposto em ao menos quatro narrativas diferentes. Para os críticos, teólogos liberais e céticos ou pessoas menos avisadas, o erro é um fato indiscutível, mas à luz da crítica histórica não há divergências senão o uso de estilo literário, de acordo com o interesse de quem discursava, considerando a quem o discurso fora endereçado.

Os textos ‘divergentes’ e referentes ao apóstolo Paulo estão em:

1) Atos 9.7 e 22.7 – somente Saulo caiu por terra;

2) Atos 26.7 – no discurso a Agripa, Paulo fala que todos caíram;

3) Atos 9.7 – todos ficaram mudos, depois de ouvirem a voz, mas sem ver ninguém;

4) Atos 22.9 – todos viram a luz, mas não ouviram a voz.

As primeiras considerações (do meu livro Pontos Difíceis de Entender-CPAD).

A explicação para as aparentes divergências aparece na construção gramatical.

No caso de Atos 9.7 o grego liga-se ao genitivo – “Caso de declinação de certas línguas, que representa, por via de regra, complemento possessivo, limitativo, e algumas vezes circunstancial”.1

Em Atos 22.9, tem que ver com o acusativo.

Atos 22.9 fala em ouvir a voz e entender o que se diz, enquanto a outra forma indica ouvir o som da voz, sem entender o que se diz ou o sentido da declaração.

Gênero literário

Por outro lado, quando se lê as três narrativas da conversão de Paulo deve-se levar “em consideração a diferença metodológica de se fazer história da Antiguidade e a forma usada na Pós-moderna. Não podemos julgar a historiografia antiga a partir de pressupostos pós-modernos. Deve-se notar que desde Túcidides, no século 4 aC, era anotado o que seu herói podia ou até deveria ter falado, e não o que o ouviríamos dizer se seu discurso tivesse sido gravado2. O historiador se sentia livre para escolher a maneira de transmitir as fontes que possuía em mãos, de acordo com seus interesses teológicos e ideológicos. O próprio gênero literário conhecido como vitae (vida no latim), comum aos historiadores como Suêtônio, Fílon, Filóstrates, que escreveu a vida de Apolônio de Tiana, e que se parece muito com a estrutura literária dos escritos de Lucas, não se preocupa com os fatos em si, mas com o quê, segundo seu autor, deveria ser dito ou feito; tudo dentro de seus interesses e ideologias.

Conquanto, as diferenças entre os capítulos 9, 22 e 26 de Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, fazem parte do gênero literário e da maneira de relatar os discursos de qualquer historiador da época.

Portanto, o estilo literário usado por Lucas leva em conta a transmissão da mensagem, a considerar a circunstância do enunciado, conforme o objetivo de indicar o fato histórico (“limitativo e circunstancial”), isto é, a quem se fala e o que é interessante ou mais importante falar.

Por ele importa que o fato de interesse central seja mostrado e se deixa de lado outras informações que não somam àquilo que se pretende mostrar, de acordo com o que se julga essencial para o momento.

Ponto de vista

Na narrativa de Gênesis somos tentados a interpretar o texto à luz da cultura da nossa época. Sempre quando não consideramos as leis da hermenêutica e da exegese pecamos na interpretação.

Fato clássico está na interpretação do capítulo 1, entre os versos 1 e 2: “No Princípio criou Deus os Céus e a Terra. E a Terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.

Segundo a chamada Teoria de Gap (brecha, espaço ou buraco), o texto indica a ocorrência milhares de anos entre os dois versos. Isto daria espaço (brecha) para inserir a suposta destruição da primeira Criação, outra teoria chamada de Dilúvio de Satanás. Para isso tomam Isaías 14.12-23 e Ezequiel 28.11-19. Porém, não existe nenhuma condição oferecida pelas leis de interpretação, a ponto de chegarmos a tais conclusões.

O que temos nos primeiros versos de Gênesis 1 é a uma narrativa sequencial e lógica para a época, sem interrupção. Não seria inteligente, para mostrar a disparidade, interpretar uma obra literária de milhares de anos atrás, por meio de técnicas ou estilos atuais.

Entra nela, além de outros seres, outro homem – um tipo elo perdido –, que dizem ser o homem pré-adâmico, com existência compreendida entre a ‘primeira Criação’ e o ‘nosso’ Adão, que seria o segundo homem.

FONTES: 1) FERREIRA, Ebenézer Soares, Dificuldades Bíblicas e Outros Estudos, da União Brasileira de Escritores – Seção de Campos; Sociedade Brasileira de Romanistas; Academia Evangélica de Letras; The American Schols of Oriental Research – Casa Publicadora Batista (Edição do Autor, Campos, Rio de Janeiro, 1965); 2) ZUURMOND, R. Procurais o Jesus Histórico?, pág. 65.

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