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Pessoas abrigadas no Projeto Crescer

Já passam de 180 mortes no Rio, 100 de Niterói. Estima-se que 200 pessoas foram atingidas somente no Morro do Bumba, onde 50 casas foram destruídas, outras 60 interditadas, enquanto 56 pessoas foram resgatadas no local com vida. Assim como outros registros, a tragédia do Morro do Bumba também poderia ser evitada. Além do impedimento de ocupação por meio do poder público, em função de o local ter abrigado um lixão até 1987, na terça-feira, às 3h30, um dia antes da tragédia, ocorreu a primeira explosão de gás metano. Um membro da AD foi lançado junto a destroços, mas, aos gritos, conseguiu empurrar toda a família para fora da avalanche e se salvou com a esposa e três filhos, a mais velha de 15 anos.

O mesmo não ocorreu com outras quatro famílias, também da congregação do Viçoso, na quarta, quando ocorreram outras três explosões seguidas. Até o final do dia de hoje, as quatro famílias da igreja permaneciam soterradas. Estas informações são do dirigente da congregação do local, mas a igreja no local abriu suas portas à comunidade e presta assistência a dezenas de pessoas. A congregação passou a receber os desabrigados. Embora simples e alinhada aos padrões do local, a ‘igreja’ também serviu de estúdio para o Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão.

Rua com deslizamentos ao lado do Projeto Crescer

 

Pessoas abrigadas no Projeto Crescer

Barranco que desabou bem próximo do prédio do PAS

Filas para ser enterrado

Na quarta-feira, o número de mortos enterrados, somente no Cemitério Municipal Maruí, chegou a 17. Os coveiros trabalharam até à noite. Hoje, somente até às 16h40, chegou a 40 sepultamentos. Em uma das capelas uma cena impressionava. Lá estavam cinco caixões de uma única família: 2 crianças de 6 meses e 4 anos; 2 adolescentes e uma mulher. Niterói tem outros três cemitérios: Parque da Colina, outros dois em São Francisco e em Itaipu.

Os mortos entraram na fila de espera para serem velados, pois todas as oito capelas estavam lotadas. Outros estavam ainda em veículos funerários esperando um local mais apropriado e quando as cerimônias terminavam, havia outra fila de corpos para serem enterrados. Também foram sepultadas as três crianças de uma única família, mortas no Monte das Oliveiras. Duas – Hugo e João Gabriel, de 9 e 12 anos, eram atendidas pelo Projeto Crescer.

Sem capacidade para receber seus mortos, o IML de Niterói encaminhou corpos para o IML do Rio, o que dificultou ainda mais. Morta na terça, por volta da 1h, a radiologista Wanda Carvalho dos Santos da Hora, 46, da Assembléia de Deus em Fonseca (pastor Celso Brasil), ficou presa em sua casa, foi retirada por volta das 12h e recolhida pelo IML somente às 21. Seu corpo foi liberado pelo IML carioca hoje, por volta das 11h e sepultada às 16h40.

Mortes e desabamentos poderiam ser evitados Desde janeiro a Prefeitura de Niterói recebeu relatório documentado, com fotografias dos riscos em Riodades, onde Wanda da Hora morreu. Um morador afirmou que a Prefeitura justificou sua inércia, porque ninguém havia morrido.

Verlei Tavares, presidente da Associação de Moradores da Cinco de Março (Anacim), onde ocorreu a morte na terça-feira, disse que está cansada de pedir providências à Prefeitura, por meio do representante da região. “Alguém precisa nos ajudar”, pedia ela. Desde 31 de dezembro, quando houve ameaças de desabamento, a situação foi fotografada e entregue à Prefeitura “que não tomou nenhuma iniciativa”, reclamou. Naquela região, além da casa que desabou, existem outras 5 desocupadas, em função do risco.

Igreja AD abriga 200 pessoas

A Patriarca Assistência Social (PAS), entidade de assistência social e humanitária, mantida pela Assembleia de Deus em Fonseca, Niterói, por meio do Projeto Crescer, foi a primeira a abrir as portas dos seus dois sítios para receber desabrigados. Depois, o templo da congregação do Viçoso Jardim, com a queda do Morro do Bumba, abriu suas portas e recebeu crianças e adultos, com cerca de 40 pessoas. Outra congregação no Bonfim, também fez o mesmo. No total, são 200 pessoas atendidas, com abrigo completo.

Mulheres que não param de trabalhar na cozinha do Projeto Crescer

 

 

 

 

 

Doações entregues no PAS

O Projeto Crescer já trabalha com cerca de 400 crianças, adolescentes e familiares da região. Oferece cursos profissionalizantes, atendimento sócio-educativo e promoção sobre Saúde. Todo o atendimento tem como base o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Lei Orgânica de Assistência Social (Laos), segundo informa seu diretor-executivo, Ezequiel Braça. Idoneidade Os convênios envolvem a Prefeitura de Niterói/Secretaria de Assistência Social, Comitê Furnas, Compassion (EUA) e Fundação para a Infância e Adolescência (FIA)/Secretaria Estadual de Assistência Social de Direitos Humanos.

Doações

Todas as doações que chegam ao Projeto, à Rua Teixeira de Freitas, 408, em Fonseca, Niterói (ponto final da linha 23 de ônibus coletivo), são protocoladas antes de serem distribuídas. Tudo é documentado. As doações em dinheiro podem ser efetivadas por meio do Bradesco, agência 2809-6, conta poupança 1.003.060-9, em nome de Patriarca Assistência Social (PAS), CNPJ 03.818.766/0001-76 – http://www.patriarca.org.br, email: contato@patriarca.org.br e fones 21-2625.2421 e 8899.0694.

Imagens da tragédia Rodovia Amaral Peixoto (Niterói-Região dos Lagos) chegou a ser interditada, mas foi reaberta hoje em um único sentido (interior-Rio); ainda há riscos

Rodovia Amaral Peixoto (próximo da Alameda) com deslizamentos de parte de uma pista

 

À beira do abismo                                                                                        

 

 

 

 

Local onde existiam casas

 

 

 

 

Velório do Cemitério Maruí

Velório de duas crianças, dois adolescentes e a mãe

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A frente fria que atingiu o Estado do Rio provocou a precipitação de cerca de 300mm em menos de 24h, segundo o prefeito Eduardo Paes. Até a manhã de quarta (dia 7), foram contabilizados 102 mortos e 60 desaparecidos. Foi a pior tragédia, incluindo as ocorridas em 1966, quando a precipitação foi de 254mm, 88 e 96. A precipitação seria o índice equivalente a mês inteiro.

No Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, área central do Rio, 20 casas caíram e 10 pessoas estão desaparecidas, além dos mortos. Ao menos 14 bairros cariocas estão sem energia elétrica e o número de mortos chegou a 95, por volta das 18h. Mas é possível que muitos outros não foram notificados ainda.

Rua do Rio de Janeiro mostra a dimensão da tragédia (Foto: Domingos Peixoto/Site O Globo)

Deve chover até quinta-feira. Amanhã a previsão é de precipitação de 30mm, 10% do total que assolou o Rio. O comandante da Defesa Civil e a Prefeitura de São Paulo ofereceram ajuda ao prefeito Eduardo Paes. Santa Catarina também ofereceu ajuda, assim como o Governo Federal.

Enquanto a cidade carioca paralisou, outros municípios também sofreram duras consequências. Na área metropolitana, Niterói teve 41 mortos. O pior caso foi o deslizamento no Morro do Estado, onde duas casas e um estabelecimento comercial desabaram. Na cidade 41 morreram. Outros morros também registraram deslizamentos como no Caramujo, onde 3 pessoas morreram, no 340, no Novo México e Cova da Onça. Há inúmeros outros morros, que nem mesmo são contabilizados.

A Alameda, principal acesso da Região dos Lagos, Itaboraí, São Gonçalo, além do próprio município, ao Rio, foi fechada nos dois sentidos à tarde. O mesmo ocorreu com a Ponte Rio-Niterói.

Em São Gonçalo, município com quase 1 milhão de habitantes, mas com muita falta de infra-estrutura e saneamento básico, 16 pessoas morreram. Alguns bairros como os populosos Alcântara, Santa Catarina – tido como o maior de toda a América Latina – e Colubandê, grande parte da população está sob alagamento. Tivemos informação que uma igreja Batista abriu o templo para receber desabrigados; de pessoas que abriram suas residências para oferecer calor humano, banho e alimentação a desabrigados (o carioca é extremamente fraterno), e que os bombeiros não estão dando conta em função do número de solicitação. Havia pessoas pedindo socorro, acionando roupas, mas em locais intransponíveis. Somente em dois municípios há 5 mil desabrigados.

Municípios sem nenhum tipo de planejamento

A maioria dos municípios não leva a sério os riscos existentes em suas áreas. Deixam por conta do tempo. Com isso deixa a população sofrer as consequências. O povo é muito solidário e o sofrimento dói em qualquer ser humano, mas essa dor não chega aos líderes políticos.

Nilópolis, Petrópolis e Paracambi registraram um morto em cada município. Maricá, região metropolitana e início da Região dos Lagos, está em Estado de Emergência, decretada pelo prefeito Quaquá. As gigantescas lagoas estão transbordando, bairros e distritos estão alagados, como São José, Inoã e Itapeba. São distritos e bairros populosos, mas sem nenhum atendimento da Prefeitura, em geral sem água, esgoto e qualquer infra-estrutura, além de ruas esburacadas e gigantescos matagais. Ao menos 100 pessoas estão desabrigadas.

Deslizamentos são vistos na Rodovia Amaral Peixoto e na entrada da Alameda, no bairro Caramujo, há um deslizamento que interrompeu a rodovia. Na Rodovia RJ 116 (Itaboraí a Nova Friburgo e acesso a Cachoeiras de Macacu), houve alagamento da pista, no trecho pouco antes do Pedágio. Na mesma rodovia, uma ambulância, após socorrer um homem gravemente ferido após agressão, teve de parar na pista em função de um outro veículo, que havia rodado em função chuva. Em seguida, apareceu um ônibus, que bateu na ambulância. O homem ferido morreu e uma enfermeira sofreu ferimentos graves. O motorista passa bem.

Descaso, tolerância e falta de vontade política

Não obstante as tragédias já sofridas pelo Rio, o governador Sérgio Cabral reconheceu a falta de estrutura. Não há plano preestabelecido para ação conjunta de todos os órgãos públicos, com vistas ao atendimento à população em área de riscos, orientação de trânsito, meios alternativos, placas indicativas (que jamais existiram no Estado do Rio), locais de atendimento etc.

Mesmo com o elogiável choque de postura, implantado pelo prefeito Eduardo Paes, combatendo sujeira e pessoas que urinam em locais públicos, dentre outros desmandos, ainda há muita tolerância, como lixo jogado em ruas e que causa entupimento de bueiros (bocas-de-lobo).

Embora com 10 mil casas em encostas e outras áreas de riscos, já mapeadas, em todo o tempo e a cada canto do município do Rio nasce uma favela, sem que não haja nenhum tipo de impedimento. Vereadores são os primeiros até a mapear áreas e distribuir ao povo tais espaços, sem nenhum tipo de urbanização. A maioria é área invadida do Estado, da Prefeitura ou da União. Grande parte de bairros e outras áreas habitadas não é regulamentada, pois são áreas de posse. Por outro lado, o Estado também não dispõe de programa de construção de conjuntos habitacionais, para fazer frente à necessidade.

Existem locais onde pessoas oficialmente não existem, pois não contam com nenhum tipo de documentos, crianças sem registro de nascimento, que moram em locais, no mínimo, desumanos. A geografia do Rio também favorece tais tragédias. São mais de 700 morros, somente na cidade do Rio. O mesmo se repete em toda a região metropolitana. Morar em morro ou em suas proximidades no Grande Rio é o mesmo que morar em um bairro em qualquer outra parte do país.

Irmã Vanda foi soterrada

Irmã Vanda, ladeada pelo presbítero Rogério e seus filhos Rafael (ao microfone) e Rodrigo, na congregação em Santa Bárbara

Pedimos que todos os cristãos e igrejas evangélicos se unam em oração e peçam ao Senhor que ajude as pessoas atingidas, muitas sem nenhum acesso, ajuda ou que não têm para onde ir, pois o Governo e Prefeitura oferecem ajuda somente para o momento. Nossa irmã Vanda da Hora, de ‘nossa’ igreja, a AD em Fonseca (Pr. Celso Brasil), foi soterrada. Sua família, marido e presbítero Rogério e os filhos Rodrigo e Rafael, moravam no sub-bairro Riodades, no Fonseca. Precisamos da intervenção divina, sua proteção, conforto e ação milagrosa.

Alguns irmãos perderam tudo. Estão abrigados em propriedades da igreja, onde funcionam projetos sociais, como ajuda educacional e humanitária a moradores das redondezas. A igreja mantém três áreas dessas, inclusive com cursos profissionalizantes. O atendimento abrange centenas de crianças por meio do Projeto Crescer, mantido pelo Patriarca Assistência Social (PAS).

Atualização às 11:35 de 07/04/2010

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