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Posts Tagged ‘Bispo Edir Macedo’

Igreja e igreja

Igreja não é de essência humana (organização), mas de natureza espiritual, ou seja, organismo vivo, o corpo. Ele se move, em comunhão, com articulações perfeitas e bem ajustadas, movido pela Cabeça – Cristo. “Vós sois a luz do mundo”… “Brilhe a vossa luz”.

A Igreja jamais adotou o mimetismo como sua marca diante da sociedade, mas sempre destacou-se por assumir postura da figurada metanóia (dar meia volta e passar a andar na contramão do caminho percorrido até então). É mudança brusca.
É despir-se do homem velho e vestir-se do novo.
É morrer para o mundo (o sistema) e nascer para o Eterno.
É compreender e não ser compreendido…
Igreja é eklesia, isto é tirado para fora (“resgatados da vossa vã maneira de viver”.

É o oposto ao que dissera Edir Macedo, ao relatar que a Universal assumiu a Teologia da Prosperidade, percebida não só em sua declaração à repórter da própria Record, em Miami, mas por sua postura e ainda por tudo quanto tentou mostrar em termos de possessão temporal.

“Buscai primeiro o Reino dos Céus e as demais coisas vos serão acrescentadas”. Coisas?! É isso mesmo! O Reino tem nome, as necessidades ou benesses temporais, não passam de coisas.

A prosperidade de que fala a Bíblia está em pleno acordo com a exortação do Cristo (“O Reino em primeiro”): “Bem aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, Nem se detém no caminho dos pecadores. Nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; mas o caminho dos ímpios perecerá”, Sl 1.

Riqueza temporal

Se analisarmos todas as denominações que representam a Igreja do Senhor, vamos perceber que elas detêm um volume considerável de posses, mesmo as identificadas com a essência cristã, outras não tão próximas, algumas totalmente longes e já desligadas, em consequência de dogmas de essência humana, outras em cima do muro…

Talvez seja isso o que mais alimenta a crítica de progressistas, gnósticos e ateus, que assumem postura politizada dentro da visão humanista da Teologia da Libertação, por não conseguirem separar corpo (o Corpo de Cristo, com uma única cabeça, o próprio Cristo) e os monstros que se vêem por aí. Ou percebem algo essencialmente humano, ou que teria de ser totalmente espírito, pois, como afirmavam os gnósticos, a carne é em essência pecado.

Ocorre que algumas igrejas possuem estrutura semelhante a da própria Igreja, a partir da Igreja Primitiva – um Concílio, conforme Atos 15, com proeminência de Tomé, irmão do Senhor. Neste caso, todos os líderes têm efetiva participação, mas não saem dos princípios ditados pela doutrina dos Apóstolos, nomeados por Cristo e, depois destes, os Pais da Igreja até o fechamento do cânon, concluído no século 4.

De lá para cá, como todos os mais esclarecidos conhecem, a Igreja passou por turbulências que alteraram padrões e criaram destinos, acasos, privando-a da providência divina. Mas o enfraquecimento do Corpo ocasionou a Reforma. Na Idade Média, por exemplo, a igreja, por suas mirabolantes formas de angariar fundos, poderia, sem quebra de paradigmas, receber o nome de Igreja Católica (Universal) do Reino de Deus.

Quem e como dirige?

Então, a diferença está na condução, isto é, quem, como, para onde conduz e com que interesse? Quando Jesus foi tentado pelo Diabo, no limiar de seu ministério, foi conduzido pelo Espírito ao deserto. Jesus é a Pedra de Esquina, a Pedra Principal, a Rocha Eterna (1Pd 2.-10), enquanto a Palavra alerta: “Mas veja como cada um edifica sobre Ele”.

A Igreja não tem dono, líder absoluto (sem nenhuma alusão à filosofia do Iluminismo, da quebra do Absolutismo), pois seu dono é Deus e o seu líder é Cristo – o Cabeça (do Corpo). Isso é absoluto. Também não existe unção eclesiástica fora do Corpo (da Igreja) como temos visto por aí, com nomenclaturas das mais diversas e para todos os gostos.

“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5.4). Ministérios têm fins específicos e para cada situação no corpo e são bem ajustados no mesmo. Quando em Efésios o apóstolo diz que “Ele mesmo deu uns para (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores), indica um fim específico, demonstrado na preposição para, que demonstra finalidade. Outras estruturas podem ser semelhantes, mas não iguais, pois não existem outras… a Igreja é única.

Quando essa máxima sofre alteração ela deixa de ser igreja e passa a ser uma organização religiosa. Deixa de ser religião, pois Igreja é e sempre será religião – meio de religar o homem a Deus, através de Jesus Cristo, o único intercessor entre Deus e os homens (cf 1Tm 2.5). Religião é “Serviço ou culto a Deus…; crença, devoção, fé, piedade; Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável; Filos. Reconhecimento prático de nossa dependência de Deus” (Michaelis).

A Igreja não existe fora de todo esse contexto, estabelecido como corpo, em que seus membros aparecem de forma ordenada, ocupando os espaços e atribuições no próprio Corpo, conforme orientação do Espírito. E isso atinge desde a liderança ao mais simples membro, seja o equivalente a um dedo ou unha, orelha… mas ligado ao Corpo e este à (única) Cabeça. Se os membros forem desordenados e se o corpo possuir mais de uma cabeça deixa de ser corpo para mostrar-se monstro.

Joio misturado do trigo

“O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo. Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, por ocasião da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para queimar, mas o trigo ajuntai-o no meu celeiro”, MT 13.24-25,30.

Embora necessite de uma casa de tesouro, “para que haja mantimento na minha Casa” (cf Ml 3), isto é, ter o seu depósito cheio, para dar sustento à sua missão, tanto no que diz respeito ao suporte às ações espirituais quanto as sociais, a riqueza da Igreja é realçada pelas ações que os homens naturais (os que não são filhos do Reino, mas criaturas de Deus, cf Jo 1.11.12; 1Tm 2.1-6 e 1Ts 1.4) não podem alcançar. O seu preço excede a valores humanos e temporais, conforme se viu no fato de Elimas, o mágico, ao tentar comprar (pagar) o poder do Alto. A Palavra esclarece-nos que não fomos comprados com ouro ou prata, mas com o sangue de Jesus, por meio do qual fomos redimidos de nossa vã maneira de viver.

Hoje, temos de ser mais protestantes que propriamente evangélicos, mais seguidores de Cristo, que cristãos nominais.

A Bíblia alerta para a estupidez de o homem esperar “em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19).

Como membros do Corpo (de Cristo) somos 100% humanos, mas lutamos para alcançarmos um corpo 100% espiritual, por meio daquilo que plantamos aqui (“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”, 1Co 15.44).

Ilustração: despertaigreja.com
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A briga entre a Rede Globo e a Record já está rendendo além das fronteiras de seus programas abusivos. Para espetar a Record a Globo vai aproveitar para alfinetar todos os cristãos (evangélicos). Segundo a Folha (Em série, Globo “brinca” com desvio de dízimo, 19/8/2009, Matheus Magente, da Agência Folha, em Salvador), a tevê vai lançar em novembro, um seriado em que um marginal torna-se pastor e desvia dízimos de (sua) igreja. Ao serem indagados sobre o momento tão oportuno, os envolvidos dizem ser mera coincidência. Aí é achar que todo mundo é ignorante.

Trailer

“A Globo deu início, em Salvador, às filmagens do seriado Ó Paí, Ó, que traz, entre os personagens da temporada, um pastor que desvia dízimos de evangélicos em seu benefício. As gravações, iniciadas na semana passada, acontecem em meio a uma guerra com a Record, após extensas reportagens sobre denúncia acatada pela Justiça envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus.

Depois de ter virado evangélico na última temporada, o personagem Queixão, interpretado por Matheus Nachtergaele, decide fundar a Igreja Evangélica do Tremor Divino. O nome faz referência à ameaça de desabamento do cortiço onde os personagens vivem, tema desta segunda temporada.

De acordo com o roteiro assinado por Guel Arraes, João Falcão e Adriana Falcão, o malandro Queixão, que se tornou o pastor Moisés, passa a desviar parte dos dízimos pagos pelos fiéis em benefício próprio”’.

Objetivos claros

Ora, pelo calor das acusações entre as duas emissoras, ficam claros os motivos e os objetivos. Com medo da campanha de evangélicos solidários à Igreja Universal, que já iniciaram boicote à programação global, a declaração da tevê é explicitamente esfarrapada.

Por outro lado, uma terceira via seria a maquiavélica tentativa de desviar a atenção do “Caso Sarney”, que desgasta exaustivamente o governo petista, tirando-o do foco da mídia. O caso Iurd/Record já estava vencido e veio à tona novamente, anos depois… Estranho não?!

Existem outros leques que se ajeitam sob o mesmo teto e, portanto, premiados, como a incômoda questão do crescimento dos evangélicos e a perda de espaço pela religião majoritária. Desacreditada, desgastada e acomodada, a denominação tida como cristã ganha pelo alinhamento, contemplado pela intercessão religiosa de elevá-la de volta à igreja oficial no Brasil. Sob as trevas da obscuridade, que remonta da Idade Média, Lula esteve com o papa para arquitetar o resgate desse retrocesso anti-democrático. Ganha por meio das bases eclesiais, que se confunde aos ideários petistas e que juntos emolduram o apelo pós-moderno. Não é só a Globo que não gosta de perder.

É oportuno lembrar a Globo e a sociedade em geral que a Igreja Universal do Reino de Deus, a Record e o bispo Edir Macedo, não representam o povo cristão e que os cristãos evangélicos não lêem a mesma cartilha. Há um respeito pelos fiéis da Iurd, fiéis ao Senhor, que se traduz em comunhão, mas isso não atinge a organização e restringe-se em termos de organismo vivo – a comunhão do Corpo de Cristo, pois Igreja não é templo, prédios suntuosos, ideia clássica implícita no judaísmo, mas corpo. O historiador hebreu Josefo afirmara que o brilho do ouro empregado no teto do Templo, atraia os peregrinos à distância.

Novamente o ter e o ser em teatro

Vem por aí uma grande perseguição. Temos o prelúdio no atual Governo, que reproduz o que a mente milenar já implantou mundo afora. A situação engrossa quando nas nossas atitudes e ações que não condizem com aquilo que pregamos ou que deveríamos pregar, por assimilarmos tão bem o ter, a moeda de troca lançada a partir do período industrial, da moda, do capitalismo selvagem, da necessidade de consumo, tudo em detrimento ao ser.

Hoje, mais do que nunca, temos de pregar com a nossa vida, mostrar as sementes de virtudes, os prodígios e maravilhas e abandonar a filosofia do Mancebo Rico, que nos domina tanto, e assumir a de Jeremias ou a de João Batista.

Podemos até ter, mas sem deixar que a supremacia do ser dê lugar além do merecido (ou necessário) ao ter. E se algum dia, pudermos ouvir a voz de Deus, e não somente um eco meio diante, convocando-nos a abandonar tudo (vender tudo e distribuir aos pobres) e segui-lo, aí sim estaremos salvos. Caso contrário, vamos continuar apanhando das Globos da vida, dando-lhe ainda Ibope, e depois dizer como o profeta: “Ainda não estamos salvos!”

Se você não é Universal, não seja também Global! Se boicotar a Globo – o que já deveríamos ter feito há muito tempo –, boicote também a Record, por motivos semelhantes: apoio a todos os tipos que evocam a degradação moral.

Enquanto o homem natural (secular em oposição ao sagrado) diz que para ter conhecimento das coisas escondidas precisa de bola de cristal, daqui pra frente os cristãos terão de contar com uma bola de fogo, conforme foi com Moisés no deserto (e não à moda neo), pois as coisas se estreitam em volume, espaço e velocidade cada vez maiores: só nos resta o estouro!
− A Volta de Cristo!
“Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que neles há, se queimarão”, 2Pd 3.10.

Ilustração: inconfidencial.com.br

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