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“E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer”, Ap 6.2.

Este arqueiro sentado em um cavalo branco tem produzido muitas discussões sobre o real significado do mesmo, bem como do cavalo e sua respectiva cor.

Em função da coroa recebida e da cor do cavalo – branca – a indicar pureza, muitos pensam ser Cristo o cavaleiro.

Mas existem outras interpretações a indicar:

– Um momento específico;

– Que não são pessoas e seres, mas figuras;

– É símbolo do engano, por indicar Cristo, enquanto que, na verdade, não o seria;

– E um comentário católico romano arrisca, como possibilidade, o emprego a uma época específica, por aproximar-se do retrato dos partos, exímios arqueiros e que impuseram tremendas derrotas aos romanos, em especial no ano 62dC (Comentário Bíblico, vol. 3, Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse, 3ª edição, set-2001, Edições Loyola, São Paulo, 1999).

Coroas

A ideia do uso de coroa na Antiguidade se restringia a louros (glórias de vitórias), a pessoas que sobrepunha, na visão de então, as capacidades, os limites humanos, com vitórias gloriosas. Eram pessoas admiradas e ovacionadas pelo povo como heróis e semideuses. O título Herodes deriva-se do grego héros (herói), equivalente a semideus.

Depois, com as vitórias de generais romanos, estes, elevados a imperadores, passaram a buscar essa identidade e se auto-proclamavam deuses. Chegaram a construir templos a sua adoração, com a ideia de invencíveis e eternos.

Em 29aC, um templo ao imperador chegou a ser erguido na cidade de Pérgamo, corroborando para a fama de cidade onde estava o “trono de Satanás” (v13). O templo de Augusto e de Roma juntava-se ao grandioso altar de Júpiter, tido como o salvador, pois foi o patrono da vitória na invasão dos celtas em 278aC.

Historicamente, a coroa é sinal de reconhecimento público, de glórias militares e recompensas, como apóstolo Paulo mostra em 1Coríntios 9:

“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”, 24-27.

Era o reconhecimento para feitos extraordinários e não comuns, portanto, quase um deus! Por isso, a palavra stephanos tem o mesmo sufixo (com variável) de Theophania, que indica a manifestação de brilho, esplendor, mais o prefixo Theos (Deus), pois a coroa seria para homens-deuses!

Imagem

Coroa – Diademas (História da Indumentária-blogspot.com.br) 

Cavalo Branco

No mundo contemporâneo não existia o uso de coroa como conhecemos e com o significado moderno. Talvez tenha sido introduzida por Constantino, por volta do ano 312dC, quando ele vence como imperador romano, inicialmente uma tiara.

Os reis antigos são conhecidos por seus tronos, vestes e cetro. As coroas passaram a ser difundidas na Idade Média.

Nem só a coroa (stephanos), mas a cor branca também figurava como símbolo de triunfo. “Quando um general Romano celebrava um triunfo, isto é, quando ele desfilava pelas ruas de Roma com os seus exércitos e os seus prisioneiros e os seus despojos depois de alguma grande vitória, o seu carro era puxado por cavalos brancos, pois eles eram os símbolos da vitória”, afirma William Barclay, The Revelation of John (A Revelação de João), Volume 2, 2ª edição, Filadélfia 1960, pag. 4; citado por Carl Olof Jonsson e Wolfgang Herbst.

Havia o pensamento místico de bons presságios em função do uso de coroas na saída à guerra, antes do combate, como antecipação à vitória.

O texto

Algumas questões devem-se levar em conta quando se tenta interpretar o texto. O primeiro ponto é que o próprio Jesus – O Cordeiro – é quem desata os Selos e permite que os cavaleiros ‘saiam’ à batalha, pois somente Ele tem poder para abrir e desatar os selos. Foi o conforto a João:

“E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?

E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.

E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre”, Ap 5.

Não seria o próprio Cordeiro a coroar a si próprio!

Segundo, “foi-lhe dada uma coroa” (stephanos), enquanto Jesus usa diademas, coroa totalmente diferente. Derivada do grego, diadema é literalmente ‘amarrar em volta’, justamente a coroa usada por Jesus em 19.12:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores”, 11-16.

Portanto, em vez de coroa (stephanos), o Senhor usa diademas, como o Dragão, que em suas pretensões tenta igualar-se a Deus, conforme Apocalipse 12.3 e 13.1.

Além de símbolo de nobreza, diadema é um ornato circular em ouro e pedras precisas, usadas para cingir a cabeça de soberanos.

No texto “veio conquistando e para conquistar” – em outra versão: “e saiu vitorioso, e para vencer” –, no grego, ‘para vencer’ é nikao, a indicar obter vitória e que aparece outra vez somente em Romanos 8.37, com respeito aos crentes em Cristo:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”.

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