Feeds:
Posts
Comentários

Archive for 13 de abril de 2010

Ontem a 37ª pessoa morreu, vítima do deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói. Uma mulher que foi encontrada nos escombros morreu no hospital e o 36º corpo também foi encontrado. Hoje, até às 17h, nenhum outro corpo havia sido encontrado.

Por outro lado, na localidade de Tenente Jardim, acesso ao Morro do Castro, bombeiros retiraram no domingo, os 12 corpos, soterrados havia uma semana. Próximo dali, na Gruta/Monte das Oliveiras, os corpos de pai e filho, soterrados também na terça, foram retirados ontem.

Ontem à tarde, deparamos com uma família mudando do morro na Rua 5 de Março, Riodades, Fonseca. Descendo com utensílios da altitude de cerca de 50m, cerca de 100 degraus, mais trilhas escorregadias. Fernanda de Souza Santos, de 28 anos, mais seus sobrinhos de 12 e 4 anos, estavam transportando a mudança, como formiguinhas, peça por peça, com muito cuidado nas trilhas escorregadias e íngreme do morro, acima do local onde morrera Wanda da Hora, na madrugada de terça-feira.

Morro altíssimo, ameaças que duraram semana e a demorada, mas sábia decisão de sair do local

A mãe de Fernanda, Creuza Regina de Souza Santos, estava no trabalho. Elas saíram do local por conta própria e segundo Fernanda, não houve nenhum tipo de orientação. “Saímos por que estávamos com medo”, disse. Ela também não sabia que o Governo do Estado prometera a liberação de aluguel social, para ajudar as famílias desabrigadas. Porém, não há ainda nenhum tipo de definição, enquanto Prefeitura e o Governo do Estado batem-cabeça. Cada um estabeleceu o seu cadastramento, mas ainda não se sabe como será feito. Há muita confusão, pouca coisa definida e nenhum tipo de ajuda concreta.

Existem muitas pessoas que teimam ficar em suas casas, pois em geral, preferem arriscar a ficarem sem uma definição fora de casa. Por outro lado, alguns estão mesmo decididos a não sair. É o caso de José Gomes Dias (foto), que mora no morro, pouco abaixo de Fernanda, ao lado da casa onde Wanda da Hora morrera. Há 32 anos no local e com duas casas, mesmo com terra na parede da mais alta, onde morava seu filho, ele não vê perigo. Mesmo afirmando que nunca viu nada igual, completa: “Não tem perigo não”, diz.

 

As casas em Riodades estavam condenadas desde janeiro

Do outro lado está Ronaldo de Souza, que morava no Morro da Caixa D’água, ao lado da Alameda e início da Rodovia Amaral Peixoto, saída para a Região dos Lagos. Ele disse que estava dormindo com a esposa e filho, na madrugada de terça-feira, quando o seu vizinho o acordou, aos gritos. Quinze minutos depois sua caiu ruiu. Agora, enquanto a mulher fica no trabalho ele se abrigou na casa da mãe.

No acesso ao Morro do Bumba, a partir da Alameda, nota-se o monte com deslizamento, que deve jogou para baixo inúmeras casas (foto abaixo). Enquanto vai-se entrando, rumo ao Bumba, muitos outros deslizamentos, casas à beira de desmoronamentos e outras destruídas, no decorrer da semana, são vistas.

Deslizamento levou muitas casas abaixo

Desolação, tristeza e desesperança são palavras que nem sempre traduzem o retrato vivido por centenas de moradores da região. A grande força vem de vizinhos, parentes, pessoas beneméritas e de igrejas, que abrem suas portas para receber membros das comunidades afetadas. O clamor por ajuda dos Céus é para o consolo e conforto a quem perdeu todos os pertences, casas, documentos, e pior: a família. São pais sem os filhos, filhos sem os pais, parentes e amigos, que foram separados pela dura sentença ao homem: a morte.

Os riscos permanecem em vários lugares

Comitê Emergencial

Para gerenciar toda a ação que visa o atendimento a desabrigados da tragédia de Niterói, agravada com a queda do Morro do Bumba, a diretoria da Assembléia de Deus, mantenedora da Patriarca Assistência Social (PAS), criou o Comitê Emergencial. A reunião, realizada no último domingo, às 19h, para dar direcionamentos às atividades de apoio a moradores, terminou com a criação do CE.

Todas as atividades foram medidas, orientações sobre o atendimento foram reexaminadas, com vistas à melhoria do aprimoramento ao público. A centralização do atendimento ficou por conta da entidade social. O PAS mantém três pontos de atendimento e apoio a desabrigados e necessitados em geral. A partir de agora, as ações de mobilização serão coordenadas pelo comitê, formado de pessoas já envolvidas com o trabalho. O CE entrará em contato com órgãos e representações que podem cooperar no sentido de ampliar o atendimento, até que se defina a situação de cada um dos assistidos.

Atendimento

Mais de 100 pessoas recebem atendimento nos postos instalados pelo PAS. Em sua sede, no Sítio Oliveiras, são 73: 18 homens, 33 mulheres, 21 crianças, 1 idoso, 1 gestante e 1 portador de necessidade especial. No Sítio Manancial, 60 pessoas: 12 homens, 12 mulheres, 4 crianças, 1 idoso e 1 bebê recém-nascido. Na congregação do Viçoso Jardim, cerca de 15 pessoas ainda dormem no local e durante o dia, saem à busca de parentes, enquanto voluntários fazem distribuição de roupas, sapatos, cestas básicas e refeições. Nos três postos alguns dos próprios desabrigados prestam serviço voluntário.

Produtos necessários

Cesta básica

Carne de boi e/ou de frango

Embutidos

 Legumes e frutas

Margarina ou manteiga

Óleo de cozinha

Sucos

Produtos para criança

Hipoglós, fraldas, Mucilon e leite em pó

Outros

Colchonete

Roupa de cama

Pasta de dente

Escova de cabelo

Escova de dente

Pasta de dente

Sabonete

Sabonete líquido

Álcool gel

Saco de lixo 100l

Papel toalha

Copo descartável

Luva descartável

Toca descartável (para cozinheiras)

Doações

Todas as doações que chegam ao Projeto são protocoladas antes de serem distribuídas. Tudo é documentado, como entrada de doações, entregas, número de alimentação fornecida e até os voluntários são cadastrados.

Conta bancária

Para doações em dinheiro:

Bradesco, agência 2809-6, conta poupança 1.003.060-9

Nome: Patriarca Assistência Social (PAS)

CNPJ 03.818.766/0001-76

Endereço

Rua Teixeira de Freitas, 418, Fonseca, Niterói (ponto final da linha 23 de ônibus coletivo)

http://www.patriarca.org.br, email: contato@patriarca.org.br

Fones 21-2625.2421 e 8899.0694 – Diretor-executivo: Ezequiel Braça

Anúncios

Read Full Post »