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Archive for 13 de fevereiro de 2010

Confesso que fiquei pasmo, estarrecido, estupefato e não menos triste, quando vi em plena televisão, no programa Movimento Pentecostal, pela Rede TV (dia 12), o diretor da Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Ronaldo Rodrigues de Souza, batizando uma pessoa em águas, em igreja no Rio.

Ocorre que Ronaldo nunca fora consagrado a qualquer função ministerial por não ter recebido o batismo no Espírito Santo. Na doutrina pentecostal, em especial assembleiana, todo e qualquer obreiro para ser levado tanto ao ministério quanto ao oficialato da igreja, necessita, primeiramente, passar pela confirmação do Senhor, que se dá pelo batismo no Espírito Santo.

O batismo é uma ordenança conforme doutrina cristã

Desde os diáconos a Bíblia estabelece a escolha de irmãos ‘cheios do Espírito Santo’. “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos… E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio… E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estevão, homem cheio do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé”, At 6.1-7 e ainda: “fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação de seu poder”, Ef 3.7

“Não removas os limites antigos”

Sob o título A doutrina dos batismos, um dos pioneiros assembleianos Antonio Torres Galvão, escreve no Mensageiro da Paz (1a quinzena de janeiro de 1937, pág. 5) e ensina que “O batismo com o Espírito Santo e fogo (Mt 3.11, Mc 1.8, Lc 3.16 e Jo 1.33)… também chamado ‘o poder do alto’ (Lc 24.49) ‘a promessa do Pai’ (At 1.4), ‘o dom do Espírito Santo’ (At 2.38), ‘o dom de Deus’ (At 8.20) e ‘o selo da promessa’ (Ef 1.13), implica preparo para trabalho, correspondendo à unção com azeite, mencionada no Velho Testamento e ministrada aos que eram chamados ao ministério do Senhor”.

“O batismo com o Espírito Santo é ainda uma prova da ressurreição e glorificação do Senhor Jesus Cristo. Por isso é administrado pelo próprio Filho de Deus. As condições para se receber este batismo, encontramos nos capítulos 14, 15-16 do Evangelho segundo João (…) “…apesar de pertencer à esfera terrestre do Reino de Deus é, todavia, de caráter espiritual, visto que é administrado pelo próprio Senhor Jesus Cristo. O quarto faz parte da nossa disciplina e experiência, a fim de que sejamos aptos para toda a boa obra (2Tm 3.17)”.

Nunca se teve notícia, nem na história bíblica e muito menos na da assembleiana de um membro da igreja batizar outro. Será que os padrões assembleianos serão desprezados? Que o legado deixado por nossos pioneiros será jogado às traças? Isso é um verdadeiro absurdo e por isso não pude deixar de expressar-me, pois trata de ataque à base doutrinária e, sem ela, seríamos reduzidos ao Movimento G-12. Desde o princípio, a partir da escolha dos apóstolos, está patente o selo do Espírito: “…veio sobre eles o Espírito Santo e falavam em línguas…” (At 19.6) e ainda sobre a direção da escolha: “… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28).

Relapso

A quebra de paradigmas que representam o vigor da doutrina cristã reflete o relaxamento da nossa identidade e a perda de representação e respeito adquiridos ao longo desses 100 anos. A Assembleia de Deus no Brasil sempre recebeu o respeito pela representatividade, que ocorre pela preservação e proximidade da doutrina genuinamente cristã.

Sabedor das diretrizes doutrinárias bíblicas, Ronaldo fez questão de inserir sua imagem batizando uma pessoa em águas, uma vez que a palavra final de cada edição do programa (revisão final e aprovação de imagens) é dada por ele. A Bíblia é clara quanto ao desejo humano de possuir o espiritual à revelia: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu” (Jo 3.27).

É o mesmo vento que aprova participação da Ceia do Senhor de pessoas não batizadas, de igrejas tidas como cristã, incluindo o catolicismo romano etc. Também de descaracterização do batismo nas águas, aceitando o pedobatismo e o de aspersão, dentre outras formas teológicas liberais. A Bíblia chama a atenção dessas tendências humanas: “e a unção, que vos recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nela permaneceis”, 1Jo2.27.

É a expressão do verdadeiro desprezo, tratamento com desdém das coisas sagradas. No memorial da Ceia do Senhor a Bíblia trata dos que não distinguem o corpo do Senhor, por não fazerem separação entre o sagrado e o comum, ordinário. O apóstolo Paulo ainda chama a atenção para a observação das ‘diretrizes básicas’ cristãs.

Inovação e novos modelos

Pastor Esequias Soares ensina que “Os fundadores de seitas costumam usar supostas revelações para enganar o povo”, como o G-12, justamente por estabelecer fundamentos em pensamentos humanos e não na Palavra de Deus. Somente a Bíblia é a fonte de autoridade na fé cristã (Is 8.20). Na filosofia da Igreja em Células “todos os crentes têm a unção e a capacidade para o ministério pastoral, assim, todos os crentes são pastores”, a partir de “princípios subjetivos”.

Esequias cita Valnice, notadamente “contra o atual sistema de governo da igreja, dizendo: ‘O modelo tradicional de igreja, centralizado em um pastor, um prédio e programas, já teve 17 séculos de atuação e deixou metade do mundo não evangelizado’. Mais adiante acrescenta’: ‘No modelo de Bogotá toda a estrutura visa, de fato, fazer de cada discípulo um ministro, um líder… (Valnice Milhomens, Op. ci., pp. 40-43).’”

Pastor Geremias Couto, ao falar de “possíveis distorções”, diz das chamadas “Igrejas Amigáveis (água com açúcar)”, com a ideia de que “a igreja precisa estar aberta ao novo, mas nem tudo que é novo é bom. Nem toda novidade tem legitimidade. É necessário pensar”, e sentencia: “Não é preciso mudar o modelo assembleiano, que tem funcionado no decorrer do tempo. Davi não sabia usar a armadura de Saul, mas sabia perfeitamente usar a funda, com eficiência que ia além da capacidade ou condições de vencer batalha que a armadura oferecia a Saul”.

“Ninguém toma para si essa honra, senão aquele que é chamado”.

Foto: Blog Missões aos Povos

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