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Archive for 20 de março de 2009

 

Acusados foram ouvidos por senadores da CPI da Pedofilia na Câmara de Catanduva

Acusados foram ouvidos por senadores da CPI da Pedofilia na Câmara de Catanduva

Todos os acusados de Pedofilia são unânimes em afirmar inocência

 

Antônio Mesquita (acompanhei a audiência na Câmara, em Catanduva)

 

Sete acusados ouvidos hoje, das 11h às 21h, na Câmara dos Vereadores de Catanduva, negaram o envolvimento nos casos, embora reconhecidos e comprovados pelas vítimas, dentre elas, uma menina de 8 anos, que contraiu doença venérea. Dois dos acusados, os menores JHS e BHS, de 16 anos, que se declaram homossexuais, já estão com processo em fase de considerações finais. “Só dou trabalho ao diretor (da escola) por que uso maquiagem”, disse um deles, conhecido como Zé Bola. O outro afirmou que seu cognome é Dulce, em homenagem a uma personagem do seriado Rebelde. Os membros da CPI, senadores Magno Malta (ES), presidente; Romeu Tuma (SP), vice-presidente e o relator José Nery (PA), se indignaram com as respostas evasivas dos acusados. Em um dos momentos, Romeu Tuma não escondeu sua irritação: “Chega! Para mim está terminado”. Em seguida, Magno Malta alertou: “Vamos ouvir depoimentos mais hilários ainda”. A CPI termina amanhã, pela manhã, quando ainda pode ouvir o médico e o empresário foragidos da CPI, caso se apresentem.

Delegada foi gentil

De todas as falhas ocorridas, desde o interesse no esclarecimento dos casos, investigação e inquérito em Catanduva (município de 120 mil habitantes e a 385km de SP), a que mais chamou a atenção da CPI foi a atuação da delegada Rosana da Silva Vani. As omissões não deixaram de ser evidenciadas durante as oitivas. “Lamentamos as omissões e a atuação complicada que demonstraram o envolvimento da autoridade policial com os investigados, por envolver pessoas filhas de gente pobre. Poderiam (os acusados dos crimes) ser identificados muito antes, com mais seriedade para a punição dos culpados”, observou o senador José Nery. O senador fez a declaração antes de sair, não sem antes ouvir comentários do colega Malta sobre outra verdadeira guerra travada no Pará. Um deputado de seis mandatos, dono de uma rede de hospitais e de farmácias, também é acusado de abuso sexual de dezenas de crianças. No final, quase às 21h, Magno Malta, ao despedir-se afirmou que fora informado, que em seu Estado foram presos sete pedófilos. Também disse que não é comum um caso de 50 crianças abusadas, conforme ocorrera em Catanduva. 

Segundo o senador Malta os inquéritos das delegadas (incluindo Maria Cecília de Castro C. Sanches), são muito ruins e que a delegada Rosana “confessou que gentilmente convocou o advogado para a diligência de busca e apreensão na casa do acusado. O primeiro inquérito foi ruim e o segundo péssimo”, criticou.

 

Dentre as falhas, as crianças foram colocadas diante dos acusados, em uma mesma sala. As duas delegadas foram afastadas do caso, assumido por dois delegados da Seccional de Rio Preto, cidade vizinha. Nos próximos 20 dias, haverá novo reconhecimento (como deveria ser), onde a delegado comete um erro gravíssimo, que produziu um malefício e um desserviço a São Paulo e ao Brasil, e pediu abertura de investigação pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, como se dissesse ao advogado: “Ligue ao seu cliente, fala para ele dar sumiço nas provas”.

 

Amanhã, em seu terceiro dia, haverá uma nova parte para concluir as atividades da CPI em Catanduva.

 

PF ainda procura médico e empresário

 

O médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves e o empresário José Manoel Volpon Diogo, acusados de pertencerem à rede de pedofilia, não foram encontrados pela Polícia Federal. Eles conseguiram hábeas corpus da prisão preventiva no TJ paulista. Mas segundo Magno Malta eles continuarão sendo procurados pela PF. O médico é o acusado que recebeu o “privilégio” de ser avisado com antecedência por seu advogado. O CPU de seu computador, com possíveis provas, não fora encontrado na casa. Segundo Romeu Tuma, se eles não têm culpa deveriam ser ouvidos por iniciativas pessoais, e que isto deveria ser imposto pelo HC.

 

Um dos acusados citou o nome do padre Jeová, atualmente em viajem ao Canadá. Outro acusado mudou-se para São Paulo, onde se casou com uma paulistana há 3 meses.

 

Uma das mães das crianças afirmou durante a CPI que sua filha fora perseguida por Zé da Pipa desde 2006 e que a menina o reconheceu e durante a publicação da notícia, hoje à noite pela televisão, uma nova criança identificou Zé da Pipa, com seu agressor, por meio de abuso sexual. “Acho que é o demônio que guia essa gente e emitem uma imagem falsa de si mesmos”, reagiu Magno Malta, diante da insistência dos acusados de negarem envolvimento.

 

Nomes falsos e reconhecimento

 

Os acusados usavam nomes falsos e embora tenham negado todas as acusações, dizendo-se inocentes, sem saber como e porque são alvos das acusações, foram reconhecidos pelas crianças, por meio de fotos no Orkut, mesmo sem nenhuma sugestão. Durante os depoimentos, os senadores falavam da identificação dos acusados “com riqueza de detalhes”.  

 

Solange Cristina Barrison, que seria amasiada de José Emanuel Volpon Diogo, privilegiado com hábeas corpus, tentou inocentar o pretenso amante. Para justificar o estacionamento de sua caminhonete, todos os dias, à noite, nas proximidades da escola das crianças, ela disse que os dois namoravam no local, para esconderem-se da esposa de José Emanuel. Porém, segundo o senador Malta, o local é totalmente aberto, à vista de todos. José Diogo é acusado de freqüentar as proximidades da escola e de transportar crianças em seu veículo.

 

Depois de ser ouvido por telefone, Willian Melo de Souza, conforme os autos, teve sua morte decretada pelo PCC, por causa de sua confissão a um dos membros do grupo.

 

Força Tarefa

 

Logo após o almoço, o prefeito de Catanduva Afonso Macchione, a convite da CPI, comprometeu-se a investir no bem-estar das famílias e na recuperação psicosocial das crianças. Da reunião com o prefeito surgiu a criação de uma Força Tarefa, composta de representantes da sociedade, incluindo vereadores, para oferecer cobertura às famílias e dar prosseguimento ao caso. A atuação dessa equipe poderá servir de referência para outros casos e perdurará por cerca de 120 meses. Os senadores pediram ao prefeito o envio de relatório à CPI, “desse tsunami moral que se abateu sobre famílias simples com a figura da criança como a mais atingida”, disse o presidente da Comissão. O senador pediu ainda urgência do início da Força Tarefa, sugerindo o começo das atividades amanhã (20), “pois quem tem fome não pode esperar e quem toma remédio controlado também”. Algumas crianças estão sendo acompanhadas por médicos, em função de surtos de estresse e medo.

 

Macchione lamentou o ocorrido e afirmou que assumirá a tarefa com entidades, catolicismo romano, cristãos evangélicos e todos os demais envolvidos e interessados no combate à pedofilia.

 

Malta solicitou ainda ronda ostensiva da Guarda Municipal para dar mais tranqüilidade às famílias e crianças, a partir da segurança e para que voltem à vida normal, sem discriminação.

 

Presos fora de Catanduva

 

Os detidos pela Operação Fênix estão presos em São José do Rio Preto, a 60 quilômetros de Catanduva e os menores na Febem, em São Paulo. As polícias civil e militar, auxiliadas pela Guarda Municipal, montaram barreiras e mantiveram dezenas de policiais nas redondezas da Câmara dos Vereadores.

 

Lista dos acusados

Acusados e presos (conforme lista de nomes divulgada pela CPI):

– Adriano Fernandes de Souza,

– Eduardo Augusto Arquino,

– André Luiz Cano Centurion,

– JHS, menor,

– BHS, menor,

– José Barra Nova de Melo (Zé da Pipa),

– Willian Melo de Souza (sobrinho de Zé da Pipa).

 

Foto: www.camaracatanduva.sp.gov.br

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