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Archive for 20 de dezembro de 2008

 

Comemorar o Natal permanece como algo não completamente definitivo e ainda gera muita polêmica entre protestantes, evangélicos históricos e pentecostais, cristãos nominais, católicos apostólicos romanos e o mundo secular. A questão da exploração comercial do dia passou a ser o grande entrave para muitos. A data-símbolo do nascimento Daquele que trouxe a riqueza plena ao homem, ao resgatá-lo da prisão imposta pelo desenfreado desejo do ter, pelas paixões humanas e riquezas temporais, instituiu justamente o inverso.

São poucas as indicações que não fogem dos registros de arrogância humana, exageros, comilança, bebedice com iniciação às drogas por meio do álcool, demonstração de poder, beleza e riqueza, que realçam ainda mais a diferença entre miseráveis, pobres e ricos, religiosos cristãos natalescos e reais seguidores de Cristo.

Jesus veio ao mundo justamente para quebrar tais cercas e estabelecer a unidade por meio de sua Igreja (o Corpo de Cristo): “querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguenos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”, Ef 4.12-14.

Porém, o desvio imposto pela maldade humana não tira o mérito da comemoração do nascimento de Jesus, seguindo padrões de modéstia e comedimento. Também deixar de comemorar o 25 de dezembro, não implica em falha alguma, pois o mérito da obra expiatória de Cristo está no todo: nascimento, ministério, julgamento e sacrifício expiatório, morte, ressurreição, ascensão e glorificação. A última fase, portanto, tornou-se a mais importante. Aliás, a grande festa cristã não é a do nascimento do Senhor, mas a de sua ressurreição – que é a “nossa Páscoa” (passagem), conforme Paulo mostra em 1Coríntios 5.7; 11.24-26.

Na verdade, a comemoração natalícia de Cristo começou com o advento da Igreja Católica Romana, no século 4, e jamais passou pelo conhecimento da Igreja Primitiva, mas sim a ressurreição, o Memorial do Senhor, a partir da ordenança: “em memória de mim” (1Co 11.24-25).

Dezembro jamais

O nono mês do calendário judaico (quisleu) se encaixa no nosso calendário entre novembro e dezembro, portanto época de chuva e frio. Em Israel é estação de inverno  com registro de chuvas (“Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou e seu foi” e “… era o nono mês, no dia vinte do mês;… por causa das grandes chuvas. (…). Porém o povo é muito, e também é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fora”, Ct 2.11 e Ed 10.9,13).

A contradição das datas está na informação que aponta para a presença de pastores e seus respectivos rebanhos nos campos, nas madrugadas, por ocasião do nascimento de Jesus (Lc 2.8).

Como vimos os judeus se protegiam à noite, em especial os pastores, por ser uma época tipicamente chuvosa – de chuvas temporãs, para a semeadura de cereais iniciadas em outubro. Era ainda tempo de intenso inverno e os pastores ficavam, portanto, impedidos de estarem nos campos no período noturno. A presença nos pastos ocorria na estação de verão, quando pastores e ovelhas se expunham livremente, o que não ocorria em dezembro.

As possíveis épocas do nascimento de Jesus

A data do nascimento de Jesus é totalmente desconhecida e ocultada pelo Criador. Com que propósito? De não estabelecer comemoração? Ou para realçar a importância da Ressurreição? Não sabemos, mas uma coisa é certa, ela pode estar situada entre junho e setembro – tempo das primeiras uvas (sivã/tamuz), verão – frutas frescas (tamuz/abe), colheita (abe/elul) e cultivo da terra (elul/tisri*).

Em Junho

Conforme notícia da BBC Brasil, postada na internet, pesquisa realizada pelo astrônomo australiano Dave Reneke, Jesus teria nascido no dia 17 de junho.

Segundo o pesquisador, a ‘estrela de Natal’ indicada na Bíblia e seguida pelos magos** (“Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo”, Mt 2.2), conforme rastreamento a partir de um software, permitiu rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos, e analisar o ocorrido na época.

 Diferentes datas

A comemoração do Natal no dia 25 de dezembro fora instituído em 325. A Igreja Ortodoxa comemora no dia 6 de janeiro e a Igreja Armênia no dia 16 de janeiro.

Dezembro foi usado para coincidir com a comemoração do Solstício – homenagem ao deus Sol – dos romanos. Na época, Constantino, imperador Romano, já havia assumido o Império, influenciando a Igreja a partir de sua posse em 313. Constantino se impôs e foi aceito como líder maior da Igreja, que, desde então, começou a traçar novo rumo, contrariando suas origens.

Diante de tantas informações, de pessoais referenciais que servem de exemplo, paira a dúvida que nem sempre a informação desfaz. O envolvimento imposto pela própria natureza dos dias atuais também é outra razão que não nos deixa muitas opções. A tradição é ainda impressionante e, diante de tudo isso, recorremos a 1Coríntios 6.12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”. Por outro lado, uma coisa é certa: o nascimento do Senhor Jesus deve ser rememorado todos os dias, “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.  

Notas

*Os meses judaicos (calendário hebraico) não coincidem com o calendário ocidental e se registram sempre entre dois meses: iniciam no meio de um e adentra no período do seguinte.

**A Bíblia não indica que os magos eram 3 e tampouco que eram reis: “… eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém”, Mt 2.1. “Os três reis magos” é informação pertencente à tradição católica romana.

 

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