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Archive for 16 de fevereiro de 2008

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Lembro-me dos meus primeiros dias de escola. Minha cartilha levava um nome que muita gente, ao lê-lo, abrirá pelo menos um pequeno sorriso no canto da boca – Caminho Suave. Sem saudosismo, foi um belo tempo. Naquela época, mal sabia que anos mais tarde, a semente que fora plantada em minha alma, ainda criança, em uma pequena igreja, vizinha de minha casa, me levaria aos pés do Mestre, que ensinou-me o verdadeiro caminho suave. Ele mesmo diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”, Mt 11.28-30. 

Parece até que podemos ouvir o Mestre convidando a cada criança, jovem e adulto para tornarem-se seus alunos. Vem à minha mente que, antes de freqüentar os primeiros dias de aula em uma escola pública, participei da Escola Dominical, em uma pequena Igreja Presbiteriana. Ainda muito criança, lembro-me de poucas coisas, senão de uma grande baleia de cartolina que “engolia” os peixinhos, igualmente de papel, que colocávamos em sua boca. Os peixinhos continham o nome de cada aluno, e consequentemente sua freqüência, pois no final ganhávamos prêmios. Era só conferir quantos peixinhos cada um havia dado à “baleia de Jonas”. Não lembro-me de mais nada, mas aquilo ficou na minha mente. Guardo ainda de lembrança um surrado livro de João Bunyan – O Peregrino –, que um de meus irmãos ganhou como prêmio. Ele conta uma história fascinante, e envolvente também. 

Não lembro-me de nenhum tipo de mensagem. A mensagem por meio de figuras ficou facilmente gravada em minha mente até hoje. Nada mais senão aquela figura de uma baleia feita de cartolina, de boca aberta, esperando pelos peixinhos. 

Foi naquela época, por meio da ED, que minha família começou a ser evangelizada. Como não freqüentávamos e por não permanecermos naquela igreja, é possível que alguns de seus fiéis – quem sabe – tenham pensado que foi uma luta em vão. Passaram-se anos até que minha mãe foi para uma igreja evangélica. Depois um de meus irmãos, o outro, até chegar a minha vez. Já era adolescente. Estava aflito, e havia até recebido uma revelação do Senhor em sonho. Eu precisava daquele convite, pois a Palavra estava plantada em mim, desde criança, por meio da Escola Dominical. E assim como eu, meus irmãos, um a um foram aproximando-se do Criador.    

Caráter evangelizador da ED 

Minha família foi evangelizada na Escola Dominical. O primeiro propósito da Escola Dominical está bem próximo daquele do Caminho Suave.O jornalista protestante Robert Raikes – fundador da ED –, inicialmente quis ajudar crianças que não mantinham nenhuma perspectiva de vida, por viverem longe do convívio da família, da escola e da igreja. Raikes passou então a ensinar-lhes a ler e escrever e conceitos de higiene, educação e cidadania por meio da Bíblia Sagrada. 

Com essa iniciativa do jornalista cristão evangélico deu-se início na Inglaterra ao movimento que culminou com a instalação da escola pública, conforme hoje conhecemos no Brasil. A nobreza abriu espaço ao proletariado e marginalizados para o ingresso nas escolas públicas. Primeiramente, antes mesmo de a Escola Dominical existir, nasceu a idéia do ensino público sob a luz da Bíblia Sagrada, e mesmo depois com a ED, seu funcionamento se deu de dentro (da Igreja) para fora (o povo). Suas características eram de um meio de resgate do homem perdido; portanto seu foco principal era a evangelização. E foi isso que a Escola Dominical transmitiu ao mostrar-nos o Caminho. Minha família necessitava penhoradamente dessa escola. Tudo passou a mudar. Aos poucos a minha casa foi sendo transformada em todos os aspectos existenciais – o fardo leve combinou com o caminho suave. Com o tempo, o salmo 1º passou a vigorar como um refulgente farol nas densas trevas que obscureciam os nossos rumos.

A Bíblia é muito clara sobre isso ao exortar-nos: “E não vos conformei com este mundo, mas tranformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, Rm 12.2.

E fica claro que o caminho suave se aprende na própria Escola Dominical. Desde os pioneiros, a Escola Dominical sempre teve o caráter evangelizador. Por ela as igrejas cresceram e continuam firmes, não obstante terem perdido esse foco como principal. Porém, é necessário voltarmos às bases e usarmos o melhor meio de ensino sistemático da Palavra como evangelizador e formador de discípulos. 

Esse atributo é essencialmente escolar, uma vez que a determinação imperativa do Mestre à Grande Comissão é “ide, ensinai e fazei discípulos”. Tanto que, somente da minha família, de todos os meus irmãos que passaram por aquela escola, quatro receberam a graça divina do ministério.  

Pastor José Wellington, líder das ADs no Brasil, também conta que de todos os alunos jovens de sua antiga classe de Escola Dominical, oito tornaram-se ministros do Senhor.   

A importância da Escola Dominical está implícita em todos os momentos da igreja, com transformações de vidas e notório crescimento espiritual e social de seus membros. 

Contam que um garoto passou a freqüentar uma classe de Escola Dominical. Ele trajava roupas rotas e sujas. O professor, ao notar a presença e interesse daquele garoto, passou a dar-lhe atenção especial. Não demorou muito para comprar-lhe roupas novas, animando-o ainda mais a continuar freqüentando a ED. Essa atitude fez com que a mãe do garoto atentasse mais para a higiene do filho, e passou a dar-lhe banho todos os dias. Por sua vez, o pai do menino sentiu-se constrangido a mudar um pouco o visual da casa. Limpou o quintal, construiu uma bela cerca em frente daquela moradia simples, e com o passar do tempo, reformou toda a casa. As mudanças passaram a ser constantes e notórias. Ao perceberem toda aquela transformação, os moradores daquela região passaram também a melhorar o visual tanto pessoal como de suas casas. Por fim, o visual de todas aquelas pessoas, bem como daquele bairro, havia experimentado uma verdadeira metamorfose. Essa é a principal proposta da Escola Dominical. Testemunhos flagrantes de transformação pelo poder divino.   

ED no século 21  

O ambiente da Escola Dominical é propício para a evangelização, especialmente hoje. Não se tem mais as facilidades que corroboraram para a conversão de pessoas no tempo de nossos pioneiros. Atualmente a pessoa precisa ser motivada. A sociedade pós-moderna necessita de atrativos além do trivial. Ela quer sentir o solo que pisa. Embora com tendência à incredulidade, não é inteiramente descrente, pois busca para si um meio de manter a religiosidade.  

Na Escola Dominical existe um ambiente propício à interação que beneficia a evangelização desse exigente público. Temos ainda o aspecto do horário. O povo brasileiro tem o hábito, criado pela religião predominante, de valorizar a vida religiosa no período matutino, enquanto dorme à tarde, e assiste a programas de televisão à noite. 

Em cidades grandes e com histórico de violência, como o Rio de Janeiro, muitas igrejas adaptam-se ao sabor do fiel, que nem sempre freqüenta dois cultos no mesmo dia, em especial no domingo. Por isso, muitas igrejas realizam culto após o término da Escola Dominical, pois sabem que muitos dos presentes pela manhã, não voltarão à noite. Por sua vez, os cultos realizados à noite começam mais cedo, por volta das 18 horas, para serem encerrados às 20.   

São mudanças que devem ser levadas em conta. A pessoa que freqüenta a Escola Dominical tem um culto logo em seguida. Com isso, o novo convertido passa a envolver-se com a graça divina pela realização desses cultos. Todo o esforço para ganhar almas para o Reino divino é válido. Se temos potencial na ED, por que não usá-lo? Como na ED a participação é mais vigorosa, tornando as aulas num diálogo (enquanto os cultos se concretizam por meio de monólogo), a inserção do não-convertido é bem mais suave e sugestiva. 

O crescimento das igrejas, em especial da AD, ocasionou certa acomodação. São vários motivos, entre eles a própria perseguição que dava mais ímpeto à pregação do Evangelho, depois de extenso preparo, impulsionado pela necessidade de estar constantemente aos pés do Senhor. 

Com o esfriamento, a freqüência aos cultos foi diminuindo até ficarmos somente com o de domingo à noite. Ocorre que os costumes da sociedade como um todo mudou muito, inclusive no que tange à disponibilidade de sair de casa. É necessário buscar meios eficientes de evangelização. 

Simultaneamente ao decréscimo do número de fiéis, a igreja registrou o crescimento da Escola Dominical, que figura, como o meio mais eficiente de evangelização. Além disso, na ED pode-se também estruturar meios de valorização para que aspirantes ao ministério possam mostrar suas aptidões.

E aqueles que sentem bloqueios para freqüentar uma denominação cristã-evangélica não teriam nenhum problema para entrar numa sala de aula. Até mesmo o preconceito que se vê em relação à igreja protestante cai por terra. Então, por que não mostremos o Caminho (do fardo leve) da Escola?

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